7 de dezembro de 2016

A Parada LGBT de Curitiba: o que ela nos mostra sobre a luta LGBT

No domingo dia 13, em Curitiba, ocorreu a 17ª edição da Parada da Diversidade LGBT, que reuniu milhares de pessoas no centro da cidade. Organizada pela Associação Paranaense da Parada pela Diversidade (APPAD), o evento contou com o apoio de ONGs, pessoas voluntárias na organização, sindicatos. A Parada também foi patrocinada por empresas, e em especial este ano, pela empresa multinacional prestadora de serviços na área de transporte privado urbano - UBER.


Mercado pink - a mercantilização dos direitos LGBTs

A seletividade dos direitos para as LGBT é expressa pelo Pink Money (dinheiro rosa). Tem direito a ser LGBT quem tem dinheiro. Isso acontece porque no capitalismo muito interessa à burguesia e aos seus governos domesticar o movimento, e mercantiliza-lo é ainda melhor. Assim, ele vê as LGBTs como um nicho de mercado, o mercado pink, que vende o falso sentimento de liberdade e de inclusão.
E não à toa que neste ano o grande patrocinador da Parada da Diversidade em Curitiba é a própria UBER. Empresa que usa o público LGBT como esse mercado, e se aproveita do fato que as LGBTs não têm o direito de ser elas mesmas com segurança fora de casa. Traz, assim, um falso sentimento de proteção àquelas que são espancadas e morrem todos os dias nas ruas do país todo, e não diferente na capital do Paraná, que desponta no ranking de homicídios por LGBTfobia.
A Parada da Diversidade é o único espaço em que se reúnem as LGBTs tanto da periferia como as dos bairros centrais. É um momento em que esse público sente que pode ser ele sem medo, já que por algumas horas as LGBTs estão juntas e assim se sentem mais seguras. Mas todos os outros dias do ano a realidade é totalmente diferente entre as LGBTs ricas e as da classe trabalhadora. Apesar da violência ser contra todas as LGBTs, as que mais sofrem com isso, com os ataques dos governos e com a exploração capitalista são as mais pobres, periféricas, negras e precarizadas.

Crise econômica e a LGBTfobia no Brasil

No cenário de crise econômica, os problemas sociais só se intensificam no Brasil. Desses problemas, a LGBTfobia não fica de fora, muito pelo contrário, somos o país que mais mata Trans e Travestis no mundo. As LGBTs seguem sendo vítimas da violência LGBTfóbica. De acordo com o GGB (Grupo Gay da Bahia), em 2014, no governo Dilma (PT), foram registrados no Brasil 326 assassinatos e 9 suicídios de LGBTs, ou seja, uma morte a cada 27 horas. Em todos esses casos, a causa motivadora é o ódio às LGBTs.
Nos 14 anos que o PT esteve no poder, a vida das LGBTs não teve melhorias. No governo de Lula e depois Dilma o combate à opressão foi usado como moeda de troca. O PT se aliou a partidos conservadores, como o Partido Social Cristão (PSC), de figuras LGBTfóbicas como o Marcos Feliciano. E em nome de uma suposta "governabilidade", atacou os direitos das LGBTs e arquivou o Projeto de Lei 122/06 que criminalizava a homofobia. Por isso, a ideia de que estaríamos vivendo uma “onda conservadora” agora com a posse de Temer, cai por terra quando lembramos de tudo isso, da “Carta ao povo de Deus” de Dilma, e dos números de mortes das LGBTs, que só aumentaram nos governo do PT.
Temer (PMDB) agora continuará governando com esses setores, antigos aliados do PT, e para a burguesia, enquanto a crise econômica continuará afetando principalmente os trabalhadores mais precarizados. Se saúde pública de qualidade já nos é algo negado, com o congelamento da verba por 20 anos que propõe a PEC 55, não veremos as melhorias necessárias para nos atender. Além disso, a retirada de matérias como Filosofia e Sociologia das escolas significam que seremos ainda mais invisibilizadas. Juntando isso com o projeto Escola Sem Partido, o que se revela é um futuro sem a discussão sobre opressões nas escolas! Sem falar na Reforma da Previdência e Trabalhista. Ocupamos os piores postos de trabalho, como no telemarketing, e assim não teremos mais garantia de direito nenhum.


Reviver Stonewall na luta LGBT! Derrotar os governos e o capitalismo!

Se hoje a comunidade LGBT tem alguns direitos, pois são realmente poucos, eles foram conquistados através de muitas lutas. Infelizmente muitas LGBTs, hoje, não conhecem a sua própria história. Poucas sabem da Revolta de Stonewall que aconteceu em 1969 em Nova Iorque. Foi a resposta dada à repressão homofóbica que acontecia nos bares periféricos e ruas da cidade. Cansadas das agressões e humilhações, as travestis lideraram um confronto contra policiais, tendo apoio de outros movimentos de luta como dos imigrantes.
Precisamos reviver o espírito de Stonewall e transformar as Paradas LGBTs em momentos de luta e revolta, e em conjunto aos trabalhadores lutar pela emancipação dos que são mais explorados e oprimidos. Porém, precisamos ter em mente que pequenas conquistas dentro de um sistema que se baseia na desigualdade social são muito pouco do que precisamos. Não queremos direitos seletivos. Precisamos continuar lutando contra o capitalismo e contra todos aqueles que atacam os trabalhadores e as LGBTs! E nesta luta, nossos aliados são todos aqueles, LGBTs ou não, da classe trabalhadora

- Chega de assassinatos e violência! Pela aprovação imediata da PLC122 que criminaliza a LGBTfobia!
- Direito ao nome social e direitos civis! Pela aprovação imediata da Lei de Identidade de Gênero!
- As LGBTs não vão pagar pela crise! Chega de retirada de direitos trabalhistas!
- Fora Temer, Aécio e Bolsonaro! Fora todos eles!

Juventude do PSTU - Curitiba

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