30 de novembro de 2015

Sobre a renúncia de Paulo Vidigal nas eleições do Sismmar

SOBRE CAPITULAÇÃO, DERROTISMO E RENÚNCIA À UNIDADE DA ESQUERDA!
"Renunciar no meio do combate, desistir no meio da guerra, abandonar os próprios companheiros sozinhos e desorientados no campo de batalha é a pior atitude possível para um dirigente, por menor que seja sua importância diante dos acontecimentos. Ainda mais quando este tipo de conduta favorece as direções governistas do sindicato que sustentam em meio aos trabalhadores um governo que aplica um ajuste fiscal a favor dos capitalistas." 
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Por Márcio Palmares (Diretor do Sinditest), pelo PSTU de Curitiba

Paulo Vidigal não explicita com detalhes os motivos que o levaram a renunciar ao seu posto enquanto candidato a presidente na disputa pela direção do SISMMAR, em Maringá. A carta de renúncia por ele publicada é suficientemente genérica, suficientemente ambígua para lançar ainda mais confusão, mais desânimo e mais desmoralização sobre a militância que se reunia em torno da Chapa 2.

Em um momento onde o governo federal do PT/PMDB e o governo municipal do PP estão juntos aplicando o ajuste fiscal e a retirada de direito dos trabalhadores, a unidade da esquerda deve estar acima das diferenças políticas pontuais e vaidades pessoais. Quem sai ganhando com esta atitude divisionista e abstencionista, são as chapas 1 e 3, que já dirigem os sindicato a quase uma década e são base de apoio de Dilma, que aliás, tem como aliado em Maringá Ricardo Barros/PP, vice-líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados. Ricardo Barros é apoiador e do mesmo partido que o prefeito Pupin. Estão todos "amarrados" pelos acordos e alianças eleitorais.
O comandante é sempre o último a deixar o campo de batalha, na vitória ou na derrota. É dever do dirigente suportar as pressões, as agruras da vida, o tormento permanente da luta. Quem não suporta tais adversidades, não deve se postular para os cargos de comando. Terá ele consciência das dificuldades infinitamente superiores que cercam o trabalho cotidiano de um dirigente à frente de um sindicato? Terá consciência dos sacrifícios, da entrega, da abnegação que envolvem, por exemplo, conduzir milhares de trabalhadores e suas famílias à luta por seus empregos, por salário? Terá consciência da dor e do sofrimento que nos causa a demissão de companheiros de trabalho? A prisão de ativistas? As perseguições que sofremos?
Ao não ser capaz de suportar as contradições de uma simples campanha eleitoral, este militante apenas demonstrou aos trabalhadores da sua base que não estava em condições de dirigir a entidade. Era melhor fracassar agora do que posteriormente. 

A QUEM SERVE O APARTIDARISMO?
O aspecto mais nocivo dessa renúncia, contudo, está na ideologia de direita, patronal, que aparece como justificativa para a renúncia. Por causa da "influência partidária" na chapa 2. Ora, essa é exatamente a concepção usada desde a época de Getúlio Vargas para retirar dos sindicatos toda e qualquer pretensão de que possam esboçar uma luta política, e não meramente econômica.
É dos patrões, da direita, dos militares, do governo, a ideia de que os sindicatos não podem ter "influência de partidos políticos". Foi a Ditadura Militar que proibiu a organização dos trabalhadores em partidos políticos. Por quê? Porque sem ideologia socialista, sem luta política (que necessariamente é feita por partidos, movimentos, correntes) os sindicatos são meros mecanismos de regulação das tensões entre Capital e Trabalho. Sem militância política, um sindicato torna-se apenas o instrumento através do qual o trabalhador venderá sua força de trabalho por um preço melhor. Com isso, porém, jamais ameaçará a ordem vigente. Jamais ameaçará o que precisa ser ameaçado: a própria exploração capitalista.
Além de deixar os trabalhadores sem direção no meio da batalha, Paulo Vidigal sucumbiu, ainda, à ideologia antipartido, cujo resultado prático é deixar os sindicatos nas mãos dos partidos de direita ou nas mãos dos partidos governistas.
Mas os partidos ou o partido teria maioria na futura gestão? E qual o problema nisso? É natural da democracia operária que haja maiorias e minorias, que os trabalhadores organizados disputem, nos espaços democráticos, suas posições. Que mal há nisso? Vê-se aqui a pequenez do indivíduo que acredita estar acima de tudo e de todos: "ou eu sou o comandante inconteste ou me recuso a ser minoria". É a posição mais antidemocrática e individualista que existe.
Que os trabalhadores e trabalhadoras da base do SISMMAR possam se recuperar desse golpe. Sofrer golpes da ala golpista da CUT,  PT e dos patrões já não é fácil. Mas sofrer golpes dos próprios companheiros é infinitamente pior.
Um lembrete: os soldados do Exército Vermelho, sob a direção de Trotsky, em geral simples trabalhadores famintos e de pés descalços, antes que fossem enviados para a luta no campo de batalha, faziam um juramento. Juravam defender a república soviética até a morte e tomavam ciência de que, se virassem as costas para o combate, se desertassem, seriam punidos principalmente com o desprezo eterno de seus companheiros. Milhões de homens e mulheres, heróis anônimos da revolução, morreram assim, lutando, cientes de que a capitulação é sempre a pior escolha possível. Que os futuros candidatos ao posto de dirigentes da classe trabalhadora lembrem-se disso.


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