7 de julho de 2015

PPE NÃO PROTEGE O EMPREGO, PROTEGE O PATRÃO

Por Zé Maria - Direção Nacional do PSTU

É mais um sacrifício imposto aos trabalhadores para proteger o lucro do patrão. Por acaso o trabalhador pode reduzir o que paga de aluguel? O valor da compra no mercado? O valor da conta de luz ( que, aliás, vai aumentar de novo)? Em que mundo vive o governo do PT?

Depois de ajudar a gerar a onda de demissões que estamos assistindo em todo o país, com o seu "ajuste fiscal" a presidenta Dilma apronta mais uma contra os trabalhadores. O chamado Programa de Proteção ao Emprego não protege o emprego do trabalhador, pelo contrário, protege o lucro do patrão.
Primeiro porque o tal PPE permite a redução da jornada com redução do salário, dos trabalhadores. Ou seja, quando o patrão quer mais produção arranca o couro das costas do trabalhador sem lhe pagar mais por isso, e quando quer menos produção pode reduzir a jornada e o salário do trabalhador. Esta redução pode ser de 15% do salário ou mais, em alguns casos. E além da redução salarial o trabalhador vai ter parte do que receberá saindo de seu próprio dinheiro - o FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, que o governo vai usar para ajudar a empresa a pagar o que restou do salário depois da redução...
É mais um sacrifício imposto aos trabalhadores para proteger o lucro do patrão. Por acaso o trabalhador pode reduzir o que paga de aluguel? O valor da compra no mercado? O valor da conta de luz ( que, aliás, vai aumentar de novo)? Em que mundo vive o governo do PT?
Em segundo lugar, o tal PPE sequer garante o emprego. O trabalhador pode ser demitido após ter seu salário reduzido. A única garantia de emprego será de um terço do período de redução do salário. Ou seja, se um trabalhador tiver seu salário reduzido por um ano, ele terá apenas 4 meses de emprego garantido depois disso. Ou seja o patrão vai juntar dinheiro para pagar a indenização do trabalhador demitido com o próprio dinheiro que descontou do seu salário.
Se o governo quisesse, de fato, proteger o emprego, porque não editou uma MP, simplesmente assegurando a garantia de emprego, proibindo a demissão imotivada (que não fosse por justa causa)? Porque não reduz a jornada de trabalho, sem redução salarial, para gerar mais vagas e assim combater o desemprego? Desta forma seriam os patrões, os mesmos que lucraram bilhões nos últimos anos (das vacas gordas), que arcariam com o custo da crise gerada pela ganância deles mesmos.
Mas, não, o governo da presidenta Dilma mais uma vez mostra para quem governa: sacrifica os trabalhadores para proteger o lucro do grande empresariado. Os grandes empresários batem palmas. A oposição encabeçada pelo PSDB também apóia pois são patrões e ganham com isso.
Registre-se também o papel vergonhoso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e das centrais sindicais (CUT, Força Sindical, etc) que participaram do processo de elaboração desta proposta e deram apoio ao governo. Trata-se de mais uma facada nas costas dos trabalhadores, dada por estas organizações que dizem defender seus direitos.
Os trabalhadores precisam se levantar contra mais este absurdo deste governo. Depois de enfiar goela abaixo dos trabalhadores as MPs que restringem o acesso ao seguro desemprego, ao abono do PIS, à pensão por morte; depois de mudar a regra da aposentadoria querendo fazer o trabalhador trabalhar até morrer, ainda aparece com mais essa.
Chega de Dilma, de PT, de PMDB, de PSDB!
Os trabalhadores precisam construir uma alternativa sua para o governo deste país.

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