9 de junho de 2015

Acabou a greve da educação... é hora de mudar os rumos da APP e derrubar Richa

PSTU Paraná
Em assembleia realizada nesta manhã (9), no Estádio Vila Capanema, cerca de 15 mil trabalhadores da educação estadual deliberaram sobre os rumos da greve. Em votação dividida, 60% votaram pela suspensão do movimento, enquanto 40% optaram pela continuidade da greve.
Assembleia no Estádio Vila Capanema
Infelizmente, a direção estadual da APP Sindicato, defendeu a saída da greve, aceitando a proposta ruim e incerta do governo Richa (PSDB), assinada pelo líder da “bancada do camburão”, Ademar Traiano (PSDB). Após o massacre violento em 29 de abril, o governo demonstrou mais uma vez que não respeita os trabalhadores, apresentando proposta que não atende a pauta da categoria.

Esta proposta não contempla a lei nacional do piso, não repõe a inflação do período (de 8,17%), não considera o reajuste dos educadores contratados em regime PSS, não garante que teremos eleições para diretores e não se compromete em não perseguir os diretores e diretoras que apoiaram a construção da greve.

O reajuste consiste em o estado pagar 3,45% de aumento (inflação de maio a dezembro de 2014) em uma única parcela, somente em outubro deste ano. A inflação de 2015 será corrigida só em janeiro de 2016. As perdas inflacionárias de 2016 serão pagas em janeiro de 2017. A proposta diz ainda que a reposição da inflação de janeiro a abril de 2017 será paga em 1.º de maio daquele ano.

Enquanto terminávamos este texto, os deputados estaduais acabavam de votar a proposta de 3,45% de reajuste para educação para outubro, e reajuste em parcela única de 8,17% para os trabalhadores do judiciário estadual. Por que abrimos mão do reajuste em parcela única de 8,17% para a educação estadual?

Mais uma vez o limite da greve foi a direção

Desde o início, a força desta greve se deu devido ao ímpeto de luta dos trabalhadores pela base, se fizermos um breve histórico, veremos que nos momentos decisivos a direção estadual do sindicato fez recuar o movimento enquanto o correto seria avançar. É importante frisar que esta política sempre favoreceu a ofensiva do governo.

O que mais precisará ocorrer para a direção estadual aprender a não confiar nas promessas de Beto Richa e aproveitar a correlação de forças a nosso favor? Na greve de 2014, a direção defendeu aceitar a proposta parcelada e pôs fim a greve, o resultado foi que parte importante da pauta não foi atendida. Em fevereiro deste ano, derrubamos o “pacotaço” e colocamos o governo contra a parede. A maioria da população apoiava o movimento grevista, ao invés de aproveitar a correlação de forças, a direção defendeu dar uma trégua ao governo, que ganhou tempo para articular o ataque a previdência dos servidores.

Em abril deste ano, retomamos a greve para barrar o projeto da previdência, o mesmo foi aprovado em 29 de abril na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), sob a maior repressão já vista na história do Paraná. Como vemos, a direção estadual não aprende com os erros, recua quando o momento é o de avançar para por o inimigo na lona.

Repressão e massacre em 29 de abril de 2015
Depois da violência policial em 29 de abril, ganhamos mais força e apoio em meio à população. O movimento Fora Beto Richa está crescendo em todo estado e somente 5% da população apoia Beto Richa. A experiência demonstrou que não podemos confiar neste governo, a única forma de barrarmos os ataques é derrubando Richa do poder, estamos no primeiro ano de seu segundo mandato, e caso ele se mantenha, teremos mais três anos de ataques duros aos trabalhadores.

A greve foi encerrada em um momento em que era possível e necessário intensificá-la. A tática correta seria manter a greve, pressionar para melhorar a pauta e intensificar o movimento Fora Beto Richa. O governo está encurralado, sem apoio da esmagadora maioria do povo, esta tática poderia obrigar o governo a melhorar a pauta da educação e quem sabe até derrubar Beto Richa, isto está colocado na conjuntura, a condição é que o movimento Fora Beto Richa ganhe força nas massas. Mais uma vez a opção da direção estadual da APP foi dar uma trégua ao governo, pior, dando voto de confiança em suas promessas.

Campanha de sindicalização pra mudar a direção cutista-petista

Esta greve mostrou que a maioria da base está insatisfeita com a direção estadual da APP. Devido ao descontentamento, muitos trabalhadores não estão filiados ao sindicato e muitos falam em se desfiliar após a experiência desta greve. Nós achamos que este não é o caminho, o sindicato é dos trabalhadores e precisa ser resgatado e controlado pela classe.

Ademar Traiano e Beto Richa, ambos tucanos.
Isso ocorre porque a maioria dos trabalhadores descontentes não está sindicalizada e não pode votar para mudar a direção do sindicato. Por isso, defendemos uma ampla campanha de sindicalização pra mudar a direção! A APP é um forte instrumento de luta e precisa ser devolvido aos trabalhadores.

Esta direção está aí há muitos anos e hoje está na base de apoio do governo federal de Dilma e Levy. O ajuste fiscal de Beto Richa ocorre no mesmo contexto dos ataques e retirada de direitos que o governo federal está aplicando. O PT é o partido que está aliado a grande burguesia e está governando para ela, implementando o ajuste fiscal nacional, é extremamente importante compreender o limite das direções petistas e cutistas no movimento de massas, que cumprem papel de agentes diretos do governo federal no seio da classe trabalhadora, e mesmo quando enfrentam governos tucanos, esbarram na adaptação as instituições democrático burguesas e no apelo a "governabilidade".

Oposição da CSP Conlutas organizará encontro estadual

A CUT passou de mala e cuia para o campo do governo federal, isso ocorre por que o governo do PT cooptou a maioria das direções dos movimentos sociais e sindical do país. Hoje, é um fato que o governo da presidenta Dilma (PT) faz um duro ajuste fiscal e ataca os direitos e conquistas da classe trabalhadora brasileira. Diante disto, a localização política da CUT, na base de apoio ao governo federal, limita o horizonte de lutas e combatividade desta central, que se acostumou a colaborar com a governabilidade.

A oposição APP de Luta e Pela Base, filiada à Central Sindical e Popular CSP-Conlutas, irá organizar um encontro estadual para debater a educação no segundo semestre, o objetivo é fortalecer uma alternativa de luta pela base na educação estadual. Todos e todas que estão descontentes com a direção estadual cutista poderão participar.

O Paraná inteiro grita: Fora Beto Richa

Só temos um caminho, este governo tucano não é mais legítimo diante da população, só se sustenta devido as leis e instituições burguesas que o mantém no poder. Parte importante dos grandes empresários do campo e da cidade ainda querem Beto Richa no governo, eles fazem parte da minoria rica e privilegiada que estão entre os 5% que ainda apoiam o governador.

É hora de fortalecer a campanha Fora Beto Richa nas ruas, bairros, escolas, igrejas, movimentos, entidades e em todas as bases, porque a maioria do povo apoia a palavra de ordem “Fora Beto Richa”. Os partidos e organizações que atuam no seio da classe trabalhadora tem a responsabilidade e a obrigação de se colocar na vanguarda desta política, somando forças e ajudando a massificar os comitês Fora Beto Richa.

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