1 de maio de 2015

PRIMEIRO DE MAIO DE 2015: o sangue, as traições e a luta

Marcio Palmares, dirigente do SINDITEST e militante do PSTU em Curitiba


Dois dias depois da batalha do dia 29 de abril, os trabalhadores voltam ao palco do conflito. Que lições devemos extrair neste Primeiro de Maio?
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Aos poucos, os trabalhadores brasileiros, principalmente a geração mais jovem, que entrou no mercado de trabalho na era Lula, vai se dando conta sobre o que é realmente o PSDB: Beto Richa, Aécio Neves, Geraldo Alckmin...

Quem não viveu a década de 1990, o auge do neoliberalismo, não tem, de fato, parâmetros de comparação com o momento atual. Os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso já começam a fazer parte da história, e muitos trabalhadores jovens não conseguem ver no "paspalhão" Aécio Neves ou no "playboy" Beto Richa uma ameaça. 

Mas a batalha no Centro Cívico dessa semana, em que o PSDB conseguiu aprovar o roubo do dinheiro da aposentadoria dos servidores públicos do estado, apoiado exclusivamente na violência policial, fez a máscara de Beto Richa cair.

Isso é a direita, isso é Aécio Neves, isso é Beto Richa, isso é o PSDB: violência policial contra trabalhadores a serviço dos patrões, dos ricos, dos grandes empresários. 

Cabe agora a pergunta: por que Beto Richa e Geraldo Alckmin venceram as eleições novamente com tanta facilidade? Por que Aécio Neves quase venceu as eleições presidenciais?

A resposta é simples: as traições do PT foram tão graves, tão desmoralizantes e tão repugnantes que conseguiram apagar da consciência da maioria do povo a noção de que a sociedade é dividida em classes sociais antagônicas: patrões e empregados, ricos e pobres, empresários e trabalhadores. 

E foi o próprio Lula o responsável por este crime.

Em seu primeiro mandato, deu as mãos a um antigo barão da indústria têxtil, o falecido José Alencar, então do PL (partido liberal, isto é, capitalista).

Lula fez o que pôde para vender a ideia de que os grandes empresários não são exploradores, não são parasitas sociais, responsáveis pela miséria do povo. José Alencar era apresentado como um bom sujeito, bonachão, "temente a Deus", mais um que "enriqueceu" graças ao seu "empreendedorismo", e não por sugar o sangue e a vida de seus empregados. 

E para consumar esse desserviço contra a consciência de classe dos trabalhadores, Lula cometeu a pior traição da história recente de nosso país: invadiu o Haiti com tropas terrestres, violando todos os preceitos internacionais da soberania das nações, instituindo uma força armada naquele país que vem cometendo os piores crimes contra os haitianos, incluindo fuzilamentos, estupros coletivos, torturas, prisões arbitrárias. 

E tudo isso para quê? Para ajudar as multinacionais que têm fábricas instaladas no Haiti, e que usam os haitianos como semiescravos.

Hoje, o povo haitiano passa fome. Os trabalhadores comem barro. E quem reprime as revoltas e as greves? Quem atira nesses trabalhadores quando eles se levantam contra a exploração e a miséria? As tropas invasoras enviadas por Luís Inácio. Não por acaso, José Alencar mantinha algumas fábricas no Haiti, para explorar a mão de obra semiescrava açoitada e torturada pelo Exército Brasileiro. 

A lista de traições cometidas pelo PT é interminável. Citaremos apenas mais uma, que diz respeito ao esforço feito para apagar a consciência de classe dos trabalhadores brasileiros. 

Um dos piores trabalhos existentes no Brasil é o trabalho do cortador de cana. Herdeiro da escravidão dos tempos coloniais, o "trabalhador livre" dos canaviais vive hoje acorrentado pela miséria secular, castigado pela ameaça permanente da fome. Ele migra do semiárido em direção ao sudeste, e reencontra em terras mais frias o espectro da monocultura da cana-de-açúcar, em que seus antepassados deixaram a vida.

Não tendo outro modo de sobreviver, tendo fugido da seca e da miséria do nordeste, ele vende seu corpo ao novo senhor de engenho, que agora se chama "usineiro". 

Começa então a jornada de trabalho, e o cortador de cana descobre que só receberá "por produção": precisa cortar no mínimo dez toneladas por dia.

Não podemos descrever o suplício dessa jornada. Basta dizer que a expectativa de vida desses trabalhadores é baixíssima e muitos morrem de exaustão. 

Pois bem. Aconteceu que um migrante nordestino chegou à presidência da república. E o que ele fez? Lembrou de seus irmãos que estão morrendo nos canaviais? Não. Ao contrário. O traidor foi até a Casa Grande e beijou a mão do senhor de escravos: promoveu o usineiro a herói da nação. A partir desse dia, o cortador de cana que não morreu ainda de exaustão, morreu por dentro, de decepção e tristeza.

Resultado: a monocultura de cana avançou sobre o cerrado, sobre a mata atlântica, cresceu tanto quanto a soja, o pinus e o eucalipto, devastando o meio ambiente, acabando com a pequena propriedade rural e a autossufissiência na produção de alimentos, expandindo os latifúndios, e favorecendo meia dúzia de agro-exportadores e exploradores da fraude chamada "biocombustíveis".

Para coroar a lista de traições, o PT afundou também na lama da corrupção, perdendo os últimos resquícios de dignidade. Atualmente, a única coisa que o PT pode dizer contra o PSDB é que o PSDB roubou mais, o que provavelmente é verdade. Ou seja, é um ladrão pior do que o outro. 

Depois veio a aliança com Collor, com Maluf, com Sarney. Mas aqui o PT já estava no inferno, com a alma vendida para o capitalismo. 

São justamente essas traições contra sua própria gênese, a ideia de um partido sem patrões, um partido de classe, só dos trabalhadores, que causaram o triste espetáculo atual: o povo precisa ser pisoteado pela polícia do PSDB para se recordar de que patrão é inimigo de trabalhador.

Neste Primeiro de Maio em que nos curamos dos ferimentos deixados pelo combate contra as tropas de Beto Richa, precisamos nos curar também da experiência com a traição. É preciso coragem para perceber que estamos sozinhos, nem o PT, nem o PSDB podem atender aos interesses da classe trabalhadora.

É preciso derrotar na marra esses dois governos, com luta, mobilização e greves. E recuperar nossa consciência de classe e também a perspectiva histórica do fim da exploração capitalista.

Greve Geral para barrar os ataques dos governos do PT e do PSDB!

Só a luta muda a vida! Nenhuma confiança em governantes ou representantes dos patrões! Basta de PT, PMDB e PSDB!

Fora Beto Richa!

O Brasil precisa de uma revolução! Os trabalhadores devem governar, sem patrões e sem traidores!

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