4 de maio de 2015

MASSACRADOS OU FERIDOS EM COMBATE?

 PSTU Curitiba


Beto Richa venceu a única batalha que poderia ter vencido: a da força bruta. Mas a guerra em defesa dos direitos, contra os planos de "austeridade", está apenas começando.

O fato a destacar na batalha do dia 29 de abril, quando o governador Beto Richa conseguiu aprovar o roubo dos recursos da aposentadoria dos servidores públicos paranaenses, não é a quantidade de feridos, ou a crueldade, a covardia e a bestialidade das forças de repressão mobilizadas pelo PSDB.
Num confronto entre as forças armadas do Estado e civis desarmados não há outro resultado possível além de um saldo assustador de pessoas feridas (ou mortas, caso seja usado armamento letal).

Noutras palavras: não havia outro resultado possível, porque os trabalhadores são proibidos de portar armas, são proibidos, portanto, de se defender ou de revidar. Podemos lançar bombas ou tiros contra os cães armados da tropa de choque? Podemos portar cacetetes? Armas de choque? Podemos revidar os pontapés? Não. Foi um confronto desigual, desde o princípio.
Todos nós sabíamos disso. As centenas de ativistas que se concentravam diante da primeira linha de policiais militares tinham perfeita consciência de que seria uma luta entre Davi e Golias.
Ou seja, o fato a destacar aqui não é que tenhamos sido feridos, mas sim a impressionante coragem dos trabalhadores e da juventude, que sustentaram esse combate desigual por cerca de duas horas, até que os estoques de bombas dos cachorros armados da tropa de choque começaram a acabar e eles se viram obrigados a recuar para perto do camburão.
Que um homem armado dispare contra o rosto de um desarmado, e o desarmado veja-se obrigado a recuar, é perfeitamente normal. O que foi anormal foi a RESISTÊNCIA, a CORAGEM, a DISPOSIÇÃO DE LUTA.
Repressão da PM de Richa no dia 28/04/15
Beto Richa esperava dissolver o protesto rapidamente. No entanto, mesmo sob a chuva de tiros e bombas, mantivemos a concentração de manifestantes diante da formação de policiais até o início da noite.
E graças ao fato de centenas de pessoas não terem arredado o pé, mesmo em circunstâncias muito perigosas (as balas de borracha podem cegar), foi possível que o mundo tomasse conhecimento da covardia e do caráter do governo Beto Richa, do PSDB.
Fomos massacrados? De maneira alguma. Ninguém abaixou a cabeça para policial nenhum. Ficamos feridos, isso sim. Mas não há conquista sem luta. No caso em questão, estávamos lutando não para conquistar, e sim para não perder. Perdemos. Mas a guerra apenas começou. Eles venceram a única batalha que podem vencer: a da força bruta.
Uma palavra sobre o papel do PT e da CUT
A direção da APP-Sindicato (PT-CUT) já esperava pela derrota antes mesmo do início da concentração, na segunda-feira, 27 de abril. O esforço que fizeram para fortalecer a concentração foi mínimo. No início, não deram qualquer apoio material ao acampamento, que por isso foi atacado na madrugada pela tropa de choque.
O plano do PT era apenas resistir de forma modesta do lado de fora, com infindáveis discursos chorosos em cima do caminhão de som, para que, após uma derrota sem luta, pudessem apresentar Gleisi Hoffmann e Requião no alto do caminhão de som como os "redentores do povo" (visando as eleições de 2016 e 2018).
Coerente com esse plano, a direção da APP-Sindicato não fez nenhum preparativo para o confronto, nem ofensivo, nem defensivo. Quando o conflito teve início, limitaram-se a fazer dezenas de chamados a recuar, recolher os feridos e deixar o campo de batalha (Requião e Gleisi aguardavam nos bastidores para entrar em cena, precisavam de tranquilidade).
Felizmente, quase ninguém deu ouvidos a eles. O enfrentamento durou cerca de duas horas. De que adianta repetir os versos de Geraldo Vandré em cima do caminhão de som e depois fugir ao estouro do primeiro tiro? Qual é o significado de "acreditam nas flores vencendo o canhão"? Correr no primeiro tiro ou enfrentar a repressão com coragem e ousadia?
Se a estratégia meramente eleitoreira da direção da APP-Sindicato tivesse prevalecido, teríamos sofrido a derrota sem opor qualquer resistência, e sem tentar a ocupação da Assembleia Legislativa. Por sorte, havia centenas de professoras, professores, trabalhadores da saúde, agentes penitenciários e estudantes com disposição de entrar na Assembleia e impedir que Beto Richa nos roubasse.

A coragem desses trabalhadores foi superior ao comodismo da direção da APP-Sindicato, que acredita que a coalizão PT-PMDB (Gleisi-Requião, Dilma-Temer) pode fazer alguma coisa boa em benefício do povo. A terceirização ampla, geral e irrestrita esta aí, nas nossas portas, para nos mostrar o quão "frutífera" é essa aliança.
Portanto, o fato a destacar na batalha do dia 29 de abril não é o saldo de feridos. Mas a coragem, a valentia e a garra do povo paranaense, que acreditou em si mesmo, na sua força, na sua luta, na sua mobilização e enfrentou com flores o canhão dos ladrões e opressores.
Próximos passos
A burguesia tem o poder político, concentra toda a riqueza da sociedade, controla o Estado e todas as suas instituições. Controla a grande imprensa e tem ainda o monopólio sobre o uso da violência: apenas a burguesia pode usar contingentes de homens armados para atingir seus objetivos. Os trabalhadores não podem ter armas. São obrigados a enfrentar as tropas dos capitalistas de mãos vazias, apenas com cartazes, panfletos e palavras de ordem.

No entanto, a classe trabalhadora tem uma coisa que a burguesia não tem: braços para trabalhar. O patrão não pode trabalhar no lugar do operário. O governador não pode trabalhar no lugar da professora.
Por isso, embora não possamos usar armas (ainda) para enfrentar a repressão, podemos fazer greves gerais, que são capazes de parar o país e derrubar governantes, sem que, do nosso lado, seja disparado um único tiro.
O caminho da vitória, portanto, é o da Greve Geral.

Uma greve geral dos servidores públicos do Paraná terá o apoio da população, e pode desencadear um processo de mobilizações que derrube o governo Beto Richa, barrando assim seus planos de austeridade e revertendo as decisões da Assembleia Legislativa.
Da mesma forma, uma Greve Geral em todo o país pode derrotar o governo Dilma-Temer, revogando as MPs 664 e 665 e impedindo o senado corrupto de votar o PL da terceirização.
# Greve Geral para barrar os ataques dos governos do PT e do PSDB!
# Só a luta muda a vida! Nenhuma confiança em governantes ou em representantes dos patrões! 
# Basta de PT, PMDB e PSDB!
# Fora Beto Richa!

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