21 de abril de 2015

21 de abril: Tiradentes e os Metalúrgicos com a corda no pescoço

Claudio Giovanni Gunha, metalúrgico e militante do PSTU em Curitiba.
Neste dia 21 de abril, que é comemorado o Dia de Tiradentes, coincidentemente também é o dia dos operários Metalúrgicos. Porém, neste ano as coincidências são ainda maiores.

Joaquim José da Silva Xavier foi enforcado em 1792 no Rio de Janeiro.
Metalúrgicos estão com a forca no pescoço em 2015 no Brasil.

Antes de 1822, o Brasil não era considerado um país independente. Era apenas um território que pertencia a Portugal. Sendo assim, tudo que era produzido pela colônia, como era chamado, tinha que ser enviado para lá. Os impostos pagos pela população do Brasil pelos produtos consumidos eram muito altos. Com isso, o povo vivia oprimido.

Nesse contexto, nasceu Joaquim José da Silva Xavier, em São João Del Rei, em Minas Gerais, no ano de 1746. Tiradentes não se conformava com a situação de subserviência de Minas Gerais ao império português e decidiu se unir a outras pessoas que tinham os mesmos objetivos, entre eles, advogados, poetas e padres, para lutar contra o sistema colonial. Fez parte então do chamado movimento de Inconfidência Mineira, ocorrido em 1789.

O objetivo era fazer, no chamado dia da “derrama” (em que eram cobrados da população os impostos atrasados), um protesto, alertando as pessoas sobre o plano de libertação e em seguida prendessem o governador Visconde de Barbacena. Mas o plano não deu certo.

Joaquim Silvério dos Reis, traidor dos Incofidentes
Tiradentes foi traído por um companheiro de luta, Joaquim Silvério. Segundo consta, Joaquim devia 700 contos ao rei de Portugal e, para ter a dívida perdoada, entrou no grupo de Tiradentes, se informou do plano e denunciou ao próprio Visconde de Barbacena. Trinta e quatro membros do movimento foram presos, acusados de traição à coroa portuguesa. Onze deles foram condenados à morte, mas todos tiveram as penas amenizadas, menos Tiradentes. Ele foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro.

Antes de morrer, alguns escritores dizem que Joaquim da Silva Xavier disse: "Jurei morrer pela independência do Brasil, cumpro a minha palavra! Tenho fé em Deus e peço a Ele que separe o Brasil de Portugal." Em 1889, 100 anos depois o Brasil foi separado de Portugal.

Mas o que tem a ver os metalúrgicos com a história de Tiradentes?

Além da coincidência de ter a mesma data comemorativa, nós metalúrgicos somos trabalhadores que também estamos com a corda no pescoço. Sofremos com a ganância por lucros das multinacionais ligadas aos países imperialistas, sofremos com altos impostos, arrocho salarial, demissões e a opressões através do assédio moral.

Diferente da época de Tiradentes, agora são vários os império que sugam nossas riquezas: Americano, Alemão, Francês, Japonês , Britânico, etc... Reparem que a situação dos metalúrgicos é ainda mais agravante se considerarmos que, diferente de Tiradentes que lutava contra os domínios portugueses, os metalúrgicos tem uma tarefa muito maior.

Previsão orçamentária de 2014
Essas multinacionais se instalam em nosso país para super-explorar os operários, recebem isenções milionárias de impostos, lucram aos bilhões e este lucro nem fica aqui, pois é remetido às suas matrizes no exterior. Além disso, pegam dinheiro emprestado do BNDES a juros “de pai pra filho”.

Nosso companheiro Cristiano, que é líder sindical na multinacional alemã Bosch, foi demitido por que teve a coragem de denunciar os abusos contra os trabalhadores e o ritmo alucinante de trabalho.

O saque dos orçamento público realizado pela agiotagem internacional é absurda. Só em 2014, 42,42% nossa riqueza, produzida naquele ano, foi parar, em sua maioria, nas mãos de banqueiros. Tudo isso com a conivência dos Governos Federal e Estaduais.
 
Paulinho da Força, traidor dos operários
Também temos nosso traidor, o Paulinho da Força, que votou junto com os patrões um projeto que visa aproximar ainda mais da escravidão, como na época de Tiradentes, as relações trabalhistas no Brasil. Fomos apunhalados pelas costas por um dirigentes que deveria nos representar no Congresso Nacional.

Mas acredito que um dia essa categoria terá coragem de se rebelar contra esse sistema opressor e libertar o nosso país de forma verdadeira e definitiva das mãos desses impérios.

Pra terminar eu uso parte das palavras de Tiradentes e digo que também tenho fé em Deus e peço que ele de força e coragem para os metalúrgicos livrarem o Brasil das ganâncias imperialistas.

Pra começar precisamos construir uma greve geral em nosso país para derrotar os ataques dos governos federal e estaduais, cúmplices dos impérios aqui no Brasil.

Pela imediata readmissão de Cristiano da Bosch!

A luta metalúrgicos do meu Brasil!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui a sua opinião!

Marcadores