27 de março de 2015

Um chamado à CUT e ao MST: rompam com o governo



Ainda que os companheiros não concordem conosco sobre o governo, se de verdade querem derrotar o ajuste, reiteramos o chamado: independentemente das diferenças políticas, vamos construir uma Greve Geral contra a retirada dos nossos direitos.

O governo Dilma Rousseff (PT) está fazendo um ajuste fiscal duríssimo contra a classe trabalhadora e os setores populares. Uma política inteiramente de direita em favor dos banqueiros, do agronegócio e das multinacionais. Sobre os ombros da classe trabalhadora e dos setores mais pobres da população, está recaindo todo o peso da crise.

A insatisfação contra o governo Dilma e suas medidas é geral. Apenas 13% da população aprova o governo.

A direção da CUT e também a do MST dizem ser contra as medidas do ajuste fiscal, mas, ao mesmo tempo, propõem realizar manifestações essencialmente em defesa do governo ou de apoio crítico ao mesmo, como a do dia 13 de março. O argumento utilizado é que estaria em curso um golpe da direita, como em 1964, ou ao menos um golpe branco, uma tentativa de impeachment sem bases jurídicas. Nem uma coisa nem outra é verdadeira.

Porém o dirigente do MST, João Pedro Stédile, chegou a dizer, em evento com a presença da presidente, em Eldorado do Sul (RS), que “Dilma é quase Santa”, que o protesto do dia 15 foi uma manifestação de fascistas que querem dar um golpe “contra políticas públicas do Estado para os pobres”, que se escondem atrás de cartazes de “Fora Dilma”. Ele chamou a presidente a ir para as ruas para “derrotar a direita”.

Dilma, no entanto, governa com e para a direita. Fez menos assentamentos de reforma agrária do que o governo FHC (PSDB). No primeiro mandato de Lula, foram assentadas em torno de 220 mil famílias apenas. No segundo mandato de Lula, sequer foi elaborado o terceiro Plano Nacional de Reforma Agrária e, ainda, foram editadas duas Medidas Provisórias que entregaram mais de 67 milhões de hectares de terras públicas da Amazônia para grileiros.

Sob o governo Dilma, o agronegócio está invadindo as reservas indígenas. Sua ministra da Agricultura, Kátia Abreu, é uma liderança do agronegócio. O ajuste fiscal foi proposto por Dilma, que escolheu o ministro Joaquim Levy, um banqueiro, para ministro da Fazenda. O ajuste fiscal que revoltou os trabalhadores é uma política completamente de direita, e o atual governo está empenhado em aprová-lo. Aliás, com o apoio do PSDB, da Globo e do PMDB.

A classe trabalhadora tem obrigação de ficar contra esse governo. Apoiar o governo Dilma é fazer o jogo da direita. Apoiando o governo não se luta de maneira coerente contra o ajuste fiscal. Por isso, fazemos um chamado à CUT e ao MST: rompam com o governo!

A classe trabalhadora pode colocar abaixo as medidas desse ajuste fiscal da Dilma, do PSDB, do Congresso e da Globo. Ao invés de chamar manifestação a favor do governo, vamos juntos construir uma Greve Geral que coloque abaixo as medidas de ataques aos trabalhadores.

Uma Greve Geral jamais fortalecerá a direita. O que fortalece a direita é não enfrentar o governo e sua política contra a classe trabalhadora e os setores populares e, também, contra a classe média que não é, em sua totalidade, reacionária.

Ainda que os companheiros não concordem conosco sobre o governo, se de verdade querem derrotar o ajuste, reiteramos o chamado: independentemente das diferenças políticas, vamos construir uma Greve Geral contra a retirada dos nossos direitos.

Golpe da direita contra Dilma?

Após o protesto do dia 15, militantes do PT e do PCdoB dizem que o governo Dilma enfrenta uma tentativa de golpe da direita. Mas isso não é verdade. Hoje, nem o PSDB, nem a Globo, nem os grandes empresários e banqueiros do país, que apoiaram o dia 15, defendem golpe. Sequer defendem o impeachment.

Não querem dar um golpe porque estão empenhados, ao lado de Dilma, na aprovação do ajuste fiscal. Apoiam as Medidas Provisórias que retiram o seguro desemprego e dificultam o acesso ao PIS. Também defendem o corte de gastos em saúde, educação e moradia feito por Dilma.

O imperialismo norte-americano também não quer derrubar o governo. Longe disso, o presidente dos EUA, Barack Obama, inclusive adiantou a agenda para se encontrar com Dilma em abril. O vice-presidente daquele país ligou renovando o apoio do governo dos EUA a Dilma.

A elite ganhou muito dinheiro com os governos do PT, muito mais do que os trabalhadores e o povo pobre. Agora, querem que os trabalhadores paguem pela crise. Eles não preparam nenhum golpe contra Dilma. O máximo que o PT pode dizer a eles é que são muito mal agradecidos.

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