31 de março de 2015

Requião, homofobia não!!!



Nesta semana, o senador Requião (PMDB/PR) destilou homofobia em um comentário em seu twitter. Segundo ele, "para evitar a extinção da espécie, pelo menos 50% dos homens e mulheres deveriam compor a COTA de casamento hétero”.

Rodrigo Tomazini, educador e dirigente estadual do PSTU.
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Não é a primeira vez que o senador do PMDB faz comentários homofóbicos em seus veículos de comunicação. No final de 2009, enquanto era governador do Paraná, disse que “câncer de mama em homens é conseqüência de passeatas gays”.

Homofobia é coisa séria Requião!

Somente no Brasil, em torno de 15 milhões de pessoas tem comportamento homossexual. Apesar desse número expressivo, a discriminação é intensa. Uma pesquisa recente, realizada com 416 homossexuais do Rio de Janeiro, revelou que 60% dos entrevistados já tinham sido vítimas de alguma agressão e 58,5% já enfrentaram alguma discriminação ou humilhação.

Outra evidência da homofobia é o resultado de uma pesquisa realizada com cinco mil professores do ensino fundamental e médio, no final de maio passado: 59,7% deles declararam ser inadmissível que uma pessoa possa ter experiências homossexuais e 21% disseram não desejar ter um gay ou uma lésbica como vizinhos.

Quanto mais o comportamento homossexual choca-se com o padrão definido como normal, maior é a violência. Entre os transexuais e travestis, 42,3% já sofreram algum tipo de violência. Isso também explica a extrema violência enfrentada por mulheres (particularmente negras) quando assumem seu lesbianismo, fugindo do padrão que lhe reservava o papel de objeto sexual dos homens.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, entre 1963 e 2001, foram registradas, no Brasil, 2.092 mortes, cuja motivação foi a homossexualidade da vítima. Esse número deve ser muito maior, pois, em muitos casos, familiares procuram abafar os crimes e a polícia nada faz para desvendá-los.

Aliás, impunidade é outra marca registrada da homofobia. São raros os casos de prisão e punição dos culpados. Exceções só como no caso de Edson Néris (espancado até a morte, por skinheads, em São Paulo, em 2000), quando a mobilização contribuiu para a prisão e a condenação de vários dos assassinos.

Raízes históricas e práticas cotidianas

Nas raízes da homofobia há um pouco de tudo: a consagração da figura do homem heterossexual como sinônimo do poder, a opressão da mulher, teorias científicas infundadas, o obscurantismo religioso etc.

Durante a Inquisição, dezenas de milhares de gays e lésbicas morreram nas fogueiras. Outros milhares foram presos, perseguidos e deportados.

Práticas semelhantes foram utilizadas pelo nazismo, que encarcerou e matou centenas de milhares de homossexuais nos campos de concentração (onde eram obrigados a utilizar um triângulo rosa na roupa que, hoje, é um dos símbolos do movimento). No nazismo, o argumento era científico, baseado em teorias do século 19, cunhando o termo homossexualismo como doença. Aliás, essa concepção durou até 1985, quando a Organização Mundial da Saúde foi obrigada a retirar a homossexualidade de sua lista de patologias.

Violência mostra urgência da criminalização à homofobia

Uma das avenidas mais conhecidas do país foi palco para cenas de barbárie na manhã do domingo, dia 14 de novembro de 2010. Em plena Avenida Paulista, um grupo de cinco jovens espancou brutalmente quatro pessoas que caminhavam pela calçada.

O grupo atacou primeiro dois jovens que caminhavam, por volta das 6h30, próximo à Estação Brigadeiro do metrô. Um deles conseguiu fugir, mas o outro foi espancado com chutes, socos e pontapés. Testemunhas asseguraram que, durante o espancamento, os agressores desferiam insultos homofóbicos. A vítima foi socorrida e hospitalizada.

Após essa primeira agressão, o grupo atacou ainda outro rapaz na mesma Avenida Paulista, desta vez com bastões de lâmpada fluorescente. Um dos jovens arrebentou o bastão na cabeça da vítima, que também teve de ser hospitalizada. O espancamento só parou com a chegada de seguranças de lojas das redondezas. As testemunhas chamaram a polícia, que deteve os agressores.

Já na delegacia, outra vítima apareceu para prestar queixa contra uma agressão ocorrida na mesma região. Ela reconheceu dois dos cinco agressores, fazendo subir para quatro o número de vítimas do grupo de jovens agressores.

Homofobia e impunidade

Os agressores geralmente são jovens de classe média alta, estudantes de escolas particulares e moradores de região nobre da cidade. Um deles, Jonathan Lauton Domingues, com 19 anos, é o único maior de idade. O restante tem entre 16 e 17 anos. 

Se a agressão em si, de caráter nitidamente homofóbico, já é um escândalo, a liberação dos delinqüentes apenas poucas horas após serem detidos, chega a ser revoltante. Os menores haviam sidos encaminhados à Fundação Casa (antiga FEBEM), mas foram liberados no mesmo dia. O maior de idade havia sido encaminhado à Casa de Detenção, mas liberado no dia seguinte.

A condescendência aos criminosos parece não ter limites. A mãe de um dos adolescentes presos chegou a classificar os espancamentos como uma mera "infantilidade". O advogado de um deles tentou ainda amenizar os ataques à imprensa: "Eles podem não ser vítimas, mas não são algozes assim", teve a coragem de declarar o advogado Orlando Machado Júnior.

A linha de defesa adotada pelo advogado é outro exemplo dantesco de homofobia. Segundo o defensor, os jovens teriam sido "flertados" pelas vítimas na rua, o que teria motivado o início de uma "briga". O argumento, além de inverídico, já que diversas testemunhas confirmam que o que houve foi um ato de agressão gratuito, parte do princípio de que, diante de um "flerte" de um homossexual, a violência é justificada ou minimizada.

Greve geral também para criminalizar a homofobia!

Os espancamentos refletem ainda o caráter de classe da homofobia. Embora ela atinja homossexuais de todas as classes, os mais pobres são os que mais sofrem. E os ricos, como ficou claro com a impunidade aos delinqüentes de classe média alta, ficam livres para atacarem novamente.

As agressões mostraram a urgência da luta pela imediata criminalização da homofobia, que deve ser travada juntamente à batalha por todos os direitos aos LGBT´s, numa perspectiva de classe e socialista, pois não há capitalismo sem homofobia.

Lamentavelmente, nos 12 anos de governo do PT ouve uma capitulação total e completa aos setores fundamentalistas e homofóbicos da base de apoio. E foi exatamente esta cumplicidade com a homofobia que Dilma transformou em acordo espúrio ao retirar o kit anti homofobia, para barrar a chantagem da bancada evangélica e grupos católicos no Congresso Nacional, que ameaçaram convocar Palocci para esclarecer a multiplicação de seu patrimônio, e abrir uma CPI para investigar o Ministério da Educação.

O presidente do Congresso Nacional, Eduardo Cunha do PMDB, mesmo partido de Requião, é um notório homofóbico e machista.

O caminho de alianças com a burguesia para ganhar eleição a qualquer custo, defendido pelo PT e o PCdoB, levaram nossa classe a derrotas, traições e desmoralizações.

Somente os trabalhadores em luta, independente do governo e da oposição de direita, podem levar a cabo esta luta até o final. 


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