23 de fevereiro de 2015

Força Gentil Vieira! Estamos contigo!

Neste dia 24 de Fevereiro, Gentil e outros companheiros, serão julgados em Mangueirinha/PR por lutarem pela Reforma Agrária, contra o latifúndio, multinacionais e bancos, o que chamamos de Agronegócio; por lutarem por uma sociedade mais justa, para que a terra e a riqueza produzida por ela seja distribuída igualitariamente, num modelo de produção que vise o bem estar do povo e não a concentração irracional da riqueza em mão de poucas famílias.

Nosso país é o segundo maior concentrador de terras. Perdemos apenas para o Paraguai. A criminalização segue a todo vapor. Trabalhadores rurais são assassinados pelos latifundiários, que permanecem impunes. Como Gentil muitos lutadores são presos e criminalizados. 

A Comissão Pastoral da Terra informou que, entre os anos de 1985 e 2011, 1.637 trabalhadores rurais foram assassinados no Brasil. Contudo, apenas 91 casos de violência foram julgados. Um verdadeiro show de impunidade.

Atualmente, 70% das terras dedicadas à lavoura estão ocupadas pela soja, cana de açúcar e milho, principais produtos do setor. Quem perde com essa monocultura de exportação são os pequenos agricultores e o país. O agronegócio expulsa os pequenos agricultores do campo. Em muitas regiões, a agricultura familiar e os assentamentos rurais que permanecem acabam se subordinado às regras do agronegócio.

O agronegócio também destrói a natureza numa escala jamais vista. A monocultura já destruiu boa parte do cerrado, e agora investe contra a Amazônia. Além disso, impõe o uso das sementes transgênicas e o uso dos agrotóxicos.

Lamentavelmente Dilma convidou a presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura. Kátia Abreu é a principal representante dos ruralistas, líder da bancada dos latifundiários no Congresso e inimiga confessa do movimento sem-terra e da luta por reforma agrária. Combate as políticas contra o trabalho escravo no campo, assim como é árdua defensora das sementes transgênicas e da Monsanto. Um projeto de sua autoria acaba com a obrigatoriedade da rotulação dos alimentos com sementes geneticamente modificadas.


As inúmeras pérolas proferidas por Kátia Abreu no exercício do seu cargo poderiam preencher um longo compêndio sobre a forma como pensam os latifundiários. Uma delas, contida no documentário "O Veneno está ne Mesa", de Silvio Tendler, afirma que "milhares e milhares de brasileiros ganham salário mínimo, ou nem isso e, portanto, tem que comer alimento com defensivo sim, pois é a única maneira de fazer alimento mais barato".


Ou seja, para a futura ministra da Agricultura, pobre tem que comer agrotóxico. Fazer a reforma agrária, acabar com o latifúndio e beneficiar a agricultura familiar, que é quem garante a produção de alimentos nesse país, na visão de Kátia Abreu, não baratearia os alimentos, mas os agrotóxicos sim.
A nomeação da presidente da CNA para a Agricultura é um balde de gasolina na já explosiva situação do campo brasileiro, em que os sem-terras, pequenos agricultores e indígenas vem sendo assassinados e encurralados pelo avanço do agronegócio. 
__________________________________________________

Infelizmente, não conseguiremos participar da caravana que acompanhará o julgamento no sudoeste do Paraná. Mas ficamos na torcida para que a justiça seja feita e que possamos brindar o mais breve possível com Gentil e demais companheiros, sua merecida liberdade!

Queremos também registrar nossa solidariedade aos familiares e nossa disposição para ajudar no que for possível.

Força Gentil! Estamos contigo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui a sua opinião!

Marcadores