28 de fevereiro de 2015

Nenhuma confiança em Beto Richa (PSDB). A greve tem que continuar!

"Podemos confiar nas promessas de Richa quando há anos levamos calote do mesmo? Não podemos recuar após ter colocado os deputados no camburão e Richa contra a parede! Que o debate sobre a previdência seja feito enquanto estamos em greve, e possamos acompanhar de perto este processo!" (Profª Louise Akemi Sousa, militante do PSTU em Maringá)
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Por Profª Louise Akemi Sousa

Nesse mês os servidores travaram uma luta histórica em nosso estado: impedimos que Richa (PSDB) e seus deputados aliados aprovassem um "pacotaço" de AUSTERIDADE, que atacaria todo o funcionalismo. A reação dos servidores foi categórica: em poucos dias, vários setores do funcionalismo decretam greve para barrar estes planos!

As medidas de austeridade nada mais são que uma forma que os governos encontram para salvar empresários e banqueiros em tempos de crise econômica. Um exemplo simbólico foi o polêmico repasse de 16 trilhões de dólares do governo norte-americano aos mesmo bancos e seguradoras que causaram a crise imobiliária de 2008. Quem pagou pela crise? Os trabalhadores, contribuintes, que ainda tiveram que arcar com a precarização dos serviços e desemprego subseqüentes à crise.


No Paraná, o cenário não é diferente. Apesar de ser noticiado como o estado com a maior receita da federação, a saúde, educação, segurança, transporte e outros serviços estão sucateados. O PSDB já é a muito conhecido como um partido neoliberal, o que significa que vê os serviços básicos para os trabalhadores como mercadoria.

Ao não investir nos serviços básicos, o estado acaba gerando um nicho de mercado privado, fazendo com que as pessoas passem a pagar por serviços que antes eram gratuitos e de qualidade. A escola, universidade, a segurança, o transporte público e a saúde são sucateados, para serem privatizados depois com o argumento de que são ineficientes.

Daí temos que contratar a segurança privada, colocar nossos filhos na escola particular, pagar um plano de saúde e financiar um carro para driblar as péssimas condições dos serviços públicos. Quem não pode pagar, amarga com a má qualidade destes serviços, apesar de trabalhar e pagar seus impostos!

Não aceitando esse processo os servidores entram em greve logo no início de 2015, pois o que era ruim estava ficando pior! Além de todos os problemas específicos de cada setor, o governador Beto Richa (PSDB) ainda queria destruir a carreira do funcionalismo, roubar a previdência dos servidores e privatizá-la!


Richa talvez não contasse com a força e disposição que os servidores unificados poderiam ter. Nas vésperas da aprovação dos pacotes de austeridade, os trabalhadores do estado se mobilizaram em torno da Assembléia Legislativa Paranaense (ALEP) para pressionar os deputados inimigos do povo e aliados de Richa! Mesmo com a pressão de 40 mil pessoas para que as medidas não fossem sancionadas, os deputados teimavam em votá-las. 


Isso mostrou para os trabalhadores que aqueles que prometeram ser a representação da vontade coletiva na verdade defendiam o interesse privado! Enraivecidos, os servidores unidos ocupam a plenária da ALEP e obrigam os deputados a suspender a sessão! Não contentes, os deputados tentariam ainda mais uma vez aprovar as medidas anti-populares.  

Para isso tiveram que entrar no camburão, agredir os trabalhadores, cerrar a cerca da ALEP e se esgueirarem pelo jardim para votar no restaurante! Não puderam fazer pior: encolerizada, a massa ocupa pela segunda vez a ALEP e dobra o executivo e o legislativo, que retiram os projetos! Entre o choro emocionado e palavras de que “o povo unido, jamais será vencido”, a classe trabalhadora experimenta o que é fazer de fato a sua vontade e não ser oprimida por uma minoria demagógica.

Vitória das categorias, que unidas e organizadas, venceram essa batalha e colocaram o governo na parede! Mas a guerra não acabou. Richa agora se rearticula para atacar novamente. Chama a APP-Sindicato, pilar da greve, para negociar em separado das outras categorias do Fórum das Entidades Sindicais (FES). Ele faz o que já tem prática: cede algumas pautas, promete montar comissões, rodadas de debates, e pede para que voltemos a trabalhar!

É estratégia desse governo fracionar nossas categorias para enfraquecer a luta coletiva. Nosso movimento só foi forte e esmagador porque existiu unidade entre vários setores do funcionalismo.  Todos os setores têm suas pautas, pois assim como nós, sofrem ataques constantes desse governo, mas o que nos uniu e o que Richa não abrirá mão é a PREVIDÊNCIA! São R$8 bilhões acumulados em 15 anos de trabalho de nossos companheiros que estão em jogo. Estamos lutando contra a mercantilização e privatização de nosso futuro! E já pagamos caro nessa conta: ficamos sem pagamento, fomos demitidos, cruzamos o estado nos ônibus, respiramos gás lacrimogêneo, nos ferimos com balas de borracha e passamos dias difíceis dentro e fora da plenária, sob sol e chuva. 

“Richa caloteiro” foi nossa palavra de ordem em todo o estado, justamente porque conhecemos o caráter deste governo. Podemos confiar em suas negociações, quando há anos levamos calote do mesmo? Definitivamente não!

Não podemos recuar após ter colocado os deputados no camburão e Richa contra a parede! Precisamos garantir que ele nunca mais vai pôr as mãos em nosso futuro, muito menos privatizá-lo e entregar de bandeja aos especuladores e banqueiros. Que o debate sobre a previdência seja feito enquanto estamos em greve, e podemos acompanhar de perto este processo!

Ele vai nos intimidar, como já está fazendo: entrou com uma liminar para decretar a greve da APP-Sindicato ilegal. Mas justamente porque ele sabe da força que temos.

Nós também sabemos porque nos provamos nos dias 10,11 e 12 desse mês. E podemos mais! Vale lembrar que os educadores do Rio de Janeiro forçaram Sergio Cabral (PMDB) a renunciar em 2013. Como? Com uma arma que já temos: a população do nosso lado.

O Paraná está sendo a vanguarda das lutas no Brasil no início de 2015. Muitas outras categorias estão entrando em greve no nosso estado e no Brasil inteiro. Que governo pode nos parar quando nos unificarmos?

Um coisa é certa. Se há rombo no estado, não devemos ser nós, os trabalhadores, a pagar a conta. 

Vamos pra luta, que o amanhã nos pertence!

Nenhuma esperança neste governo, toda a confiança em nossa categoria!

O povo unido jamais será vencido!

Não aceitaremos nenhum direito a menos!


Quem se interessar pode ler mais sobre os planos de austeridade nos EUA, assunto em: http://www.carosamigos.com.br/index.php/component/content/article/161-outras-noticias/correio-caros-amigos/798-a-crise-da-divida-dos-eua. Acesso em 27/02/2015.

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