26 de janeiro de 2015

Todo apoio a greve dos motoristas e cobradores da grande Curitiba.

Diante da vergonhosa situação do transporte da região metropolitana, defendemos a estatização do sistema de transporte coletivo. Se as empresas precisam tanto do apoio financeiro do estado e município, deixemos os trabalhadores administrarem o sistema, assim, o interesse do lucro acabará e o sistema funcionará...
Estação tudo em Curitiba
PSTU Curitiba - PR
Pela segunda vez em menos de 20 dias os trabalhadores do transporte público, são obrigados a recorrer à greve para receber seus salários. A primeira foi dia 08/01, que acabou se transformando apenas num protesto de 2 horas. Agora sem receber o adiantamento salarial, o vale” e também com o repasse do benefício de assistência à saúde em atraso na maioria das empresas, motoristas e cobradores de Curitiba cruzaram os braços nesta manha de segunda-feira 26. A paralisação pode chegar a 100%.

De acordo com declarações públicas dos representantes da patronal e também relatos dos trabalhadores, as empresas têm interesse na greve e não ofereceram resistência, trata-se de oportunismo desses empresários que querem continuar recebendo subsídio público para alimentar seus lucros. Nós apoiamos apenas a pauta e a luta dos trabalhadores.

No dia 08 de janeiro, escancarou-se o tamanho da crise no transporte público de Curitiba. Os motoristas e cobradores ameaçaram fazer greve devido aos atrasos nos salários. Por sua vez, naquele momento, as empresas alegaram que não pagaram porque não receberam da URBS (que administra o transporte na capital) que, por sua vez, alega que falta repasses da COMEC (que administra o transporte em toda a região metropolitana) e esta transfere a culpa ao governo estadual que não repassa o subsídio referente aos três últimos meses do ano passado, totalizando R$ 16,7 milhões. Afinal, de quem é culpa nesta história? Para nós, o governador Beto Richa, o prefeito Gustavo Fruet e as empresas são os responsáveis pela atual situação, onde os maiores prejudicados são os usuários e os trabalhadores do transporte.

Diante disto, a solução encontrada pela prefeitura foi um repasse emergencial de R$ 3,8 milhões. Este dinheiro público garantiu o pagamento dos salários no início deste mês, mas dia 20/01, muitas empresas não pagaram ou pagaram parcialmente ovaleaos funcionários, com a mesma justificativa.

Enquanto isso, o governo do estado aumentou sua arrecadação, com aumento no IPVA, irá receber 1,6 bilhões a mais a cada ano. A prefeitura, por sua vez, somente com os aumentos do ITBI (imposto sobre transferência de imóveis) de 2,4% para 2,7% e o do IPTU, que pode chegar a 13%, vai garantir mais R$ 51 milhões para 2015, R$ 31 milhões e R$ 20 milhões adicionais ao caixa público, respectivamente.

Antes do aumento da passagem em novembro, quando passou de R$ 2,70 para R$ 2,85, os subsídios (repasses de dinheiro público para empresas de ônibus) estavam em, R$ 4 milhões repassados pela prefeitura e R$ 7,5 milhões pelo governo estadual, essa quantia mensal vinha cobrindo a diferença entre o valor pago na passagem pelos usuários e a tarifa técnica fixada em R$ 3,18.

É importante destacar que, o subsídio não significa investimento público no transporte, ou nos serviços. Esse dinheiro poderia estar sendo usado em outras áreas sociais, como a saúde e a educação, por exemplo. Ora! Se a prefeitura repassa quase R$ 50 milhões por ano para as empresas de transporte, fora o que é arrecadado com os passageiros; se a URBS e a COMEC administram as linhas de ônibus; se quando atraso nos salários é a prefeitura quem paga, qual a responsabilidade e a função das empresas nestes contratos?

A CPI da câmara dos vereadores de Curitiba apontou irregularidades no contrato com as empresas de ônibus e o Tribunal de Contas do Paraná orientou o cancelamento dos contratos.

Algumas perguntas precisam ser respondidas. As empresas não tem dinheiro? Não conseguem empréstimos para pagar as contas? Ou estão brincando com a vida dos trabalhadores para forçar um desgaste político dos governos e assim estenderem o controle do transporte por muitos anos?

Para nós, este modelo de transporte não serve aos trabalhadores, não aos motoristas e cobradores, mas todos nós usuários. No final, quem paga toda a conta é povo, por que além de pagar a passagem diretamente (R$ 2,85), paga também o subsídio que completa os R$ 0,33 em cada passagem referente ao valor da tarifa técnica (R$ 3,18), o pior em tudo isso, é que pagamos por um serviço que deixa muito a desejar. Se as empresas não são capazes de administrar com eficiência o transporte, os trabalhadores são. Por isso, o sistema privado deve acabar, defendemos a expropriação dos empresários do transporte, eles já enriqueceram demais e continuam sedentos pelo lucro. Toda a frota e infra estrutura devem ser controladas e administradas democraticamente pelos trabalhadores, e devem ter o apoio da prefeitura e do governo do estado. Sem o interesse no lucro o transporte vai melhorar e funcionar.

  • Todo apoio a greve dos cobradores e motoristas! Repúdio ao oportunismo patronal!
  • Redução imediata da tarifa de ônibus em Curitiba e região metropolitana! 
  • Passe livre já!
  • Estatização do sistema de transporte coletivo sob controle dos trabalhadores!
  • Auditoria imediata das contas das empresas de transporte de Curitiba e região metropolitana! Os segredos dos lucros dos empresários devem ser revelados ao povo!

Atenção! Pelo contrato vigente, a tarifa técnica deve subir em fevereiro, possivelmente teremos outro aumento na passagem por ai... devemos ficar atentos.

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