20 de novembro de 2014

Herdeiros de Zumbi, Dandara, João Cândido e Luiza Mahin

Claudia Durans, de São Luis (MA) - publicado no site nacional do PSTU em 20/11/2014


Celebrar o “20 de novembro” é mais do que se contrapor à ideia da “liberdade concedida” que foi construída em torno da farsa do “13 de maio”. É, acima de tudo, lembrar o verdadeiro sentido da luta dos nossos ancestrais quilombolas: o combate, através da ação direta, do sistema e da elite que, desde a escravidão, se beneficiam com a opressão racial, a marginalização e a superexploração de negros e negras.

Esta é a lição que nos foi deixada por Zumbi e Dandara que lutaram em defesa da República de Palmares, onde “tudo que era produzido era distribuído de acordo com o trabalho e a necessidade de cada um”, como relatou espião do governador de Pernambuco, em 1694.

Foi isto que nos ensinaram Luiza Mahin e os Malês que em 1830, planejaram a tomada do poder em Salvador para por fim à escravidão e conquistarem condições dignas de vida. E Negro Cosme que, na mesma época, liderou a Balaiada, no Maranhão, sob os gritos de “O Balaio chegou, não tem mais nem sinhô”. Esta, também, é a herança de João Cândido e seus marinheiros que, em 22 de novembro de 1910, voltaram seus canhões contra a sede do governo federal para acabar com o terror das chibatas.

Chega de racismo! Abaixo ao capitalismo!
Passados 126 anos da abolição, esta luta de “raça e classe” continua necessária. Vivemos em um país onde latifundiários, banqueiros e patrões, acobertados pelos governantes, a “justiça” e o Congresso, lucram com o sofrimento imposto, cotidianamente, aos nossos irmãos e irmãs. Lamentavelmente, não faltam exemplos.

Aqui, segundo o IBGE, em 2010, enquanto, a média salarial dos homens brancos era de R$ 1020,00, a dos negros era R$ 539,96. E de uma negra girava em torno R$ 450,00. Este é um país onde as vidas de Claúdia, Douglas, Amarildo e Jean e são descartáveis.

Durante as eleições, o PSTU foi o partido com o maior número de candidaturas de negras e negros e de mulheres e usou o pouco tempo de TV para denunciar todas formas de opressão. Para nós, a luta contra o racismo, o machismo e a homofobia tem que ser travada todos os dias e como dizia Malcolm X, “através de todos os meios necessários”.

Já Dilma (assim como os candidatos dos partidos burgueses) não se cansou de fazer promessas de combate ao racismo e suas nefastas consequências. Contudo, isto é tão falso quanto dizer que, no Brasil, existe uma “democracia racial”.


Só a luta pode mudar a vida de negros e negras
Desde o ano que Lula foi eleito até 2012, o número de jovens negros assassinados só aumentou. Enquanto isso, a taxa de mortalidade infantil de nossos filhos continua cerca de 60% maior do que dos brancos. E 2,6 mulheres afrodescendentes morrem por dia por causas maternas (contra 1,5/dia das brancas).

É por essa e inúmeras outras que na campanha ou nas ruas sempre repetimos que só a luta muda a vida. Só a luta, ao lado trabalhadores, da juventude e dos demais oprimidos e explorados, pode acabar com o sistema que se beneficia com a opressão.

*Foi candidata à vice presidência pelo PSTU

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