13 de outubro de 2014

Posição do PSTU no segundo turno das eleições presidenciais

Zé Maria, presidente nacional do PSTU
Publicado no dia 10 de outubro de 2014

Não podemos fortalecer nenhuma das alternativas que estão disputando o segundo turno. Por esta razão, nossa opinião é que o voto certo no segundo turno é o voto nulo, e que, sim, precisamos fortalecer cada vez mais a organização e a luta dos trabalhadores e da juventude, pois é na luta que reuniremos condições para mudar nosso país.


Diante de um segundo turno disputado por um candidato do PSDB – representante maior dos bancos e das grandes empresas em nosso país – e uma candidatura do PT, nós entendemos as razões que levam ainda muitos trabalhadores a acharem que é melhor votar em Dilma para derrotar Aécio Neves e respeitamos, obviamente, a opinião de todos que pensam assim. Mais do que isso, queremos estar juntos com estes e com todos os trabalhadores nas lutas que teremos pela frente para defender nossos direitos e melhores condições de vida para nosso povo. No entanto, queremos expressar claramente a opinião do nosso partido pelo voto nulo e as razões pelas quais a adotamos.

O PSTU lançou candidatos às eleições para defender um programa operário e socialista para o país. Um programa para garantir o atendimento das demandas necessárias para assegurar vida digna para os trabalhadores e o povo pobre – saúde, educação, moradia, transporte, aposentadoria, reforma agrária, emprego e salário digno para todos. Para assegurar o respeito aos direitos das pessoas LGBT, o fim da discriminação e do machismo contra as mulheres e do racismo contra negros e negras. Que ponha fim à violência e à criminalização da pobreza e das lutas dos trabalhadores e da juventude brasileira. Um programa que, para atingir estes objetivos, faz avançar medidas para colocar fim ao controle que os bancos, as empreiteiras, as multinacionais e as grandes empresas têm sobre nosso país, pois esta é a única forma de acabar com a injustiça e a desigualdade.

O segundo turno das eleições será disputado por duas candidaturas que não defendem este programa. Aécio Neves, do PSDB é o representante direto dos bancos e das grandes empresas que controlam o país. Seu governo seria a expressão clara do retrocesso, da volta de um governo que, como FHC, privatizou, entregou o patrimônio do Brasil às multinacionais e atacou duramente os direitos dos trabalhadores. De governos como o de Geraldo Alckmim, de São Paulo, e de Anastasia, em Minas Gerais, onde a brutalidade e a violência policial é a única resposta às demandas dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude.

A continuidade do governo do PT, com Dilma Rousseff, tampouco vai trazer as mudanças que os trabalhadores e a juventude brasileira querem para terem uma vida melhor. Depois de 12 anos de governo petista, é forçoso reconhecer que este partido tem governado privilegiando os mesmos interesses que o governo anterior. Ao buscar uma aliança com os bancos e grandes empresas para governar (representados pelos Sarney, Collor e Maluf da vida), o PT não mudou nem vai mudar o país.

O Bolsa Família, apresentado como prioridade do governo petista, pois destinado a combater a pobreza, leva do orçamento do país cerca de R$ 24 bilhões ao ano. Já o "Bolsa Banqueiro" – recursos públicos que saem do mesmo orçamento para engordar os lucros dos bancos e especuladores do mercado financeiro – chega a R$ 900 bilhões ao ano. Ou seja, a prioridade, de fato, continua sendo os bancos e não os pobres.

Pelo contrário, com a desaceleração da economia que estamos assistindo – o PIB do país deve crescer menos de 1% este ano –, o que está em preparação, desde já, são mais ataques aos direitos dos trabalhadores. É o aumento do preço da gasolina (e de outros que vêm em cascata toda vez que a gasolina aumenta), aumento da tarifa de luz, continuidade das privatizações (como o recente leilão do Campo de Libra). O que se prepara é mais subsídios para os bancos e grandes empresas, e não medidas que impeçam o crescimento do desemprego.

Vai ser assim num eventual governo do PSDB, mas, infelizmente, pelo que se viu nos últimos 12 anos, também num governo do PT. A experiência do povo brasileiro com os governos do PSDB e também com os governos do PT não dá base para que se tenha ilusão de que o resultado destas eleições mude o país e acabe com as mazelas que afligem nossa vida cotidianamente. Pelo contrário, os trabalhadores e a juventude devem se preparar para a luta em defesa de seus direitos e interesses. É nas lutas que vamos mudar o Brasil para assegurar vida digna para os trabalhadores e para o povo pobre.

O PSTU acredita, como dissemos no primeiro turno, que o voto é um gesto político que fortalece quem o recebe. E, por tudo o que está dito acima, nossa opinião é que não podemos fortalecer nenhuma das alternativas que estão disputando o segundo turno. Por esta razão, nossa opinião é que o voto certo no segundo turno é o voto nulo, e que, sim, precisamos fortalecer cada vez mais a organização e a luta dos trabalhadores e da juventude, pois é na luta que reuniremos condições para mudar nosso país. É esta opinião que levamos aos milhares de trabalhadores e jovens que nos acompanharam na primeira fase das eleições.

Saudações Socialistas!

Zé Maria, presidente nacional do PSTU

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