6 de outubro de 2014

A greve dos bancários e os lucros exorbitantes dos banqueiros

Marcos Vinicius, bancário e militante do PSTU
Eric Gil, economista e militante do PSTU

Dizem que no Brasil existem duas classes de pessoas: os banqueiros e os outros. Bem, isto não é verdade apenas para o Brasil, pois estas instituições dominam a economia de praticamente todas as nações há pelo menos mais de um século, quando o marxista Rudolf Hilferding escreveu “O Capital Financeiro”, pois esta situação já era evidente.

A proposta dada pelo sindicato patronal dos bancos, a FENABAN, para a campanha salarial deste ano – um reajuste agora de 8,5% (no início da greve era de 7,35%) no salário e 9% (neste caso era de 8%) para o piso da categoria – só reafirma que eles estão tão tranquilos neste paraíso, onde o Governo Federal os servem como seu mordomo, que nem se preocupam em propor um aumento tão ridículo para os trabalhadores bancários.

Novos recordes nos lucros
Como já é de costume, os dois maiores bancos privados do país, Itaú e Bradesco, bateram novamente recordes de lucros neste primeiro semestre, lucrando R$ 9,5 bilhões e R$ 7,3 bilhões, respectivamente. Isto em seis meses. No conjunto dos seis maiores bancos do país, o lucro líquido nestes seis primeiros meses foi de R$28,4 bilhões, 14,3% a mais do que no primeiro semestre do ano passado.
São tantos bilhões de reais que fica até difícil de acompanhar. Mas não tem jeito, agora passaremos para a casa dos trilhões.
O total de ativos (as riquezas contábeis destas instituições) em junho deste ano referente às seis maiores instituições bancárias do Brasil atingiu R$5,1 trilhões. Sim, isto quer dizer que é mais do que todos os 203,2 milhões de habitantes brasileiros irão produzir de riqueza em todo o ano de 2014 (a previsão do PIB para 2014 é de 4,98 trilhões de reais).
Sintetizemos este quadro na tabela abaixo feita pelo DIEESE em estudo sobre o desempenho dos bancos no 1º semestre de 2014.

Como pode ser visto na tabela, também é importante observarmos que, inclusive, a quantidade de bancários caiu em 1% em seis meses. Além de sugar o dinheiro da população, a quantidade de trabalhadores bancários cai cada vez mais, principalmente por conta de terceirizações e precarização do trabalho.

Mas como lucrar tanto?
Para termos uma ideia, o equivalente a cerca de 20% do PIB brasileiro é pago em juros (seja por pessoas físicas, pelo governo, por empresas, ou ainda outros) para as instituições financeiras no país todos os anos. Ou seja, apenas o ato de emprestar dinheiro (nada além disto) dá de lucro 1/5 de tudo que é produzido no Brasil. Com taxas de juros tão altas não é de se surpreender.
No entanto, isto também tem uma mãozinha (bem grande, na verdade) do Governo Federal. Os já conhecidos mais de 40% anuais do orçamento federal indo para a chamada bolsa-banqueiro não é caso isolado. O Brasil é o país com a maior taxa básica real de juros do mundo, pagando para os rentistas da dívida pública o maior prêmio dentre todas as economias importantes do globo, segundo a MoneYou.
Em época de eleições esta relação de “camaradagem” se acentua, como podemos ver quando os bancos investem em seus candidatos à Presidência.

Grupo Financeiro
Dilma (PT)
Aécio (PSDB)
Marina (PSB)
BTG Pactual
R$ 8.200.000
R$ 2.150.000
R$ 0
Bradesco
R$ 3.925.000
R$ 3.700.000
R$ 1.000.000
Safra S.A.
R$ 1.650.000
R$ 1.150.000
R$ 1.157.186
Itaú Unibanco
R$ 0
R$ 2.000.000
R$ 2.200.000
Santander
R$ 0
R$ 0
R$ 1.100.000
BMG
R$ 0
R$ 700.000
R$ 0
Total
R$13.775.000
R$ 9.700.000
R$ 5.457.186
Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida
Pelos números, não parece ser tão verdade o que o PT vem querendo dizer, que a candidata dos banqueiros é apenas a Marina Silva ou mesmo o Aécio. Mas quem eles andam mais apostando é, mesmo, na atual presidente. Agora que apenas Dilma e Aécio estão no segundo turno, a discussão de como servir seus patrocinadores será acentuada.

Luta dos bancários
A luta dos bancários por mais do que um reajuste salarial de 8,5% não é apenas justa, mas primordial para que os banqueiros parasitas bilionários parem de sugar o dinheiro dos trabalhadores e precarize ainda mais esta categoria. Os principais bancos, como foi dito, aumentaram em 14,3% os seus lucros líquidos, mas oferecem pouco mais da metade disto como reajuste, mesmo depois de dias de greve nacional.
É preciso endurecer a resistência dos trabalhadores bancários contra esta piada. O PSTU já está apoiando e continuará a apoiar todos os bancários nesta luta.

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