11 de setembro de 2014

Para fazer uma campanha salarial diferente













É necessário um novo rumo, marcado pela independência e autonomia do movimento em relação a partidos, patrões e governos, que apresente uma pauta de reivindicações que mostre ao conjunto dos bancários que realmente vale a pena lutar.

Nelson Gonçalves – Delegado sindical e MNOB/CSP-Conlutas
Marcos Silva – CSP-Conlutas e PSTU

Nas três primeiras rodadas de negociação, os bancos praticamente não apresentaram nenhuma proposta para as reivindicações. Os seis maiores bancos apresentaram lucro líquido de R$ 29,6 bilhões no primeiro semestre de 2014. Eles têm a maior rentabilidade do sistema financeiro mundial, mas fecham postos de trabalho e reduzem a média salarial da categoria com o mecanismo perverso da rotatividade, apesar do aumento da produtividade dos bancários.
No Itaú, cada membro do Conselho de Administração recebeu, em média, R$ 15, 5 milhões em 2013, o que representa 318,5 vezes o que ganhou o bancário do piso salarial. No Santander, cada diretor embolsou, em média, R$ 7,7 milhões no mesmo período, o que significa 158,2 vezes o salário do caixa. E no Bradesco, que pagou, em média, R$ 13 milhões no ano para cada diretor, a diferença para o salário do caixa foi de 270 vezes.
Dessa forma, para ganhar a remuneração mensal de um desses executivos, o caixa do Itaú tem que trabalhar 26,5 anos, o caixa do Santander 13 anos e o do Bradesco 22,5 anos. Essa imensa distância, que separa os ganhos dos altos executivos e os salários dos bancários, atenta contra a justiça social e a dignidade dos trabalhadores.
O sistema financeiro forte constrói uma rede escusa de relações e interferência que corroem todos os poderes políticos, entre eles a mídia e os governos. Neste ponto, os dois governos PSDB e PT pouco se diferem, ambos mantiveram intocados as benesses das grandes oligarquias industriais, rurais e financeiras. O pagamento da dívida pública continua consumindo mais de 42% de todo orçamento federal em detrimento de gastos nas áreas da saúde e educação. Os lucros das instituições financeiras foram absurdos nos dois governos, ambos não tocaram na injusta distribuição de terra, de renda e de poder que permeia a nossa sociedade. As instituições financeiras continuam a controlar o espectro das decisões econômicas.
Que um governo dito de esquerda no poder há 12 anos não tenha quebrado o processo de transformação em um paraíso de rentabilidade para o sistema financeiro, com suas taxas de juros abusivas , é algo que só pode provocar indignação. Que tais lucros estratosféricos se mantenham em plena retração da economia é apenas um sintoma de onde estão aqueles que realmente controlam as decisões deste país.
Não podemos aceitar que a Contraf faça de nossa campanha um circo de apoio ao governo Dilma e um palanque para seus ministros, deputados e sindicalistas que desmontam nossas greves. A CUT se transformou numa agência do governo federal e a Contraf é sua versão esvaziada em bancários, nem organiza a base, nem reforça as nossas campanhas salariais. A Contraf CUT raciocina há tempos com o ponto de vista da classe patronal e não têm mais qualquer relação com o cotidiano dos trabalhadores que deveriam representar.
Desde 2003, nós bancários fazemos  greve todos os anos, mas todas as campanhas salariais têm terminado com acordos rebaixados e com as assembleias cheias de gestores do BB e da CEF, que com a direção da maioria dos sindicatos e orientação do comando nacional votam pelo fim da greve. O campo majoritário do movimento sindical tem se mostrado cada vez mais preocupado em defender os interesses do governo do que em lutar pelos direitos dos trabalhadores.
Nossa categoria precisa de um Novo Rumo
Um Novo Rumo que seja marcado pela independência e autonomia do movimento em relação a partidos, patrões e governos. Que apresente uma pauta de reivindicações que mostre ao conjunto dos bancários que realmente vale a pena lutar. Que não aceite acordos rebaixados, com itens que prejudicam todos os grevistas, como a questão da reposição das horas de greve
Este novo rumo do movimento sindical terá que ter como uma das principais bandeiras a democracia e sua vinculação com a base do movimento. Nesse sentido é necessário ter um comando nacional da categoria que tenha uma composição democrática, no qual estejam presentes as diferentes posições do movimento sindical. São estes os princípios que unificam diversos grupos que têm atuação no movimento sindical bancário por todo o país, mas também colegas independentes, que sentem a necessidade urgente da construção de algo novo. 
Fazemos um chamado para ampliar ainda mais esta unidade. A todos aqueles que estão dispostos a lutar ao lado dos bancários e reverter o curso atualmente imposto pela maioria da direção da CONTRAF/CUT, chamamos a fazer parte da construção deste movimento por um Novo Rumo. Um movimento de oposição bancária sindical independente de governos e patrões! 
Publicado originalmente em:
http://opiniaobancaria.blogspot.com.br/2014/09/para-fazer-uma-campanha-salarial.html?spref=fb&m=1

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui a sua opinião!

Marcadores