22 de setembro de 2014

Não tem arrego! Trabalhadores da saúde novamente na luta!



por Helena Silva, trabalhadora da saúde
por Bruna Ornellas, estudante de Psicologia

Mais uma vez estamos em um momento eleitoral, onde a maioria dos candidatos promete aos trabalhadores dar prioridade à saúde, educação, transporte público e moradia. E na prática? 


O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, se elegeu nas últimas eleições em uma coligação formada por PDT, PT e PCdoB, tendo como sua principal proposta a melhoria no sistema de saúde no município e a valorização dos servidores da saúde.
Trabalhadores da saúde em luta!

Após dois anos, os trabalhadores da saúde já conseguem tirar algumas conclusões: o que vemos é o aprofundamento dos problemas com aumento da precarização do trabalho e um avanço galopante da privatização da saúde através da FEAES (Fundação Estatal de Atenção à Saúde). Tudo isso tem prejudicado a população, que chega a passar muitas horas esperando atendimento nas Unidades 24 horas, por exemplo. Até os CAPS – Centros de Atenção Psicossocial – estão pouco a pouco passando para as mãos da fundação.

A adesão à FEAES é uma privatização progressiva e disfarçada, pois, retira da Prefeitura a administração direta do serviço público de saúde e repassa a uma Fundação as responsabilidades sobre sua gestão, com uma lógica absurda de atender mais demandas com menos recursos. Para ilustrar esta situação, observamos que, desde a criação da Fundação, em 2012, não houve mais concursos públicos com vínculo estatutário para a saúde no município.
Neste sábado (20/09) os trabalhadores da saúde municipal saíram às ruas denunciando os cortes salariais propostos por Fruet, o aumento da sobrecarga no trabalho e a falta de servidores contratados via concurso público estatutário para atender a demanda da população carente, que utiliza esse serviço no município.

Com essa postura, fica claro de que lado o prefeito está. Sua prioridade foi destinar rios de dinheiro para a construção da Arena da Baixada, em conjunto com o governo estadual de Beto Richa (PSDB), favorecendo os empresários da construção civil. Agora, Fruet e seus aliados, querem botar a conta do endividamento do município no bolso dos trabalhadores, propondo corte de salários e retirada de direitos. Até mesmo as horas extras, que tem sido a forma de compensar o déficit de funcionários na saúde, estão sendo cortadas e algumas sequer estão sendo pagas!

Contra as promessas não cumpridas, trabalhadores/as lutam!
Os trabalhadores em ato público foram às ruas vestidos de roxo, e não de branco, como é de tradição da categoria. Foi uma forma de demonstrar sua indignação frente a essa realidade e de gritar bem alto que estavam contra o arrocho e “roxos de raiva”. O prefeito propôs retirar um adicional de gratificação de aproximadamente 2000 servidores e repartir esse dinheiro entre 5000 trabalhadores. O clima é de insatisfação e revolta diante de tantas promessas não cumpridas. Além disso, os servidores não querem aumento no seu próprio salário às custas da retirada dos outros, com isso, demonstram muita unidade entre a classe e disposição para ir à luta!

Felizmente não são apenas os trabalhadores municipais estatutários que estão se colocando em luta. No primeiro semestre deste ano, os profissionais da saúde do setor privado fizeram greve por melhores condições de salário e trabalho, com destaque para mobilização no Hospital do Idoso, que atende 100% SUS. Os servidores estaduais entraram em greve por reajuste salarial e pelas 30 horas. Os trabalhadores federais também estavam em greve por melhores condições de trabalho e em uma luta heroica contra a privatização do Hospital de Clínicas da UFPR através da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.


Como vemos, nossa luta tem as mesmas reivindicações. É preciso que ela se unifique na prática para fortalecer uma concepção combativa, classista, de luta em defesa da saúde pública e do SUS!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui a sua opinião!

Marcadores