8 de setembro de 2014

Dezoito anos de muitas lutas, de muito orgulho, de muito carinho construindo a ferramenta para mudarmos nossas vidas.

Carta de um companheiro operário
Amigos, há dezoito anos atrás, no dia 06 de Setembro de 1996, em uma sala de um grêmio estudantil de uma instituição de ensino, era votada a minha militância em nossa organização após um ponto em que era avaliado o meu período de experiência e aprendizado com nossa política e prática na sociedade.

De lá para cá, tive a oportunidade de participar da história de nosso país como um protagonista anônimo; um desses tantos que passam e ajudam com seu pouquinho a construir a linda história da luta de nossa classe pela sua emancipação, por sua revolução.
Vi, nesse partido, nessas quase duas décadas, tanques de guerra entrarem refinarias adentro para reprimir uma greve nacional de trabalhadores do petróleo, um dirigente político, até então da classe operária, dar razão e trair a nossa classe, vi nesse partido enormes demonstrações de força das pessoas como a enorme marcha nacional do MST em 1997, lutei com nossos companheiros por ajuda humanitária ao povo da Bósnia, Kosovo, Monte-Negro. Como membro de nossa organização, ajudei sendo mais um a legalizar a nossa organização no Brasil, pude participar da preparação para que houvesse uma enorme marcha à Brasília em 1999, que ficou conhecida como a segunda marcha dos cem mil no Brasil.
Pude, dentro dessa organização, vivenciar processos revolucionários na Argentina, Equador, Bolívia mesmo sem estar fisicamente presente e colaborar com a construção de nossa política lá. Ombro a ombro, aprendi como respeitar e estar ao lado dos povos oprimidos como Bósnios, Chechenos, Curdos, Druzos, Árabes, Palestinos, Libaneses, Africanos, Haitianos em sua luta étnica e contra a opressão cultural e humanitária.  Assisti desde nossa organização os acontecimentos de setembro de 2001 que iriam então mudar a organização política de nosso mundo até os dias de hoje.
Aprendi dentro desse partido a respeitar e entender as diferenças que temos entre brancos e negros, entre homens e mulheres, entre héteros e homossexuais, entre povos tradicionais e urbanos. Aprendi a amar o próximo de uma maneira que nunca, jamais, nenhum crédulo terá a capacidade de amar, de me solidarizar como nenhum assistencialista jamais conseguirá, a respeitar e amar minhas paixões como nenhum amante romântico jamais poderá imaginar.
Por nossa organização já dirigi e fui dirigido, já acertei e errei muitas vezes, já briguei e reconstruí relações, já fui desmontado e me reconstruí, já fui parte e síntese e é por isso que depois de dezoito anos completos em nossa organização (agora que já completou rsrs, uma vez que já é 00:18hs do dia 07 de Setembro de 2014) que eu posso lhes dizer, ou escrever, não sem muita emoção e algumas lágrimas quentes aos olhos que valeu gente!
Valeu mesmo muito a pena cada instante de sacrifício, valeu mesmo cada dia que passei em dúvida se havia feito as melhores escolhas, se nessa ou naquela reunião tinha dito a coisa certa ou havia sido correto me calar, pois nem sempre o melhor é falar mesmo, não é?
Nessa organização eu deixei de ser um menino e me tornei um homem em seu mais belo sentido da existência. Um homem que não se permite deixar as injustiças da vida se tornarem paisagem morta para olharmos, uma pessoa melhor sim, muito melhor do que jamais poderia ter sido se não houvesse, naquele 06 de setembro, dito sim à pergunta dos companheiros que eram meus então dirigentes.
Escrevo para partilhar com vocês minha alegria, minha felicidade e para dizer que tinha de agradecer por todos esses anos por nosso coletivo ter me tornado melhor como indivíduo. Nossa força é sermos juntos muito mais do que separados.
Para terminar, agora me vem à mente alguns conselhos de um senhor de 18 anos de organização e vários cabelos brancos.
Não se preocupem tanto com as respostas em sua militância, pois a essas, chegaremos em conjunto, porém, sempre esteja certo de quais são nossas perguntas pois é a profundidade dessas que nos darão a medida de nossas respostas;
A natureza sabiamente nos dotou de dois ouvidos e uma só boca e não foi à toa. É para ouvirmos muito mais do que falamos;
Não cacem rinocerontes negros, pois um dia eles serão apenas uma lembrança na cabeça de alguns;
E não importa se não gostem, sempre usem protetor solar. Podem ter certeza absoluta de que sem ele nossa saúde irá para o beleléu.

Muito obrigado e um beijo no coração de cada um de vocês.

Um comentário:

  1. Que bonito, velho Urso. abs de um caipira.

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