4 de setembro de 2014

Carta aberta ao Partido Comunista Brasileiro no Paraná

Debate dos candidatos da esquerda organizado pela CSP Conlutas
Direção Estadual do PSTU - PR
Através desta carta, pedimos publicamente, o apoio do Partido Comunista Brasileiro à candidatura de Rodrigo Tomazini ao Governo do estado, e de Evandro Castagna ao Senado. Vamos expor o nosso ponto de vista que, ao nosso modo de ver, fundamenta tal pedido de apoio.

O PCB, legitimamente, optou por não lançar candidaturas ao Governo e ao Senado no estado do Paraná nessas eleições. Também legitimamente, decidiu por não compor com nenhum partido de esquerda no estado.

Sabemos que as eleições, nesta democracia burguesa, não mudarão a vida dos trabalhadores, somente uma revolução socialista encabeçada pela classe operária e o conjunto do proletariado, unido a maioria dos explorados e oprimidos, poderá abrir caminho a sociedade sem classes que tanto almejamos. Nesta nova sociedade, a economia e a política, serão organizadas em base a democracia operária, que é oposta a esta democracia dos ricos na qual vivemos, na democracia de hoje quem manda são os banqueiros, os industriais e os latifundiários.

Em âmbito nacional, o PCB lançou a candidatura do companheiro Mauro Iasi para presidente, através dela estão mostrando o programa político do vosso partido. Nós lançamos Zé Maria como candidato a presidente, para divulgar o programa socialista do PSTU. Para vocês e para nós, nem Dilma (PT/PMDB), nem Aécio (PSDB/DEM), nem Marina (PSB/Rede) e nem pastor Everaldo (PSC), são alternativas para a classe trabalhadora. Ao contrário, não importa quem deles ganhe as eleições, teremos um governo que atenderá aos interesses dos capitalistas.

Em âmbito estadual, assistimos a polarização entre Beto (PSDB), Requião (PMDB) e Gleisi (PT), e sabemos, nenhuma dessas candidaturas representa os trabalhadores nessas eleições. Todas as três irão governar para o agronegócio e o grande empresariado.

Em nosso estado, temos duas candidaturas no campo da esquerda ao governo e duas ao senado, são do PSTU e do PSOL. Opinamos que esses dois partidos são bastante distintos do ponto de vista estratégico e programático. O primeiro, é um partido de estratégia revolucionária, que tem como horizonte a mobilização das massas para a tomada do poder, a destruição do capitalismo e a destruição do Estado Burguês, não semeia ilusões de que qualquer setor da burguesia possa cumprir papel progressivo a favor da classe trabalhadora, e por esse motivo, adota um programa que não separa o programa mínimo (reformas e demandas democráticas) do programa máximo (tomada do poder pelo proletariado). O segundo, é um partido reformista que está à esquerda dos governos federal e estadual, que tem como horizonte a luta por reformas nos marcos do sistema capitalista e da democracia burguesa, é por isso que raramente vemos o conceito marxista de classes sociais em suas formulações nessas eleições, é bastante comum ouvirmos “governaremos para a maioria do povo” ou “para a maioria da população” ou ainda “vamos mudar a política e lutar por uma democracia real”, no entanto, não ouvirmos a palavra de ordem “governaremos para os trabalhadores”. O mais grave, é que este partido apresenta como horizonte programático nessas eleições a “radicalização da democracia” como saída, ou seja, alimenta a ilusão de que é possível termos mais democracia nos marcos do sistema capitalista, do estado burguês e da democracia burguesa. Por trás destas elaborações do PSOL, está a pressão de adaptação à democracia burguesa, também a pressão por se aliar a outros partidos (burgueses) que não são parte dos governos atuais, para poder eleger mais parlamentares, mais prefeitos e, quem sabe, mais governadores. Já vimos onde esse programa levou com o PT.

Nossa estratégia é oposta ao reformismo. Para nós, a eleição de parlamentares revolucionários é importante para ampliar a influência socialista sobre as massas exploradas, mas somente se acontecerem em base à campanhas revolucionárias, que não escondam os reais propósitos das organizações marxistas. Se os trabalhadores elegerem um parlamentar revolucionário, que o façam tendo claro qual é o programa que ele defende. Mesmo elegendo deputados, diremos que esse parlamento e essa democracia burguesa não resolverão a vida dos trabalhadores e demais explorados e oprimidos na sociedade capitalista, denunciaremos sem piedade o caráter reacionário das instituições democrático burguesas.

Precisamos fortalecer as alternativas revolucionárias, não basta fortalecer o que hoje está à esquerda dos governos burgueses. Por este motivo, solicitamos o apoio do Partidão (PCB) às candidaturas do PSTU ao Governo e ao Senado no Paraná. Da nossa parte, sinalizamos o compromisso de manter esta unidade, sempre que possível, no terreno das lutas cotidianas da nossa classe no próximo período.

Saudações revolucionárias e marxistas,

Direção Estadual do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

Curitiba, 30 de agosto de 2014

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