9 de agosto de 2014

A direção do sindicato da construção civil de Curitiba está ao lado de quem?

Núcleo de operários do PSTU - Curitiba
Quem constrói e produz? É a classe operária.
Os últimos anos tem sido muito lucrativos para as empreiteiras, o tal “boom” imobiliário beneficiou muito mais os empresários da construção civil, do que quem constrói ou precisa de casa. O governo federal do PT garante os lucros absurdos para as empreiteiras, através dos incentivos e empréstimos, também com obras públicas para realização da copa do mundo FIFA.

O programa MINHA CASA MINHA VIDA por exemplo, é financiado através do dinheiro do FGTS de nós trabalhadores, o qual a CAIXA ECONÔMICA administra. Aproximadamente 2,7 milhões de famílias conseguiram financiar sua casa, é verdade que este programa beneficiou muita gente, ou melhor muitas empreiteiras, que conseguem empréstimos a juros baixíssimos do BNDS para compra de terrenos e de máquinas, e vendem os imóveis na planta recebendo o pagamento diretamente da CAIXA, ou seja sem risco algum, é como se eles vendessem para a CAIXA antes mesmo de começar a construir e o banco vende o imóvel.

Muitos brasileiros agora tem casa “própria” (ou em sociedade com o banco), mas este não é um programa habitacional, pois quem tem 20% ou 10% do imóvel para dar de entrada? Com um salário mínimo, quanto que se consegue financiar? Este é um programa para alavancar a especulação imobiliária isto sim, e movimentar o mercado de fundos imobiliários, que nada mais é do que a especulação na BOLSA DE VALORES, em cima do valor dos imóveis.

Em Curitiba não é diferente, os grandes grupos como THÁ e MALUCELLI, lucraram como nunca neste ano, neste cenário favorável a construção civil, o lógico seria que os operários do setor tivessem também o maior aumento dos últimos anos, nem tão lógico assim para os empresários e para o sindicato. O sindicato da construção civil de Curitiba e região metropolitana, que representa uma das maiores concentrações de operários do setor no pais, simplesmente “empurrou com a barriga” a campanha salarial.

Desde maio (antes da copa do mundo) a proposta de aumento dos patrões era a mesma, de 6%. O sindicato simplesmente não passou nos canteiros de obra para construir uma grande assembleia geral para discutir a campanha salarial, que não significa somente salários, pois é o momento onde se discute todos os direitos, como café da manhã, almoço, se as condições de trabalho são dignas ou não, etc. Os principais interessados na discussão não foram ouvidos, nem se quer foram chamados para a conversa. A primeira assembleia geral foi marcada para julho, mas não houve um chamado sério em toda a base para que os operários comparecessem, e depois de três assembleias vazias a direção do sindicato conseguiu acabar com qualquer ameaça de greve, dizendo que a proposta de aumento era de 8,5% fechando assim a campanha salarial, isso é o que a direção do sindicato disse na assembleia, mas na verdade foram apenas 6% de aumento no salário e um reajuste no vale compras. A direção do sindicato faz os cálculos somando os dois aumentos, no entanto, vale mercado não é incorporado na hora extra, nas férias e no 13º salário.

Por que então somar salário com vale alimentação? Por que a direção do sindicato não chamou uma grande assembleia geral, passando nos canteiros de obra e explicando as propostas? Por que não discutiu nenhuma outra reivindicação dos trabalhadores? Por que a campanha fechou nos mesmos 6% (abaixo da inflação) de maio?

Nós do PSTU não acreditamos que com campanhas salariais iremos mudar o mundo, mas com certeza essas lutas melhoram, um pouco que seja, a vida das famílias dos trabalhadores. Mas nós somos totalmente contrários a postura da direção do sindicato, e defendemos o direito a democracia operária, que os trabalhadores tenham o direito de discutir e de decidir os rumos de suas lutas. Ao não convocar amplamente a assembleia na base, a direção fez uma manobra, tirou da maioria da base o direito de votar pela greve, por que essa era a vontade nos canteiros de obras.

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