25 de agosto de 2014

Internacional: explode revolta contra a violência racista nos Estados Unidos

Autópsia independente do corpo de jovem negro assassinado pela polícia indica execução

O assassinato do jovem negro Michael Brown no último dia 9 de agosto pela polícia desatou uma onda de revolta na cidade de Ferguson, estado do Missouri, nos Estados Unidos. Segundo testemunhas, incluindo o amigo de Brown que estava com ele no momento do assassinato, os dois andavam pela rua no subúrbio da cidade por volta do meia dia quando foram advertidos por um policial para andarem pela calçada. Ao os dois jovens terem se recusado a obedecer, a polícia simplesmente disparou, matando o Michael Brown na hora. Ele tinha apenas 18 anos.
O assassinato gerou uma forte indignação e uma série de protestos na cidade, onde quase 70% da população é negra, mas as autoridades quase todas brancas. Para ser uma ideia, apenas três dos 53 policiais da cidade são negros. A taxa de desemprego de jovens negros (entre 16 e 24 anos) é de 47%, enquanto que nos jovens brancos é de 16%.
As manifestações foram duramente reprimidas e a cidade de apenas 21 mil habitantes praticamente militarizada, com direito a toque de recolher. Mas os protestos não terminaram e estão se espalhando pelo país. Centenas de estudantes negros da Universidade Howard, em Washington, fizeram um protesto e se fotografaram com as mãos para o alto. 
O gesto, simulando uma rendição à polícia, se transformou num símbolo de protesto contra o assassinato de jovens negros. Nesse dia 18, o governador do Missouri, Jay Nixon, convocou a Guarda Nacional para reprimir a onda de revolta em Ferguson. Os protestos, porém, não só não arrefecem como aumentam ainda mais e se radicalizam.
Execução

Nesta segunda também foram divulgados os resultados preliminares da autópsia exigida pela família de Michael Brown, diante da falta de detalhes do exame oficial. A perícia apenas informara que o jovem "morreu por disparos". De acordo com esse segundo exame, Brown foi atingido por seis disparos. Quatro no braço direito e dois na cabeça. Segundo os legistas, o mais provável é que os tiros na cabeça tenham sido dados por último. Tudo indica se tratar de uma execução, ao contrário da versão da polícia de que o jovem teria agredido o policial antes de ser baleado.

O crime racista lembra o assassinato do adolescente negro Trayvon Martin, em 2012, morto a tiros por um vigilante de um condomínio na Flórida. O caso gerou uma série de manifestações na época, mas o assassino foi absolvido pela Justiça.
Esses assassinatos e a onda de protestos mostram como o país governado por Obama continua um país racista, em que jovens negros dos subúrbios são vistos como criminosos em potencial e alvos da polícia. Uma realidade, infelizmente, similar à do Brasil, em que a juventude negra das periferias é vítima de um verdadeiro genocídio perpetrado pela polícia.

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