4 de agosto de 2014

Contra as demissões na indústria paranaense: Um programa operário para a crise econômica


Núcleo operário-PSTU Curitiba

Nas últimas semanas, os trabalhadores de diversas empresas do setor metalúrgico na região da grande Curitiba tiveram péssimas notícias. Em algumas indústrias elas foram piores que a derrota da seleção brasileira por 7 a 1 da Alemanha.   
Diversas empresas estão colocando a conta da crise econômica nas costas dos operários, as demissões nas fábricas afetam centenas de famílias de trabalhadores dessas empresas. Ao mesmo tempo, o terceiro turno na Renault foi encerrado, enquanto os trabalhadores da madrugada da Volks estão em Lay-off até outubro.

A solução apresentada por algumas indústrias, tem sido o Lay-off e o PDV (Plano de Demissão Voluntária). É preciso dizer que elas não são justas como dizem as empresas. Elas lucram muito todos os anos, acumulam verdadeiras fortunas, e quando a produção diminui, jogam a conta da crise sobre os trabalhadores. Os gastos com o Lay-off é dividido entre o governo, as empresas e os trabalhadores, isso ocorre porque os patrões não querem reduzir os seus gigantescos lucros.

O PDV, muitas vezes é atrativo, mas é na prática uma espécie de última alternativa, ou aceita as condições do PDV, ou correrá o risco de ir para rua sem as garantias prometidas. Tudo está errado, o correto seria reduzir os lucros das empresas para garantir os empregos na indústria, ao mesmo tempo, o dinheiro público destinado ao Lay-off deveria ser poupado para ser investido nas áreas sociais, esse recurso público não pode ser usado para salvar os lucros das empresas, elas é quem devem aceitar reduzir seus lucros.

Os operários sofrem com o desemprego, as condições de trabalho só pioram a cada dia, os reajustes salariais não repõem a inflação nem a perda do poder de compra. A perda contínua de direitos, como ocorreu com a previdência, e a entrada de regimes diferenciados de contratação aumentam o subemprego dentro das empresas públicas e privadas. Enquanto algumas das grandes empresas anunciam investimentos de R$ 1,5 bilhões no estado, os governos nas esferas federal, estadual e municipal abrem mão de uma enorme quantia de impostos, as multinacionais são isentas de encargos como o ICMS, por exemplo.

Mas qual é o retorno social que essas indústrias trazem diante dos presentes que ganham dos governos que administram o estado? A política das multinacionais no Brasil é sempre igual: mais crise para os trabalhadores, mais ataques nos direitos, mais flexibilização nas leis trabalhistas, piora nas condições de trabalho, mais demissões.

Os trabalhadores das montadoras do ABC vivem a mesma situação. Na verdade, boa parte das empresas ligadas a elas naquela região pune os seus empregados devido à crise, são milhares de demissões, e aos que permanecem empregados, resta o aumento absurdo do ritmo de trabalho, uma vez que a produção está sendo realizada em tempo menor por um número menor de trabalhadores.

Enquanto vemos empregos sumirem, os impostos que incidem diretamente sobre a classe trabalhadora aumentam em proporção diretamente oposta. Um exemplo é o criminoso aumento de 25% na tarifa de energia elétrica, que virou motivo de guerra entre Richa e Dilma nas últimas semanas, além de outros problemas que enfrentamos, um exemplo é o aumento do custo da cesta básica. Ela aumentou aproximadamente de 16% nas regiões metropolitanas, em relação a 2013, segundo o Dieese (Departamento intersindical de estatística e estudos socioeconômicos).

Os reajustes salariais que são dados em todo país, não compensam esse aumento no custo de vida. Apesar do discurso de “aumento real”, muito usado hoje em dia pela maioria das direções políticas e sindicais da classe trabalhadora em nosso país, os únicos que tiveram aumentos reais nos seus salários, foram os políticos e congressistas, a média do reajuste deles foi escandalosa, pra não dizer imoral e criminosa.

Como vemos os trabalhadores perdem em quase tudo neste jogo. Até mesmo quando o aumento dos impostos atinge as grandes empresas, elas logo repassam tudo isso ao consumidor com o aumento das suas mercadorias. Vale lembrar que todo o lucro das montadoras e multinacionais instaladas no país é enviado para as matrizes nos seus países de origem, ou seja, essa riqueza não fica em nosso país.

Nesse cenário, o que dizem as direções sindicais dos trabalhadores e os patrões no Paraná? Até o presente momento, não existe movimentação efetiva das direções sindicais para frear os ataques promovidos pela patronal (empresários) no Paraná. Uma forte paralisação unificada de toda categoria seria uma sinalização de que os trabalhadores não aceitarão as demissões.

Os PDV’s (Plano de Demissões Voluntárias) e as demissões já estão ocorrendo. Isso mostra que os patrões estão mais preocupados com as suas alianças eleitorais e os bastidores do poder. Isso é o que lhes garantirá maior ou menor trânsito dentro dos gabinetes a partir de 2015. Eles não estão preocupados com a situação difícil em que vivem os trabalhadores no estado e no país.

A COPA terminou e o povo trabalhador perdeu junto com a seleção. Pagamos um preço altíssimo, os governos usam o nosso dinheiro público para financiar os lucros dos grandes especuladores e das multinacionais instaladas no país. Não suportamos mais a conta dessa crise, ela recai apenas nos ombros da juventude e do povo pobre e trabalhador. É preciso uma onda de mobilizações já, que transforme as demissões em um escândalo que atinja diretamente a imagem dessas empresas e dos governos que estão ao lado delas!

É preciso redução imediata da jornada de trabalho sem redução de salários para aumentar o numero de postos de trabalho e melhorar as condições dos mesmos. As demissões geram desemprego, enquanto o que precisamos é de gente trabalhando.

É preciso reajuste real dos salários, há anos estamos sofrendo com índices que não repõem de fato as perdas inflacionárias dos anos anteriores.

É preciso congelar os preços, as tarifas e os impostos que afetam a classe trabalhadora dia a dia. Ao mesmo tempo, os governos devem aumentar os impostos sobre as grandes fortunas e megaempresas e revertê-los para melhorar os serviços públicos no país. Proibir as multinacionais de enviar as remessas de lucros para suas matrizes no exterior, essa riqueza deve ser investida aqui. 

A conta da crise e da COPA deve ser paga por quem lucra com exploração dos trabalhadores e enriquece com o dinheiro do estado.

- Redução da jornada de trabalho para 36 horas já, sem redução de salários!
- Congelamento de tarifas e preços!
- Aumento automático dos salários conforme aumento da inflação! Essa medida ajudará proteger o poder de compra dos trabalhadores!
- Lay-off e PDV não é a solução para os operários!
- Os ricos devem pagar pela crise! Não aceitaremos ataques aos trabalhadores!

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