27 de junho de 2014

Viva a catraca livre! Viva a luta dos trabalhadores do transporte coletivo!

Quinta-feira, os ônibus de Curitiba e Região circularam sem cobradores! Os trabalhadores deram um recado bem claro à patronal e ao poder público: se não atenderem as suas reivindicações, vai ter catraca livre!



A greve continua hoje, sexta-feira. Porém, mesmo com a disposição dos trabalhadores em circular novamente com a catraca livre, os patrões impediram a saída dos ônibus das garagens. É bom que fique claro que os responsáveis pela falta de ônibus são os empresários, a URBS, a COMEC e a prefeitura de Curitiba. Eles são os verdadeiros responsáveis por todo e qualquer transtorno causado à população da capital e da região metropolitana!
Em março deste ano, os trabalhadores do transporte protagonizaram uma importante greve de três dias, recebendo da patronal e do poder público a promessa de que suas reivindicações seriam atendidas, sem reajuste na tarifa e sem desconto da folha de pagamento dos manifestantes.
Passados mais de três meses, os donos das empresas de ônibus, a URBS, a COMEC e a prefeitura de Curitiba seguem enrolando os trabalhadores. Neste período, a “tarifa técnica” foi reajustada, os grevistas tiveram descontos dos dias parados e grande parte do acordo não foi cumprido. Todos estes fatores geraram uma revolta na base da categoria que passou a pressionar o Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e RMC) pela greve.
Na noite de quarta-feira, após mais uma rodada de negociações, desta vez no Tribunal Regional do Trabalho, não houve nenhuma sinalização da patronal e do poder público acerca das reivindicações. O sindicato, que é filiado à Força Sindical, acuado pela base da categoria, não teve outra alternativa a não ser pela deflagração da greve de cobradores, com liberação das catracas.
As principais reivindicações dos trabalhadores giram em torno às condições de trabalho, que são degradantes. Os trabalhadores exigem a instalação de banheiros químicos nas estações-tubo, além de medidas contra os castigos de dias muito quentes (nos tubos há registros de temperaturas acima 50ºC em dias quentes) e de dias muito frios (os tubos canalizam os ventos, fazendo com que a sensação térmica em seu interior fique abaixo de 0ºC em dias frios).
Os pedidos são muito simples: nos dias quentes, os trabalhadores querem poder trabalhar de bermuda e, nos dias frios, bem agasalhados, “confortos” que os uniformes disponibilizados pelas empresas não garantem.
Outra importante luta dos trabalhadores é contra a nefasta cobrança das empresas que obrigam os trabalhadores a cobrir as despesas em casos de assaltos que ocorrem nos ônibus e nos tubos. Além de todo o drama social que envolve esta situação, os trabalhadores são penalizados duplamente, uma vez que são obrigados a pagar por algo que não lhes diz respeito.
Como não poderia deixar de ser, a URBS e a patronal não pouparam esforços para desmobilizar e declarar a suposta ilegalidade da greve. Por sua vez, a Prefeitura de Curitiba, em sua página no Facebook, emitiu uma série de declarações ultrajantes, demonstrando que está ao lado da patronal. A título de exemplo, em uma de suas publicações, a Prefeitura declarou que o “prejuízo da catraca livre equivale ao preço de construção de uma creche”. Curiosamente, nos dias anteriores não houve catraca livre, entretanto, não encontramos registros de que uma creche tenha sido construída por dia. Aliás, a falta de vagas nas creches é um problema histórico em Curitiba, não sendo possível a prefeitura brincar com algo tão sério!
Da patronal e do poder público não se poderia esperar outra coisa, pois seu interesse é apenas um: garantir que os empresários continuem lucrando sobre um direito que deveria ser garantido a toda a população.
Por outro lado, os usuários do transporte coletivo apoiaram amplamente a luta dos cobradores! Não se falou em outra coisa nos ônibus e nas estações-tubo! Havia um sentimento muito positivo entre todos os passageiros que reconhecem a justeza da luta dos trabalhadores, pois se identificam com suas reivindicações. As reivindicações pelo passe-livre que ecoaram Brasil a fora em Junho de 2013 receberam mais um impulso com a liberação da catraca pelos cobradores de Curitiba!
O PSTU é solidário à luta dos trabalhadores do transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana e incorpora a sua voz as suas reivindicações. Por estas razões, defendemos:
Redução imediata da tarifa de ônibus em Curitiba e região metropolitana!
Auditoria imediata das contas das empresas de transporte de Curitiba e região metropolitana!

A defesa dos trabalhadores do transporte faz parte da luta por um transporte público de qualidade!

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