17 de junho de 2014

Rodrigo Tomazini: “Queremos resgatar as vozes das ruas”

Confira a entrevista com Rodrigo Tomazini, pré-candidato do PSTU ao governo do Paraná.




Você vai ler agora a entrevista feita pela equipe estadual de comunicação do PSTU com o pré-candidato do partido ao governo do Paraná nas eleições de 2014. Entre diversos assuntos importantes para os paranaenses, Rodrigo Tomazini criticou o descaso dos governos com os recentes alagamentos que assolaram várias cidades do Paraná e denunciou os gastos públicos com estádios e demais obras para a Copa do Mundo. Rodrigo comentou, ainda, a importância da greve dos trabalhadores da Educação paranaense e da luta contra a privatização do Hospital de Clínicas da UFPR.
Confira:
Com.PSTU: Primeiramente, obrigado pela disposição em responder nossas questões. Gostaríamos que você se apresentasse e contasse um pouco da sua trajetória e das motivações que levaram ao lançamento da sua pré-candidatura ao governo do estado do Paraná.
Rodrigo Tomazini: Fui candidato a deputado estadual pelo PSTU em 2010 e sempre estive na luta da classe trabalhadora. Iniciei minha militância no movimento estudantil, ocasião em que participei ativamente das mobilizações contra as privatizações dos governos de Jaime Lerner (na época do PFL) e Fernando Henrique (PSDB). Estive nas mobilizações contra a privatização do Banestado, Copel e da educação superior. Ocupei papel de destaque na luta que impediu que todo o lixo de Maringá e Região fosse destinado para Sarandi, em seguida participei ativamente das manifestações que levaram a cassação do ex-prefeito desta cidade, Milton Martini (PP). Fui preso e perseguido por estar ao lado dos trabalhadores. Por trabalhar no setor da educação, a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade é parte de minha atuação política. Assim, nesse momento, acredito que estou preparado para a disputa ao governo estadual, para demonstrar que é possível um novo tipo de governo no Paraná, que se paute nos movimentos sociais e que tenha o lado dos trabalhadores. Em 2014, coloquei meu nome à disposição do PSTU, partido em que milito há mais de 10 anos, para levar nosso programa nesta dura tarefa que são as eleições.
Com.PSTU: Recentemente, a população paranaense foi fortemente atingida pelas chuvas. Como você avalia a ação dos governos estadual e federal para o atendimento das pessoas atingidas?
Rodrigo Tomazini: Nós sabemos que as chuvas são uma realidade em nosso país e em nosso Estado, permeado por rios, lagos e também pela presença de barragens construídas para dar suporte às usinas hidrelétricas. Os governantes tem dado declarações que dão a entender que as chuvas são uma tragédia, mas sabemos que a verdadeira tragédia é o descaso com a estrutura urbana das cidades, tanto as que beiram rios como na edificação de sistemas eficientes de escoamento pluvial. Esse tipo de obra não é feita pois não traz lucro, e esta é a lógica atual que orienta governos e prefeituras e aqui no Paraná não é diferente. Agora que dezenas de milhares de pessoas foram atingidas, que trabalhadores morreram, estes políticos se mostram preocupados. O governo federal mandou apenas R$ 3,9 milhões entre kits dormitório e demais despesas. Comparado às cifras dos gastos com a Copa do Mundo, isto é uma vergonha. Já o governo Beto Richa (PSDB), tem se apoiado quase que exclusivamente em doações através do trabalho da Provopar. Fica a pergunta: para onde foi o dinheiro público que deveria ser usado agora para ajudar estas famílias e para planejar uma solução definitiva para o problema?
Com.PSTU: O que seria necessário fazer para que tragédias como estas não se repitam no Paraná?
Rodrigo Tomazini: É necessário um grande investimento em infraestrutura através de um plano de obras públicas, o que traria saneamento básico para todos, moradia adequada em local adequado e garantiria a geração de emprego para milhares de pessoas, ou seja, priorizar a população trabalhadora e a juventude ao invés de meia dúzia de empresários que lucraram bilhões de reais com as obras da copa ou mesmo banqueiros que lucram com a verdadeira agiotagem em nosso país.
Com.PSTU: E, em relação à Copa do Mundo, que se iniciou semana passada, qual a sua posição em relação aos gastos públicos para a construção de estádios e demais obras?
Rodrigo Tomazini: Não é mistério para ninguém que grandes quantidades de dinheiro público foram desperdiçadas nesta Copa do Mundo, em obras não entregues, caras e muitas simplesmente desnecessárias. O custo inicial da copa ficou muito abaixo do que realmente foi gasto; e nisso tem dinheiro público. Depois, não podemos deixar de citar a grande quantidade de denúncias de superfaturamentos nas suas obras. Sabemos, ainda, que muitas das obras em que o dinheiro da população foi investido sequer tem ou manterão caráter público, como é o caso dos estádios e dos aeroportos, completamente entregues à iniciativa privada. Esse dinheiro deveria ser investido em saúde, transporte e educação pública, na construção de moradias populares através de sistema de mutirão, etc. Assim como no problema dos alagamentos, esta também é uma questão de prioridade. Tanto o PT de Dilma, como o PSDB de Beto Richa, são representantes dos interesses que estão por trás da forma como a Copa do Mundo foi realizada no Brasil: com muita repressão policial, muito dinheiro para a FIFA e para os grandes empresários, enquanto a população já sente o impacto da crise econômica, com inflação, endividamento, baixos salários e falta de emprego.
Com.PSTU: Sobre a greve estadual de educação, qual seu balanço do movimento grevista e da aceitação da proposta do governo pela direção da entidade?
Rodrigo Tomazini: Esta foi uma das greves mais fortes que vi nesse último período e, certamente, a mais forte que a base da educação do Paraná já presenciou. Faço parte dessa categoria, trabalho em escola e participei ativamente da greve, no comando de greve em Maringá. Nossa categoria estava há quase 14 anos sem entrar em greve. Mas o que vimos foi surpreendente: a disposição de luta da categoria é algo que ficou marcado em todos os que estiveram presentes no movimento grevista. A categoria estava cansada de tantas promessas, de tantas reuniões infrutíferas.
Minha avaliação é que a greve foi muito positiva por dois motivos: se, por um lado, colocou em movimento uma categoria tão acostumada com o discurso de negociações intermináveis com o governo, por outro, fez com que essa categoria fizesse uma experiência na luta com a direção pelega de nosso sindicato. Simplesmente, sem nenhum avanço concreto, a direção do sindicato defendeu a saída da greve, mesmo com 90% das escolas paradas. Isso fez com que a categoria entendesse que a APP/CUT decididamente saiu com malas e cuias das lutas e partiu para o campo do sindicalismo propositivo, de resultados e que os limites do governo são os seus limites. Em 2014 teremos eleição para a direção da APP e a oposição apresentará candidaturas de luta, que se propõem a retomar o sindicato para os trabalhadores. Nós do PSTU apoiamos a oposição e construímos, com outros setores, o Bloco de Oposição.
Com.PSTU: Você poderia comentar a greve dos trabalhadores da UFPR e do Hospital de Clínicas, que já dura mais de 2 meses, contra a privatização do hospital com a EBSERH e em defesa dos 916 funcionários Funpar ameaçados de demissão?
Rodrigo Tomazini: Chegamos a uma situação absurda em que, hoje, a comunidade universitária precisa enfrentar o próprio reitor da UFPR para defender o HC. A EBSERH que o reitor Zaki Akel quer aprovar é, na verdade, parte da privatização que a presidente Dilma tem imposto aos hospitais universitários por todo o país. Dilma venceu as eleições com um discurso contra as privatizações, mas logo em seguida vendeu e leiloou estradas, portos, aeroportos, petróleo e hospitais. Os trabalhadores em greve merecem todo apoio! Estão sendo duramente atacados pela mídia e pela reitoria, que tenta a todo custo privatizar o hospital. Chegou, inclusive, a fazer uso da força policial para reprimir aqueles que lutam por uma saúde pública, universal, gratuita e de qualidade, ou seja, em defesa do SUS. Mas os trabalhadores, unidos com a juventude, estão dando um grande exemplo de resistência e abnegação.
Com.PSTU: Para finalizar, gostaríamos que você falasse um pouco sobre a sua pré-candidatura. Como o PSTU vai entrar nas eleições de 2014?
Rodrigo Tomazini: Queremos resgatar as vozes das ruas. Nosso programa irá refletir aquilo que a juventude e os trabalhadores estão levando às manifestações. A defesa intransigente do serviço público, investimentos em saúde pública, educação pública, transporte e moradia. Queremos levar aos trabalhadores a proposta de que existe sim saída para todos os males do capital, mas essa saída só pode ser anti regime e socialista. Vamos debater um programa de governo para os trabalhadores e a juventude, muito diferente das propostas de Beto Richa (PSDB), Gleisi (PT) e Requião (PMDB). Todos esses partidos já estiveram no poder e nunca mudaram a vida dos trabalhadores. Eles estão de um lado, nós estamos de outro.

Aproveito esta entrevista para chamar todos aqueles que estiveram nas ruas e nas lutas em junho de 2013 e agora em 2014, todos os trabalhadores que estiveram ou estão em greve e também aqueles que estão inconformados com tantos desmandos a estar juntos conosco nessa campanha. Não queremos apenas votos! Não queremos apenas mudar o Paraná. Como diz Zé Maria, o candidato do PSTU à presidência do Brasil, queremos mudar o mundo! E sabemos que com os trabalhadores e a juventude, conscientes de seus destinos, isso é perfeitamente possível!

Um comentário:

  1. As respostas desse jovem me encantaram! De repente percebo que ainda resta esperança nesse País!

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