10 de junho de 2014

Chegou a hora, somos um só...


“Chegou a hora, agora somos um só/ É nossa escola de super, superação/ Vai que dá Brasil, hexacampeão”. Este é um trecho da música da Rede Globo, tema da Copa, e realmente chegou a hora, mas não vemos a euforia de outras épocas, ruas pintadas, bandeiras decorando as casas.

por Antonio Stur
O motivo, acredito, está em outro trecho da musica “Dessa vez é no Brasil”. Grande parte da população adora futebol, é desiludida com a política há bastante tempo e sabe, desde o início, que as obras poderiam ser superfaturadas, o que explica, então, este desinteresse tão grande com a copa, que às vezes chega a repúdio?
Talvez porque o problema é ter escancarado em nossas caras toda essa roubalheira, obras desnecessária, achar que acreditaríamos que tudo isto se justifica pelo “tal legado da Copa”. O que vai ficar de herança da Copa, ou quais serão suas consequências para o Brasil, para o povo brasileiro? Obras inacabadas, obras superfaturadas, estádios abandonados, ou dando lucro aos clubes, já que foram erguidos com dinheiro público, mais dinheiros para os grandes empresários e muito menos para saúde e educação.
Não nos iludamos, o governo não investiria o dinheiro da Copa para saúde, educação e transporte. Mas vai entregar o país para a FIFA por 30 dias, e não se trata de alugar, pois estamos pagando para os outros usarem e lucrarem em nosso país.
Realmente chegou a hora, somos um só, um só povo explorado. A vida dos trabalhadores não melhorou com a Copa e não melhoraria senão tivesse Copa, mas a contradição está aí: dinheiro para os empresários estrangeiros tem, para a FIFA tem, para o FMI tem, para as empreiteiras tem. Para os trabalhadores nem Copa tem.
Aos que dizem que a hora de protestar e de reclamar passou, que tínhamos que ter feito isto quando o Brasil foi escolhido como sede, não existe prazo mínimo para se mudar o necessário, apenas é necessário mudar. Não importa o quanto foi gasto no mundial, nada vale a vida dos operários mortos na construção dos estádios. Temos que ir às ruas, e temos que ir até o fim. As mobilizações de junho do ano passado mostraram o poder do povo brasileiro, não podemos nos contentar com um pronunciamento da presidente e com o voto aberto.
Temos que exigir mudanças de verdade, confiscar os bens dos políticos corruptos e também as obras feitas com dinheiro público, parar de repagar a dívida pública e investir em uma reforma agrária para controlar a inflação dos alimentos, criar conselhos para organizar as mobilizações.

Por um governo de trabalhadores para os trabalhadores!

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