8 de maio de 2014

A inflação e o bolso dos curitibanos



Eric Gil, PSTU Curitiba
Indo ao mercado, no dia-a-dia, o nosso dinheiro parece estar valendo cada vez menos. Vamos com 20 reais comprar alguns poucos mantimentos e esta mesma nota a cada nova visita traz menos e menos produtos.  Esta tal de inflação não nos deixa em paz!

Lemos e vemos nos jornais e telejornais que a inflação voltou a ser um problema para os brasileiros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente o índice chamado de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que tenta mensurar quanto que a inflação pesou no bolso das pessoas no mês de março. Ele não é o único, o próprio instituto possui outros índices para mensurar a inflação, e nem sequer o IBGE é a única organização que calcula inflação em nosso país, vide o do DIEESE, índice que veremos mais a frente.

Para este mês de março o aumento nos preços foi de 0,92%, o que somado ao aumento dos meses de janeiro e fevereiro já temos um avanço de 2,18% só para este primeiro trimestre. Mas o que isto significa? Aqueles 20 reais que fomos ao mercado em primeiro de janeiro, quando chegou o final de março só poderíamos comprar o equivalente a 19,56 reais, na época, ou praticamente uma cebola a menos na sacola.
E se formos considerar um ano? De março de 2013 a março de 2014 o acumulado desta inflação foi de 6,15%. Então aqueles 20 reais em março deste ano só poderia comprar, naquela ocasião, 18,77 reais, ou praticamente um pacote de macarrão a menos na sacola.

Mas nem tudo sobe na mesma proporção. O grupo com maior aumento de preços, no mês de março, foi o de alimentos e bebidas, ou seja, a parte mais básica de nossa sobrevivência. Este grupo teve um aumento de 1,92% neste mês! O maior vilão foi a batata inglesa, que teve um aumento de 35,05%, seguido do já conhecido tomate, com aumento de 32,85%, e do feijão-carioca, 11,81%.

O segundo maior aumento foi o de habitação, que só em março avançou 0,33%, em fevereiro este aumento já havia sido 0,77%. Parece que não há barreiras para o encarecimento de nossos alugueis e financiamentos de casas próprias.

Já para a nossa cidade, Curitiba, o aumento foi maior. Em março, a inflação curitibana foi de 1%, maior do que o índice nacional, 0,69%. Quer dizer que na capital paranaense nosso dinheiro passou a valer menos ainda do que na maioria das outras cidades que compõe este índice. Ela foi a terceira capital com maior aumento de preços em março, e a quarta para os três primeiros meses de 2014.

Mas vejamos com o cálculo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) quanto a cesta básica de alimentos aumentou. Em Curitiba, esta cesta aumentou em 12,29%, quase 30 reais a mais do que em fevereiro. Para comprar alimentos essenciais para a sobrevivência de um trabalhador, devemos desembolsar, em Curitiba, R$329,55, quase metade do salário mínimo vigente. Como este trabalhador fará para ainda pagar aluguel, transporte, vestuário, etc. dele e da família? Só o malabarismo do dia-a-dia, que só a classe trabalhadora conhece e poderá responder.

Percebam que alimentação e moradia são as duas coisas que mais aumentam de preço, não só em março, mas isto é uma tendência vista por vários anos. Será que isto atinge igualmente os ricos e os pobres? Os patrões e os trabalhadores? Quanto da sua renda o patrão gasta em comida e em habitação? Quanto um trabalhador gasta com estes mesmos dois itens? O salário do trabalhador é basicamente para isto, comer e morar, diferente dos empresários, que gastam com viagens, roupas da moda, educação e saúde privadas, e muitas outras coisas que o trabalhador sequer sonha.

Mas quem gera a inflação? Este fenômeno é em grande parte gerado pelo grande poder de determinar preços que a burguesia possui. Vejamos, por exemplo, a BRF, conglomerado composto pela Sadia e Perdigão. Só este conglomerado abate 1,8 bilhão de aves e 9.800 suínos e bovinos por ano. No mercado de margarinas, o qual possui marcas como a Qualy, o conglomerado detém 63% de todo o mercado, muito mais da metade de todas as margarinas vendidas no Brasil são feitas pela BRF. Quem ditará o preço destes frangos, bois e margarinas? A concorrência? Qual concorrência? A BRF é só um exemplo dos grandes conglomerados que monopolizam os nossos mercados e ditam quanto que os trabalhadores pagarão para comer e se alimentar. 

Não só as empresas, mas os governos também são responsáveis, tanto por fazerem vista grossa a esta monopolização desenfreada de empresas como a BRF, pois em tese a lei proíbe a fusão de marcas como a Sadia e Perdigão por terem muito poder de mercado, mas também com a permissão da subida dos chamados preços administrados, como os de transporte público, energia, água, etc. As empresas financiam suas campanhas eleitorais, mas em troca exigem que estes preços subam absurdamente, como foi o caso do transporte público, estopim das manifestações de junho.

O que resta para a classe trabalhadora é se unificar nos sindicatos e partidos da classe e combater o aumento dos preços e a deterioração dos salários, pois como vimos, a burguesia é pequena e organizada e possui um poder grande nos governos, resta à maior parte da população, os trabalhadores, ter o mesmo nível de organização. Já conseguimos, em 2013, fazer com que o aumento dos preços de transportes coletivos fosse 0%, colocando milhões de pessoas nas ruas, façamos novamente este ano, o ano da Copa do Mundo.

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