15 de abril de 2014

O que está por trás do aumento da passagem

O aumento da tarifa metropolitana é um ataque do Governo Estadual e da Prefeitura aos trabalhadores!
Por Mariane Siqueira (PSTU Curitiba)
  Em Curitiba, depois de dois meses da greve dos trabalhadores do transporte, a população foi surpreendida, no último domingo, por um aumento “seletivo” nas tarifas.


   O medo de novos protestos, como os que sacudiram o país em 2013, fez com que os governos passassem a camuflar ao máximo novos aumentos nos transportes públicos.

  Vivemos um momento de muitos ataques aos direitos e lutas dos trabalhadores. Em nosso Estado, como se não bastasse à privatização da saúde pública via Fundação Estatal, a falta de compromisso com os trabalhadores em greve da Educação e o descaso com o movimento grevista dos professores municipais, agora Beto Richa (PSDB) e Gustavo Fruet (PDT) punem a população da região metropolitana de Curitiba com um aumento médio de quase 9% no valor da tarifa de transporte. Veja tabela no link abaixo[1].
 
Protesto contra o aumento da tarifa em junho de 2013
  O atual aumento na tarifa atinge as chamadas “linhas não integradas”, além da tarifa urbana de São José dos Pinhais (R$ 3,10) e Araucária (R$4,00). Pra piorar, muitos trabalhadores da região metropolitana que trabalham em Curitiba são obrigados a pagar também a tarifa do transporte da capital, pois, como o próprio nome diz as linhas da região metropolitana não estão integradas com as da capital.

ENTENDA O AUMENTO:
A Prefeitura e o Governo Estadual enganam os trabalhadores!

    Pelo modelo atual, contribuintes e trabalhadores que utilizam o transporte público são os principais responsáveis pelo custeamento da tarifa. Parte do dinheiro vem da tarifa paga e parte dos subsídios públicos estabelecidos com base em um cálculo proposto pelas empresas e aceito pelos governos. Assim, o trabalhador usa uma parte do seu salário arduamente conquistado todo o mês com transporte e as empresas, alegando “dificuldades financeiras”, abocanham dinheiro público direto, complementando seu lucro com os impostos pagos pelos contribuintes. Conclusão: o trabalhador paga duas vezes, uma como usuário e outra como contribuinte.
  
    No comando da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (SEDU) do Governo Beto Richa (PSDB) está Ratinho Junior (PSC). Juntos, Richa e Ratinho Junior são responsáveis pela gestão do transporte metropolitano de Curitiba, que é feita por meio da COMEC. Este órgão foi responsável por aplicar o índice de aumento para as 78 linhas de ônibus metropolitanas da capital paranaense.

     Criada ainda no tempo da ditadura, a COMEC opera sob a lógica de repassar ao usuário e contribuintes em geral o ônus com o gasto em transporte (custo do diesel, encargos trabalhistas, manutenção, etc.).  Nada mais evidente para um governo do PSDB do que perpetuar esse critério. Porém, o aumento da tarifa na região metropolitana de Curitiba também foi responsabilidade da Prefeitura Municipal.

Assembleia da greve dos motoristas e cobradores em Curitiba
   Depois da greve de motoristas e cobradores em março deste ano, o Prefeito, Gustavo Fruet (PDT), e a Vice-Prefeita, Miriam Gonçalves (PT), prometeram à população que não aumentariam a tarifa em Curitiba. Porém, veio da URBS, órgão municipal que administra o transporte na cidade, a definição da nova “tarifa técnica” que serviu de base para os cálculos da COMEC. O próprio governador declarou na imprensa que a elevação das passagens teve como base o reajuste desta “tarifa técnica”, que “subiu 8,41% neste ano, passando de R$ 2,93 para R$ 3,18”.

     O fato menos evidente é que o cálculo da URBS foi elaborado incorporando a taxa de reposição salarial de 9,28% conquistada pelos trabalhadores na greve[2]. Portanto, na prática, o aumento proposto pela URBS e COMEC para a tarifa metropolitana faz com que os trabalhadores da região paguem a conta, desmentindo as declarações feitas pela prefeitura em março.

    Ao dizer que o usuário do transporte publico não seria prejudicado por um novo reajuste no preço dos transportes, a prefeitura mentiu para a população. Além disso, o prefeito Fruet é conivente com empresas de transporte que superexploram motoristas e cobradores ao ponto de exigir destes que paguem despesas relativas a acidentes de trabalho, como é o caso escandaloso da empresa São José Urbana, no bairro Parolin, em Curitiba[3].

UMA CURITIBA PARA OS TRABALHADORES!
A população trabalha muito, ganha mal e o transporte é um sufoco. 
  
    Em pesquisa de junho de 2013, o IPEA mostrou que a parcela mais pobre da população depende do transporte público e chega a comprometer 15% de sua renda mensal em gastos com tarifas. Mostrou, ainda, que o aumento progressivo das tarifas em taxas superiores à da inflação contribui para a insatisfação crescente dos trabalhadores e trabalhadoras com os políticos.

    Além disso, sabemos que os trabalhadores precisam, muitas vezes, de dois ou três empregos para sobreviver. Todo trabalhador sabe que o transporte público é essencial: em seu cotidiano, ele serve para ir ao trabalho, entrevistas de emprego, levar os filhos na escola, visitar familiares, ir ao médico, passear, etc. A cada aumento na tarifa, esse trabalhador precisará decidir que atividade de sua vida será cortada para que as contas fechem ao final do mês.

      Nós, do PSTU, não aceitamos que os trabalhadores continuem a ser enganados por governos que gostam de sorrir na televisão durante as eleições para depois atacar os direitos e encarecer a vida. Por isso denunciamos mais este absurdo! Nesse sentido, nos colocamos ao lado da população e convidamos a todas e a todos que se sentem indignados com essa realidade, a lutar contra este aumento.  As jornadas de junho de 2013 mostraram que é possível vencer se lutamos juntos, nas ruas, contra os governos e políticos que nos exploram e enganam.

É preciso lutar, é possível vencer!

  •  Pela anulação do aumento na tarifa do transporte metropolitano já!
  • Nenhuma confiança na “Tarifa Técnica” da URBS e COMEC!
  • Pelo valor de R$ 2,25 da Tarifa, conforme orientação do TCE!
  • Abertura das contas das empresas de transporte de Curitiba e RMC! 
  • Rompimento dos contratos fraudulentos!
  • Estatização do transporte público! Transporte público é um direito!





[2] http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2014/03/11/curitiba-avalia-aumento-na-passagem-de-onibus.htm
[3] http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1461869&tit=&tit=Protesto-atrasa-saida-de-onibus-em-garagem-no-Parolin

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