31 de março de 2014

Indiciamento dos ativistas de Porto Alegre: primeiro ato de uma terrível tragédia!







Por Márcio Palmares, militante do PSTU de Curitiba e dirigente sindical do SINDITEST.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, estado comandado pelo petista Tarso Genro, indiciou sete manifestantes do Bloco de Lutas de Porto Alegre, acusando-os de crimes como “formação de milícia privada”, “posse e uso de artefato explosivo”, “furto qualificado”, entre outros. Entre os acusados, estão Matheus Gomes, militante do PSTU, e Lucas Maróstica, militante do PSOL.

Nem o PSTU nem o PSOL têm qualquer participação em atos de vandalismo, de quebra-quebra e muito menos qualquer envolvimento com a suposta “formação de milícia privada”. A acusação é simplesmente absurda, e, no entanto, será usada para tentar retirar a liberdade de dois importantes militantes, que estiveram à frente das manifestações contra o aumento das tarifas do transporte coletivo. Se isso acontecer, teremos a confirmação da instalação de um "Estado de exceção" no país, um retorno gradual à ditadura.
A polícia jamais terá como provar qualquer envolvimento desses dois militantes nas ações que estão sob investigação. Os militantes do PSTU não praticam ações de vandalismo, não portam e não usam artefatos explosivos, não promovem o quebra-quebra, não concordam e não compactuam com as ações isoladas de grupos como o Black Bloc. Aliás, estamos há vários meses alertando o conjunto dos movimentos sociais do país sobre o caráter prejudicial das ações como as do Black Bloc, por mais bem intencionados que possam ser seus ativistas.
Nossas armas
Nossos militantes usam apenas a palavra, falada e escrita. Nossas armas são a ação política pública de massas: greves, protestos, manifestações. Dentre elas, a greve é uma das armas mais poderosas. Mas as manifestações de massas são também muito importantes, e podem ser decisivas, como vimos durante as Jornadas de Junho.

Chegará o momento em que os trabalhadores confrontarão o Estado burguês e suas Forças Armadas com outras armas: as armas de fogo e tudo o que tiverem à mão. Se esta ação for uma necessidade da classe trabalhadora e tiver apoio das massas, estaremos na vanguarda desta luta. Mas isso acontecerá no ponto culminante de uma revolução política e social. Nesse momento, através da greve geral seguida de insurreição (uma das hipóteses prováveis), teremos não apenas a possibilidade, mas o dever de destruir as Forças Armadas do Estado burguês e todas as suas instituições, o que inclui as polícias e também o aparato clandestino de repressão herdado da ditadura (que segue intacto). A revolução econômica, política e social do proletariado é a única forma de acabar com a miséria, a pobreza e as injustiças seculares de que o nosso país padece.
Até lá, é uma tolice completa confrontar as polícias ou o Exército com... fogos de artifício. Os métodos deslocados das ações das massas e que as afastam são equivocados, porque para fazer as transformações profundas precisamos da ação da maioria dos trabalhadores e demais classes exploradas e oprimidas. Os trabalhadores, os operários, os explorados e oprimidos de nosso país não possuem ainda armas para combater, e não estão dispostos a fazê-lo. É uma estupidez provocar um confronto nessas condições. A desigualdade de forças e de preparação é grande demais, e o resultado será inevitavelmente trágico: mortes desnecessárias, fuga desordenada, captura de valiosos militantes que precisam estar em liberdade, e, no fim, a desmoralização para o lado desarmado e, por enquanto, sem disposição de empreender este tipo de ação.
A ação dos agentes infiltrados
É exatamente por isso que todos os serviços de inteligência da repressão recrutam desocupados para provocar escaramuças entre manifestantes e policiais nos protestos, além de infiltrar seus próprios agentes no seio das manifestações, que em geral são os responsáveis por iniciar os “confrontos”.
As mesmas técnicas avançadas usadas para causar o “desaparecimento de corpos” como o do pedreiro Amarildo, torturado e assassinado pela Polícia Militar, são usadas o tempo todo para impedir a prisão ou inocentar os agentes infiltrados que iniciam os tumultos e os confrontos. Isso inclui fortes “Operações Psicológicas”, com uso intensivo da grande imprensa, para convencer a população da veracidade da farsa, que é depois usada para criminalizar o movimento como um todo.
Todas as nossas formas de ação, nossas armas (as greves, ocupações, protestos, manifestações), são perfeitamente legais, mais ainda: garantidas constitucionalmente como uma conquista da luta contra a ditadura militar. Muito sangue foi derramado para que esse “marco legal” fosse conquistado, e agora o governo do PT quer destruí-lo, obedecendo aos desejos não apenas da FIFA, mas da podre e carcomida elite do nosso país e do capital financeiro (bancos e multinacionais).
Um balanço necessário
É preciso reconhecer agora, diante dos fatos, que as ações de quebra-quebra, de vandalismo e de confronto artificial com as polícias, obra tanto dos agentes infiltrados quanto de ativistas bem intencionados que julgaram com bons olhos a "tática" do Black Bloc, ao final atingiram um resultado complicado: permitiram ao inimigo de classe construir frente à opinião pública um conjunto de eventos capazes de "justificar" a instauração das leis de exceção, que serão usadas contra todo o movimento de massas, contra seus melhores ativistas e militantes, e mesmo contra os mais “moderados”, como o deputado Marcelo Freixo (PSOL), um reconhecido defensor das UPP's.
O que fazer?

Precisamos usar todas as nossas forças para barrar esse processo contra os ativistas do Bloco de Lutas de Porto Alegre e demais criminalizados neste momento. Devemos lançar uma campanha nacional pelo imediato arquivamento desse processo e fim de todos os indiciamentos! É preciso que a presidente Dilma Rousseff volte atrás, revogue a "Lei Geral da Copa", a "Lei contra Organizações Criminosas" e impeça a aprovação do "AI-5 Padrão Fifa". Se a presidente não fizer isso, será a responsável direta pelos desastres subseqüentes.
Um alerta: quando a roda da História gira para trás, ela não se detém em seu antigo ponto de partida. Se permitirmos um retorno gradual dos métodos da ditadura contra a classe trabalhadora, se não houver reação imediata contra esse retrocesso histórico, todo o aparato clandestino de repressão das polícias e das Forças Armadas será posto em ação, para esmagar os movimentos sociais e lançar o país em uma etapa sombria de violência sem precedentes contra os trabalhadores e a juventude.
  • Arquivamento imediato do processo contra os ativistas do Bloco de Lutas de Porto Alegre!
  • Lutar não é crime! Não à criminalização dos movimentos sociais!
  • Exigimos de Dilma a revogação de todas as leis e medidas que visam aumentar a repressão contra os movimentos sociais!

Um comentário:

  1. Solicitamos a ajuda do PSTU para protestar contra o aumento das passagens da rede não integrada de transporte da RMC! Um roubo no bolso do trabalhador promovido pelo desgoverno Richa!!!

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