20 de março de 2014

Curitiba: Ato relembra 50 anos de luta da classe trabalhadora contra a ditadura burguesa e militar no Brasil!

PSTU Curitiba
No próximo dia 20 de março, quinta-feira, acontecerá na OAB-Paraná, em Curitiba, um ato com a presença de representantes de diversas centrais sindicais para discutir os 50 anos do golpe militar no Brasil. Como se sabe, o golpe cívico-militar de 31 de março de 1964 foi inspirado e coordenado pelo imperialismo norte-americano, em uma conspiração que envolveu a CIA, oficiais de altas patentes, donos de empresas, bancos e grandes meios de comunicação brasileiros, além de empresas multinacionais.

Fizeram parte do golpe todos os setores que esperavam se beneficiar do fechamento do regime e restrição das liberdades democráticas aos trabalhadores. O principal objetivo era utilizar o terror burguês para atacar a classe trabalhadora e destruir suas organizações políticas. O imperialismo e a burguesia nacional consideravam o então presidente João Goulart incapaz de conter o avanço dos trabalhadores.
Jornal da época

Nesse sentido, a história da luta contra a Ditadura Militar no Brasil foi a história da luta em defesa da classe trabalhadora brasileira. Estas forçaram a ditadura a ceder, fazer concessões econômicas, acelerar a abertura, conceder a anistia e permitir a legalização das novas organizações políticas, em especial a Central Única dos Trabalhadores e o Partido dos Trabalhadores. Era a força da nova e poderosa classe operária brasileira que voltava a golpear a burguesia, o imperialismo e seu regime militar.

Entre as diversas organizações que lutaram contra a ditadura estava a Convergência Socialista, uma das organizações que deu origem, posteriormente, ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). A Convergência teve sua origem em outra organização, a Liga Operária, que, desde o início da década de 1970, destacou-se também como uma das mais atuantes organizações no combate à ditadura. Foi a Convergência Socialista que teve a ousadia de realizar a primeira reunião pública de socialistas ainda durante a ditadura, em 1978. Participou do 1º de Maio de 1980 no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, junto com os mais de 100 mil manifestantes. Em 1981, esteve na Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat), defendendo e fazendo parte da Comissão Nacional Pró-CUT. Da mesma maneira, militantes da CS estiveram à frente dos piquetes da Greve Geral de 1983, tendo muitos militantes presos e golpeados pela polícia. Em 1984, suas colunas também estavam presentes nas marchas pelas “Diretas Já!” e na fundação do PT.

Apenas em 2013, trinta e cinco anos depois de perseguir, prender e torturar vários de seus militantes, o Estado brasileiro finalmente pediu desculpas e reconheceu o papel cumprido pela Convergência Socialista na luta contra a ditadura militar. Esse reconhecimento histórico ocorreu no dia 25 de outubro de 2013, durante a 77ª Caravana da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, realizada em São Paulo especialmente para analisar os pedidos de anistia dos perseguidos e presos políticos da Convergência.

A luta contra a ditadura militar é atual!

Mesmo hoje, em plena democracia, o Brasil convive com a herança maldita do período da ditadura. Muitos dos torturadores e assassinos foram anistiados e nunca enfrentaram qualquer julgamento, e vemos a continuidade da Polícia Militar. A polícia militarizada é uma herança da ditadura militar. Essa, permeada pela corrupção e obscurantismo, é responsável pela repressão brutal e cotidiana nas periferias e favelas do Brasil, sendo o assassinato do pedreiro Amarildo em 2013, apenas um exemplo de sua ação violenta. Nessa semana, assistimos estarrecidos ao assassinato da trabalhadora Cláudia no Rio de Janeiro, alvejada pela polícia e depois arrastada por centenas de metros pela viatura.
Foto da CS em ato contra a ditadura

O mesmo PT das lutas contra ditadura militar é conivente com a existência da PM e mais: procura a todo custo aprovar medidas de criminalização das lutas dos trabalhadores e da juventude. Um exemplo disso é a “lei antiterror” proposta com o argumento de servir para garantir a segurança durante a Copa do Mundo, mas que na prática serve para acabar com a liberdade de manifestação política no Brasil.

Outra tentativa de criminalizar as lideranças das mobilizações de juventude são os inquéritos abertos contra ativistas. Dentre as vítimas desses inquéritos, vale citar o ativista do PSTU gaúcho, Matheus Gomes, o “Gordo”. Esse inquérito se soma aos outros que estão ocorrendo desde as jornadas de junho, que envolvem ativistas do PSTU, da ANEL tantos outros.

Para o PSTU, apenas com uma organização independente e o fortalecimento das lutas a classe trabalhadora brasileira será capaz de garantir sua liberdade de expressão e os avanços em seus direitos. Toda organização em defesa dos trabalhadores precisa atuar nesta direção, contra qualquer governo e qualquer partido que busque a criminalização dos atos, greves movimentos sociais e populares. As balas de borracha e bombas pertencem às elites brasileiras, seus aliados e representantes. Às trabalhadoras e trabalhadores, cabe a luta por uma sociedade livre da exploração e da opressão. As prisões não podem calar a nossa voz de protesto. Nesse dia de memória dos 50 anos de luta pela democracia, pelas liberdades e pelos direitos da nossa classe, convidamos o conjunto dos movimentos a encampar uma ampla campanha contra a repressão e a criminalização dos movimentos sociais.

Lutar não é crime!
Pelo fim imediato dos inquéritos contra ativistas dos movimentos sociais!
Abaixo a lei antiterror!
Pelo fim da Polícia Militar!
Não basta a apuração dos crimes. Punição exemplar de todos os torturadores e assassinos, envolvidos direta ou indiretamente na repressão!
Ditadura nunca mais!

Link para a atividade da OAB:

http://www.oabpr.com.br/Noticias.aspx?id=18892

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