15 de fevereiro de 2014

OS GOVERNOS , A IMPRENSA E OS ÓRGÃOS DE REPRESSÃO SE APOIAM NA AÇÃO QUE LEVOU CINEGRAFISTA À MORTE PARA TENTAR CRIMINALIZAR PSOL, PSTU E TODOS OS QUE LUTAM

Reafirmar a Frente de Esquerda no Paraná para fortalecer o programa socialista e defender as organizações de esquerda
Direção Estadual do PSTU - Paraná
No mês passado realizamos uma reunião com a direção estadual do PSOL, na qual apresentamos nossa posição a favor da construção de uma Frente de Esquerda entre PSOL, PSTU e PCB.
Voltaremos a nos reunir com a direção estadual do PSOL e também procuraremos o PCB para conversar sobre esta proposta. Nesta nota queremos reafirmar a necessidade desta unidade frente à campanha midiática que tenta criminalizar os partidos e organizações de esquerda.

Na mencionada reunião, expusemos os critérios políticos e pontos de vista que achamos necessários para dar norte a uma discussão fraterna e comprometida entre os nossos partidos. Esses critérios são: construir um programa socialista que parta das demandas levadas às ruas nos protestos de junho no ano passado; completa independência de classe e financeira da burguesia; respeito ao peso político e social dos partidos na composição da chapa majoritária e proporcional.

Dissemos na reunião e reafirmamos publicamente que estamos dispostos a abrir mão da candidatura ao governo do estado, desde que tenhamos a candidatura ao senado. Reiteramos que temos um partido estadual, estruturado nas principais cidades do Paraná, envolvido nas lutas sociais e políticas, com inserção em alguns setores da classe trabalhadora e que tem cumprido papel importante nas lutas políticas. Durante as jornadas de junho e greves de julho e agosto, nosso partido atuou com firmeza programática e determinação política, buscado contribuir com o fortalecimento das reivindicais da classe trabalhadora e denunciando os governos de plantão.

Temos esta posição por que achamos que o nosso peso precisa ser respeitado na composição de uma Frente de Esquerda entre nossos partidos, não opinamos ser correto e não estamos dispostos a simplesmente aderir a uma candidatura do PSOL.

As massas e os lutadores precisam de uma alternativa

A situação política mudou após as jornadas de junho, o início deste ano demonstra que, por um lado existe maior disposição de luta dos trabalhadores e, por outro, maior disposição de repressão e criminalização dos movimentos sociais por parte dos governos que administram o Estado Burguês.

A maioria da população apoiou os jovens que foram as ruas com a vontade de mudar o país. Os governos “regurgitaram” demagogia, muito prometeram e quase nada cumpriram. Agora dão a demonstração [através da repressão] do que está por vir daqui até a Copa do Mundo, nada mais que a repressão do Estado.

Na nova situação política as massas estarão mais abertas e interessadas a ouvir os que os projetos de direita e de esquerda têm a dizer, avaliamos que existirá uma disposição maior do que antes em ouvir o que os socialistas temos a dizer. Isso não significa de antemão que o espaço de esquerda será uma avenida aberta, por enquanto esta é uma hipótese provável, mas tudo irá depender de como as massas se comportarão nas próximas lutas, de como os governos de plantão reagirão e da opinião publica que irá se formar na consciência das massas, aqui entra com peso o papel da mídia burguesa, que já iniciou uma campanha para ganhar as massas contra as manifestações em ano de Copa.

Ao mesmo tempo, os lutadores que saíram as ruas em junho e todos aqueles e aquelas que seguem lutando para mudar o país, buscarão uma alternativa frente aos projetos burgueses de partidos como PT, PMDB,PSB, PSDB, PV, DEM, PP, entre outros. Nenhum desses partidos tem um programa capaz de atender e governar para os trabalhadores, todos eles governam para o grande capital.

Nem Beto Richa do PSDB, nem Gleisi Hoffmann do PT, nem Requião do PMDB representam os interesses dos trabalhadores no Paraná. Todos são projetos aliados aos interesses da classe capitalista. Esses projetos já demonstraram por inúmeras vezes que não governam para nossa classe.

Por isso, a importância de apresentarmos uma alternativa unitária nas eleições, socialista e classista, capaz de unificar as reivindicações e dar maior projeção as lutas da classe trabalhadora e da juventude.

Unidade da esquerda para combater a repressão e criminalização dos movimentos sociais

Desde o ano passado estamos travando publicamente a polêmica com os Black Blocs, não temos nenhum acordo com os seus métodos e programa reformista. Somos a favor de qualquer ação de massas, por isso nossos métodos passam por tentar convencer as massas de qual é o programa e a política dos revolucionários.

Não temos acordo com as ações vanguardistas, equivocadas e ultra esquerdistas dos Black Blocs, que buscam substituir o protagonismo e a experiência concreta das massas na luta contra o governo e o Estado. Esta tática e o tipo de organização também favorece a infiltração de agentes provocadores da polícia. Portanto, temos uma diferença quanto à política, o programa e os métodos, mas que fique claro, somos contra a repressão e criminalização dos Black Blocs e movimentos sociais. Ao mesmo tempo somos solidários a família do jornalista que morreu, mas reiteramos que não confiamos nos órgãos do Estado, na imprensa e justiça burguesas.

A imprensa, o governo Cabral e os órgãos de repressão tentam responsabilizar o Black Bloc e os partidos de esquerda, afirmam que os manifestantes presos seriam supostamente Black Blocs e supostamente "aliciados" pelas organizações "que levam bandeiras", como "PSOL, PSTU e FIP". Essas práticas são da repressão e da direita. Não confiamos e não compramos a versão amplamente divulgada na imprensa burguesa, está claro que existe uma manipulação e clara intenção de se apoiar neste lamentável episódio para criminalizar aqueles que estão saindo as ruas para protestar.Querem preparar as massas para a dura repressão que já está orquestrada caso as manifestações se intensifiquem daqui até a Copa.

Alertamos para o fato de que as leis e medidas adotas pelo governo federal e as forças armadas, como é o caso da lei "antiterrorismo", dão sinais de que a infiltração ou manipulação de movimentos dirigida pelos órgão de repressão já estão ocorrendo e podem se intensificar. Os provocadores estão infiltrados nas manifestações e movimentos. Responsabilizamos os governos e o Estado Burguês pela repressão e violência nas manifestações. Jamais saberemos se o artefato que causou a morte do cinegrafista foi lançado por um agente infiltrado, ou por um ativista recrutado pelo aparato de repressão ou por um infeliz que acha que disparar fogos de artifício contra a polícia é um método eficiente para ganhar a confiança das massas e derrotar o aparato policial. A repressão tem mutas técnicas nefastas, de inteligência, investigação, infiltração, provocação, tortura e desaparecimento de corpos [o que dizer do caso do pedreiro Amarildo] para inocentar os agentes da repressão. Mais uma vez, não compramos a versão da imprensa burguesa.

A questão é que após a morte deste cinegrafista os governos e órgãos de repressão do Estado lançaram uma verdadeira campanha contras PSOL e PSTU. Dois partidos que apoiam e estão nas lutas desde o início. Nosso partido foi à única organização que travou publicamente a polêmica contra as ações dos Black Blocs, travamos esta polêmica inclusive contra algumas correntes do PSOL, que em nossa opinião, ou defenderam as ações ou capitularam frente a elas. Não faz nenhum sentido as acusações feitas contra nosso partido. 

A ofensiva bonapartista que os governos aplicam através do Estado contra os partidos de esquerda,  contra todos os lutadores cobra a unidade dos socialistas, e neste ano ela deve se dar nas lutas e nas eleições.

Como já dissemos em outro artigo que publicamos: “(...) nossa violência de classe terá endereço e hora, quando as massas tiverem dispostas a enfrentar o Estado burguês, os agentes reformistas e os governos. Se as massas precisarem e quiserem pegar em armas para enfrentar o Estado Burguês estaremos na linha de frente deste combate. Lutemos contra o capitalismo, seus governos, seus agentes e seu Estado opressor. Nossas armas serão o convencimento político, a ação de massas, a análise da realidade, a unidade na ação política, a fraternidade, a franqueza, a honestidade, a solidariedade de classe e a moral da classe trabalhadora em luta. (...)”

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