19 de fevereiro de 2014

Nota pública frente a atitude transfóbica e machista de um dos nossos militantes

PSTU de Curitiba

Após exposição de nossa organização nas redes sociais por parte de uma atitude transfóbica e machista de um dos nossos militantes, que fez uma brincadeira sugerindo a prostituição como alternativa a uma mulher, escrevemos essa nota com o intuito de expor a posição pública do partido diante do ocorrido à nossa ex-militante vítima da opressão. Reiteramos que esta atitude partiu de um militante isoladamente e não corresponde a política da nossa organização.


Ao mesmo tempo adotaremos as medidas internas com o objetivo de educar o conjunto da nossa organização na luta contra a opressão e na moral revolucionária.

Esta prática não corresponde ao programa, aos princípios e a moral do nosso partido e requer uma postura do partido para corrigi-la e superá-la. A questão central é como as organizações de esquerda enfrentam esses desvios.

A manifestação de piadas transfóbicas, machistas e de qualquer natureza opressora, para nós, não é diferente do ato de oprimir conscientemente, e isso se torna ainda mais grave quando identificamos esse desvio em um militante de nossa organização. Desse mesmo modo sabemos que nossos militantes não estão blindados contra as ideologias reacionárias e opressoras que predominam na sociedade. Para nós atitudes transfóbicas vão contra a nossa moral, porque nos divide, semeia desconfiança e não nos ajuda a construir o nosso objetivo estratégico: a libertação da classe trabalhadora através da revolução socialista e o fim de toda forma de opressão.

O PSTU é um partido que tem como princípio a luta contra TODAS AS FORMAS DE OPRESSÃO, e nossa organização é composta por oprimidos e explorados. Nos colocamos na linha de frente do combate árduo e cotidiano ao machismo, racismo e LGBTfobia, caminhando lado a lado e organizando a luta contra a exploração e opressão no capitalismo.

Compreendemos que, assim como as mulheres trabalhadoras sofrem a opressão duplamente, as mulheres Trans também sofrem, senão até mais, e isso deve ser reconhecido. A grande maioria da população Trans sofre várias opressões que podemos caracterizar como violência, que vai desde a rejeição familiar e consequente expulsão de casa, falta de políticas públicas para o nome social e alteração do nome civil, a extrema dificuldade em concluir os estudos devido ao preconceito sofrido nas instituições de ensino, até as enormes barreiras para a cirurgia de mudança de sexo no SUS. A opressão e a exclusão social sofrida pelas pessoas Trans, as obrigam em grande parte, à sobreviverem através da prostituição e de empregos precarizados.

Temos clareza de que a emancipação completa das mulheres e de todos os oprimidos não será uma luta vitoriosa se não for coletiva e dotada de um programa revolucionário, por essa razão, acreditamos que a autocrítica pública do nosso militante é a melhor forma de mostrar como a nossa organização lida com essas situações, por que esta prática não condiz com o nosso programa, queremos seguir nessa luta de maneira fraterna, com aqueles que se colocam do mesmo lado de nossa trincheira. 

Com base neste programa e em nossos princípios, nos colocamos à disposição da camarada Bruna e de todos oprimidos para fazer o enfrentamento contra a transfobia e nos solidarizamos com a sua luta que também faz parte da nossa.

Saudações fraternas e revolucionárias. PSTU-CURITIBA.

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