19 de fevereiro de 2014

CARTA DE RETRATAÇÃO A COMPANHEIRA BRUNA IMAI.

Por Afonso Reno*

No último final de semana a companheira Bruna Imai tornou público um desabafo e uma denúncia sobre várias situações de opressão que sofreu partindo da UFPR, por uma ativista da ANEL e eu militante do PSTU. Por conta desse fato grave venho a público me retratar com a companheira pelo caso que ocorreu e que infelizmente não foi devidamente respondido, nem tratado de forma aberta, como eu e minha organização, o PSTU, estamos fazendo agora. As discussões e medidas internas seguirão dentro da organização, que possui meios e organismos que servem para a discussão e aplicação de medidas educativas para os militantes.

Em primeiro lugar quero demonstrar profundo arrependimento e lamentar que infelizmente esse tipo de situação ocorra dentro dos que são ativistas e militantes dos movimentos sociais e estudantis. Atitudes e atos como os que ocorreram vai contra os princípios, a moral e o programa da organização que faço parte. O programa dos revolucionários consiste na luta implacável contra todas as formas de opressão e contra o capitalismo que se utiliza delas para manter sua dominação de classe. Infelizmente, mesmo os que lutam não estão imunes a isso...

Independente do grau da opressão evidenciada, seja por uma agressão, uma ideia afirmada ou mesmo uma brincadeira supostamente inofensiva, a ferida aberta em quem sente todos os dias na pele o que é não ser aceito como se deseja, não é algo que se possa medir e reparar. Cometi um erro estúpido que palavras por mim proferidas, independente de como foram usadas, agrediram e oprimiram uma ex militante da organização que faço parte, e apesar de pedidos de desculpas e arrependimento, fica a impossibilidade de reparação da dor de quem se sentiu oprimida. Mas é através dessa compreensão pessoal sobre uma atitude cometida carregada de transfobia e machismo, e no reconhecimento de meu erro é que busco a superação. A luta contra todas as formas de opressão se dá no terreno da ideologia e da política, mas também da minha própria auto educação.

Somos construídos no seio da sociedade capitalista, permeada por falsas ideias que aprisionam homens e mulheres para viverem e se relacionarem de modo a propagar-se a exploração e opressão do dia a dia. Só a libertação dessas falsas ideias, a busca do desenvolvimento humano e a luta cotidiana contra o ato de explorar e oprimir pode elevar-nos a outro tipo de construção que seja verdadeiramente humana. Sigo com a certeza de que o PSTU trabalha todos os dias para a construção de uma sociedade livre das opressões e da exploração. Até lá temos muito a fazer no caminho da revolução socialista mundial. E desejo estar ombro a ombro com aqueles e aquelas que lutam, mulheres, homossexuais, transexuais, negros e negras, da classe trabalhadora. Todos os dias, até a vitória, sempre.

*Afonso Reno
Juventude do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Fevereiro de 2014.

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