20 de novembro de 2013

20 de novembro, o dia da consciência negra



Guilherme Jansen, pela Juventude do PSTU de Curitiba
Os 464 anos desde o primeiro registro de tráfico de negr@s ao Brasil, são pagos com ações afirmativas, como o feriado do dia 20 de novembro ou as cotas para entrada de negr@s na universidade. Essas ações visam eliminar desigualdades historicamente acumuladas. Porém, não é assim que funciona na prática. Por exemplo, a entrada
da negra e do negro na universidade: as vagas estão aí, entretanto depois de tantos anos de exploração, ficaram a margem a da sociedade, tendo os piores empregos, morando nas favelas e por consequência  estudando em escolas precarizadas, o que muitas vezes impede o acesso de negr@s ao ensino superior, apesar das cotas. Para além disso, outro problema é a assistência estudantil, como estar em uma universidade se não existe creche para o filho da jovem negra? Como estar em uma Universidade se o jovem negro não tem dinheiro para comer ou para pagar o transporte público? Por isso é de extrema importância debater os 10% do PIB para educação pública já! E uma política de ingresso de negr@s na universidade que contemple a assistência de verdade!
O dia da consciência negra foi criado no dia da morte de Zumbi dos Palmares, a fim de lembrar d@s negros e negras que resistiram a escravidão, e discutir temas como: negr@s na sociedade, inserção de negr@s no mercado de trabalho e a discriminação. Porém o Tribunal de Justiça do Paraná cancelou o feriado na cidade de Curitiba, cidade com maior número de negr@s da Região Sul, chegando a mais de 344.105 negros e negras desrespeitadas para servirem a elite branca dos comerciários, que alegou prejuízo de 160 milhões de reais. É uma vergonha que a população afro-descendente sofra mais esse caso de racismo institucional. É um absurdo que se negue o acontecimento desse feriado quando negras e negros vêm sendo explorados por séculos, quando uma mulher negra recebe 1/3 do salário de um homem branco pela mesma função, quando um jovem negro é chamado de burro por ter entrado na universidade pelo sistema de cotas, quando uma mãe negra não pode estudar por não ter com quem deixar seus filhos, ou quando a polícia criminaliza e mata  um pai de família negro.
A conclusão que podemos tirar é que a justiça do Paraná serve a elite curitibana que não precisa de mais um feriado, pois vive da exploração do trabalho de outros, e principalmente de negr@s. Por isto repudiamos o pedido da Associação Comercial do Paraná de suspensão do feriado e repudiamos a decisão da justiça do Paraná, e convidamos a juventude negra de Curitiba, além dos movimentos sociais e os coletivos Quebrando Muros, Outros Outubros Virão, Germinal, Juntos e outros a porem suas caras na rua e construirem juntamente com a juventude da periferia e com tod@s que compreendem a importância da luta a Marcha Nacional da Periferia no dia 20 de Novembro, unificando com os outros atos e com movimentos já programados para esse dia.

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