20 de agosto de 2013

Um milhão e meio de jovens, a nossa “Geração à Rasca”

Eric Gil, pelo PSTU de Curitiba
O mundo ainda está na mesma crise da economia capitalista iniciada em 2008, com o estouro da bolha imobiliária nos EUA, e posteriormente passada para uma crise da Zona do Euro. O Brasil não escapou, permanece com um
crescimento capenga, chegando, até mesmo, a ter um crescimento negativo, em 2009, de -0,2%, e no ano passado tendo crescido apenas 0,9%, ou 0,1% se considerarmos em termos per capita.
Mas há uma parcela da sociedade que sofre ainda mais com esta crise econômica, a juventude em todo o mundo. Na Europa já é conhecida as grandes taxas de desemprego entre a juventude, chegando até ao dobro da taxa geral de desemprego. Na União Europeia, o desemprego entre jovens até 25 anos é de 23%, enquanto que em trabalhadores acima dos 25 é de 9,1%. Os dois casos mais gritantes são os da Espanha e da Grécia, com 53,2% e 55,3% de taxa de desemprego, respectivamente, segundo dados da Eurostat.
No Brasil, apesar da crise ainda não ter atingido tal qual a Europa ou os EUA, a nossa juventude não escapa. Ao final de 2012, quando a taxa de desemprego foi de 4,6%, a menor da série histórica do IBGE, a juventude entre 18 e 24 anos estava com uma taxa três vezes maior, chegando a 13,7%.
Apesar de ser importante também caracterizar o tipo de novos empregos que surgiram na década de 2000, precarizado (grande parte sendo temporário ou terceirizado) e com salários sendo de até 1,5 salário mínimo.
Focaremos neste artigo, em uma discussão ainda mais específica, a parcela da juventude conhecida pelos economistas como os “Nem-Nem-Nem”, os que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego, aquela parcela que mal iniciou a vida e já perdeu suas expectativas quanto ao futuro dela.
A Geração à Rasca na Europa e no Brasil
Este processo já é conhecido na Europa. Em 2011 houve uma série de manifestações em Portugal e em outros países europeus que se denominaram “Geração à Rasca”, a geração perdida que não tinha mais perspectiva de trabalho e futuro. Mesmo possuindo graduações e até mesmo pós-graduações, não havia lugar no mercado de trabalho para eles, o que os jogavam para uma ociosidade e um empobrecimento preocupante.
Segundo estudo da pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joana Monteiro, intitulado de "Os Nem-Nem-Nem: Exploração Inicial Sobre um Fenômeno Pouco Estudado", 1,5 milhão de jovens brasileiros estão nestas condições, quase 1% da população do nosso país. A nossa geração à rasca. E o número aumenta! Em 2011 este grupo equivalia já a 10% da população desta faixa-etária, contra 8%, em 2006. O estudo exclui, por exemplo, donas de casa, o que faria saltar a quantidade de jovens nestas condições para 4 milhões, chegando a 17% do total desta faixa-etária.
O perfil desta juventude é de famílias pobres, sendo 46% deles pertencentes à parcela 40% mais pobre do país, e de jovens com até cinco anos de estudos, 20% do total. Com este perfil parece que uma saída para ela está ainda mais difícil, com baixa qualificação e baixa renda, um emprego digno parece ser um sonho distante.
A falsa taxa de desemprego do IBGE
O governo contabiliza estes jovens no número que o IBGE divulga do desemprego? Não!
Para o IBGE, quem tiver trabalhado, mesmo que de graça, na semana da pesquisa, não está desempregado. Outro critério a se considerar é que, se você também não tiver procurado emprego, por qualquer que seja o motivo (inclusive por desistência, como no caso discutido acima) você não é considerado um desempregado.
Por isto temos contrastes imensos entre distintas instituições na contabilidade da taxa de desemprego no Brasil. O IBGE, órgão que faz a pesquisa oficial para o governo, contou, por exemplo, com uma taxa de desemprego, em janeiro deste ano, de 5,4%, enquanto que o DIEESE, entidade ligada a sindicatos trabalhistas, divulgou (por diferenças de alguns parâmetros) taxa de 10%, praticamente o dobro.

E então, se incluíssemos estes 1,5 milhão de jovens nesta contabilidade? E se incluíssemos as jovens que se intitularam donas de casa? E as pessoas que só vivem de “bicos”? Estes números somados revelariam uma taxa de desemprego maior, demonstrando que a situação do Brasil não está tão boa quanto o IBGE nos faz pensar.

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