2 de julho de 2013

Senador do PSOL se reúne com Dilma e declara apoio ao plebiscito

Randolfe Rodrigues (PSOL) legitima a manobra do governo para distrair a atenção das verdadeiras reivindicações das ruas



Randolfe foi o único senador da oposição chamado a conversar com a presidente. Líderes dos partidos da oposição de direita, como o PSDB, já haviam sinalizado que não responderiam a um eventual convite. Na verdade, o senador sequer chegou a ser convidado pelo Planalto mas, por iniciativa própria, contatou o governo tão logo soube pela imprensa do interesse do governo em se reunir com setores da oposição. “Eu me adiantei, para que não fosse incluído na mesma reunião das outras lideranças de oposição. Recebi então uma ligação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do chefe de gabinete de Dilma agendando o encontro", declarou ao Portal G1.O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) se reuniu com a presidente Dilma nesse dia 1º de julho para apoiar a proposta de plebiscito sobre reforma política anunciada pela presidente na semana anterior. Estiveram ainda na reunião o vice-presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Savatti.
Na reunião com Dilma, o senador do PSOL apoiou a iniciativa do plebiscito sobre reforma política, legitimando a manobra do governo em distrair e desviar as reais reivindicações colocadas pelas manifestações nessas semanas.  O senador afirmou representar o "ponto de vista defendido pelo PSOL", apesar das declarações contrárias de outros membros da direção do partido. A proposta apresentada pelo senador fala sobre revogabilidade dos mandatos, voto em lista proporcional, fim do foro privilegiado e o fim da reeleição. Significativamente, nada falou sobre a redução dos salários dos parlamentares.
Manobra para conter os protestos
Mais grave que isso, porém, foi o papel cumprido por Randolfe de legitimar a tentativa do governo de distrair e canalizar as reivindicações colocadas pelas manifestações para uma pauta que nada tem a ver com os protestos. Quando o governo do PT, acuado pelas mobilizações das ruas em junho, vive sua maior crise, a maior figura pública do PSOL vem ajudá-lo.

A proposta a ser levada a voto pelo governo contempla, basicamente, um programa típico da direita, que pode levar o sistema eleitoral a um verdadeiro retrocesso reacionário, como é o caso do voto distrital e da cláusula de barreira. Um programa típico da direita e de partidos como o PSDB. Apesar da forma aparentemente democrática, a medida nada tem de progressiva.
"Não é só a classe política que tem que ser consultada, o povo também", chegou a afirmar Dilma ao defender o plebiscito. No entanto, resta a pergunta: por que não "ouvir o povo" sobre as questões que realmente estavam colocadas nas ruas? Por que não consultar a população sobre as privatizações, inclusive a do Maracanã? Ou os recursos que vão para o pagamento da dívida pública ao invés de serem investidos em saúde, educação e transportes? Questões que Randolfe não levantou na oportunidade que teve.
Macapá
A atitude de Randolfe Rodrigues provocou críticas dentro do próprio PSOL, apesar de o senador fazer parte da corrente majoritária da atual direção do partido. Isso, porém, está longe de ser novidade. Nas eleições do ano passado, ele formou uma aliança com partidos da direita ao redor da candidatura de Clécio Luís (PSOL) à prefeitura de Macapá. A direção do PSOL, mesmo com críticas iniciais, sempre acaba por aceitar as posições de Randolfe como “táticas”, como fez nessas eleições. Mas no balanço votado pela direção do PSOL, as alianças de Randolfe foram afinal consideradas corretas.

A prefeitura da capital do Amapá, aliás, já dá sinais do caráter do governo gerado por essa aliança com a direita e empresários. Macapá, assim como o resto do país, foi tomada pelos protestos protagonizados pela juventude contra as tarifas do transporte público. No entanto, o prefeito não só não atendeu à reivindicação do passe-livre, a mesma que Randolfe acabou de fazer à Dilma, como os estudantes sofreram brutal repressão da Tropa de choque da Polícia Militar do estado.
A prefeitura de Clécio, aliás, resistiu até o último momento em repassar a desoneração do PIS/Cofins implementado pelo Governo Federal às passagens de ônibus da cidade. Só reduziu meros R$ 0,20, de R$ 2,30 para R$ 2,10 nesse dia 1º, após muitos protestos que balançaram Macapá, e ainda por cima desonerando as empresas de transporte com os impostos municipais.  Tudo o que o PSOL condena no resto do país é aplicado pelo PSOL em Macapá, com apoio da direção nacional do partido.

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