5 de junho de 2013

POR QUE APOIAMOS A OCUPAÇÃO INDÍGENA DA SEDE DO PT EM CURITIBA?

Nota Pública do PSTU - Paraná
Um grupo de aproximadamente 30 índios da tribo Kaingang ocupou na manhã desta segunda-feira (3) o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná em Curitiba. Eles viajaram durante a madrugada do município de Mangueirinha, no sudoeste do Estado, até a capital e protestaram, com toda razão, contra a postura da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT) (pré-candidata a Governadora do Estado) que no último dia 7 – a pedido do Governo Dilma (PT) – anunciou a suspensão da demarcação de terras indígenas no Paraná.
PT E AGRONEGÓCIO NO PARANÁ: UMA RELAÇÃO DURADOURA E ESTÁVEL
Não é de hoje que nós do PSTU denunciamos a relação promíscua do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná com o Agronegócio. Já alertávamos à base desse partido sobre o perigo dos conchavos políticos que culminaram no apoio ao candidato Osmar Dias (PDT), reconhecidamente ligado aos fazendeiros do estado. Muitas direções sindicais, inclusive, foram “de mala e cuia” para a campanha eleitoral chamar voto no fazendeiro sob o triste argumento de “mal menor”.
Agora, os ruralistas pediram a suspensão de todos os processos de demarcação e foram prontamente atendidos por Gleisi Hoffmann (PT) e Dilma (PT). Embora neguem, a ação encabeçada por Gleisi tem claros contornos eleitoreiros, já que, provavelmente, vai buscar o financiamento de fazendeiros da região para sua campanha pra governadora em 2014. Recentemente, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, criticou os atuais critérios para a demarcação de terras indígenas durante audiência da bancada ruralista no Congresso. Ela propôs a criação de um novo sistema de demarcação que tira poderes da FUNAI e envolve a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), órgão público, mas próximo ao agronegócio, demonstrando a intenção de ingerência direta nas terras indígenas.

INDÍGENAS DENUNCIAM TENDÊNCIA DE AUMENTO DA VIOLÊNCIA, PRECONCEITO E MORTES!

Em nota, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) afirma que “o governo brasileiro demonstra íntima sintonia com os interesses ilegítimos e ilegais da bancada ruralista e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) que buscam o estabelecimento de uma moratória absoluta nos procedimentos demarcatórios no país”. E alerta: “o aprofundamento da retração nos procedimentos de demarcação das terras indígenas decorrente dessa iniciativa irá potencializar os conflitos fundiários envolvendo os povos detentores do direito e os ocupantes de boa ou má fé destas terras”.

Nos últimos dias acompanhamos o assassinato de um indígena Terena durante uma reintegração de posse executada pela Polícia Militar e Federal na fazenda Buriti, município de Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. A violência e o número de mortes tende a aumentar também no Paraná, principalmente no Oeste (Guairá, Mal. Rondon, Palotina, Terra Rocha, etc.) e Sudoeste (região de Mangueirinha) entre indígenas e latifundiários, regiões onde já começa a se desenhar conflitos.

Com essa medida o Governo Dilma e o PT do Paraná, através de sua principal figura pública (Gleisi Hoffmann), assinam a sentença de morte das nações que hoje vivem em territórios já muito reduzidos. O governo petista se torna responsável pelos conflitos, assassinatos e extermínio dos indígenas, processo a que já estamos assistindo nas aldeias Guarani-Kaiowá, Kaingang e nas etnias presentes em Belo Monte, entre outros, que já vivem encurralados por jagunços de fazendeiros. Esse processo tende a se estender pelo interior do Paraná, principalmente no Oeste e Sudoeste do estado.


Nesse sentido apoiamos a ocupação indígena da sede do PT de Curitiba e defendemos:
TODO APOIO A CAUSA INDÍGENA!
BASTA DE LATIFÚNDIO E AGRONEGÓCIO!
DEMARCAÇÃO DAS TERRAS JÁ!
CHEGA DE PRECONCEITO, VIOLÊNCIA E ASSASSINATOS CONTRA INDÍGENAS!

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