28 de dezembro de 2012

Cresce o apoio e a solidariedade internacional à Revolução na Síria


Cresce o apoio e a solidariedade internacional à revolução na Síria

Em Curitiba, ato em solidariedade à revolução na Síria, realizado na praça que tem um busto de Hafez al Assad, pai do ditador Bashar al Assad, atraiu a imprensa e retirou das sombras os anacrônicos defensores da ditadura


Curitiba é provavelmente a única capital do país que homenageia a ditadura da família Assad em uma de suas praças. Ao lado do Terminal do Portão, há um busto do ex-presidente da Síria Hafez al Assad (1930-2000), pai do atual ditador Bashar al Assad, que neste momento está promovendo um massacre sem precedentes contra a população de seu país, em que já morreram mais de 45 mil pessoas, entre elas 4.000 crianças. Trata-se de uma tentativa sanguinária de sustentar o regime ditatorial e de conter a revolução popular.
A imprensa brasileira tem feito a cobertura padrão desses eventos: limita-se a repetir a análise das agências internacionais de informação do imperialismo. Ora afirma que o conflito se resume a uma guerra civil entre etnias árabes (sunitas vs. alauitas), ora afirma que se trata da repressão do regime contra “oposicionistas estrangeiros que pegaram em armas” para derrubar o governo. Na realidade, porém, o conflito na Síria não é nem uma coisa, nem outra: trata-se de uma revolução, parte indissociável das revoluções do Norte da África e do Oriente Médio. Revoluções que estão derrubando um por um os regimes ditatoriais apoiados e financiados pelo imperialismo de seus aliados externos – EUA, Europa, Rússia – com o fim de assegurar seus interesses políticos, econômicos ou estratégicos na região. A revolução na Síria, que está sendo ferozmente combatida pela ditadura da família Assad, é parte indissociável da vasta transformação histórica a que se convencionou chamar de A Primavera Árabe.

A Revolução Síria precisa do seu apoio!
O movimento de solidariedade à revolução na Síria é internacional. No Brasil, a CSP-Conlutas realizou debates nas principais cidades do país com a presença da ativista síria exilada Sara Al Suri. Em Curitiba, o debate foi realizado na sala Homero de Barros, do Setor de Educação da UFPR, e contou com o apoio e a participação de aproximadamente 140 pessoas, incluindo ativistas independentes, dirigentes do ANDES-SN Regional Sul, Sinditest-PR, Adunicentro, militantes de distintas organizações e partidos políticos, representantes independentes das comunidades árabe e muçulmana e refugiados da perseguição política em seus países.

Debate: A Primavera Árabe e a Revolução na Síria. Na mesa, da esquerda para a direita: Maria Suely Soares (Andes-SN Regional Sul), Mariane de Siqueira (CSP-Conlutas), Sara Al Suri (ativista da Síria exilada no Líbano), Aldo Cordeiro (PSTU/LIT-CI) e Carla Cobalchini (Sinditest-PR).


A partir da realização desse debate, teve início a articulação para a promoção de atos de protesto e manifestações de solidariedade nos espaços públicos da cidade. O primeiro deles foi realizado no dia 18 de dezembro, na praça ao lado do Terminal do Portão. Esta manifestação foi organizada por ativistas independentes, militantes da CSP-Conlutas, do PSTU, do Partido Pirata, Movimento Mulheres em Luta e Movimento Luta Popular. Ocorreu simultaneamente com um ato em São Paulo, que contou com a presença de diversos representantes da comunidade árabe e síria.
A intenção do ato, além de prestar solidariedade à revolução, era lançar publicamente um movimento pela retirada do busto de Hafez al Assad da praça e rededicar a praça ao povo sírio, e não a seu algoz.
É inadmissível que Curitiba preste uma homenagem a um regime ditatorial sanguinário. Se o ex-prefeito do PFL (DEM) Cassio Taniguchi desejava homenagear a ditadura Assad, o problema é dele. Mas nenhuma política de homenagens públicas ou de memória histórica nos espaços públicos deve seguir a política sectária ou partidária ou alianças de interesses imediatistas ou pecuniários. O espaço público não pode ser leiloado em homenagens casuístas a financiadores de campanha ou patrocinadores sectários.
Nem o DEM, nem o PSDB, nem Cassio Taniguchi têm um mandato para falar em nome da memória histórica de Curitiba. É uma vergonha para a nossa cidade que este busto permaneça em pé, pois muito em breve a ditadura síria cairá, e Assad será reconhecido apenas como mais um ditador que praticou crimes contra a humanidade para defender seus interesses particulares e manter o status quo no Oriente Médio.

Em Curitiba, quem são os defensores do regime de Bashar Al Assad?
O jornal Gazeta do Povo divulgou no dia seguinte ao ato uma reportagem afirmando que o grupo de ativistas que realizou o ato pela retirada do busto de Hafez al Assad “não tinha ligações com a Síria”. De fato, jamais houve qualquer ligação dos ativistas que defendem que a Praça do Povo Sírio tome o lugar da Praça Hafez al Assad com o regime ditatorial da Síria. Ao contrário daqueles que se pronunciaram em defesa do ditador, da ditadura e dos massacres que ela vem promovendo ao longo das últimas quatro décadas, que se arvoram em representantes oficiais de uma ditadura que já perdeu toda a legitimidade política interna e internacional, a ligação mais direta dos ativistas curitibanos que manifestaram sua solidariedade com o povo sírio consiste no apoio aos refugiados e ativistas sírios que escapam dos massacres cotidianos e sustentam a luta popular por liberdade e dignidade.
Por outro lado, como os sírios que apoiam a revolução são em sua maioria refugiados e perseguidos, obviamente não poderiam aparecer em praça pública para serem insultados, agredidos e ameaçados pelos agentes do regime sírio que lá compareceram, não para dialogar com a população curitibana sobre a praça, e sim para identificar os ativistas presentes e reportar diretamente suas identidades e perfis para as redes de informação da ditadura síria. Entretanto, e a despeito das ameaças que esses agentes ditatoriais importaram para Curitiba (acreditando que a ditadura brasileira havia voltado ou que a ditadura síria teria foro privilegiado em Curitiba), manifestaram seu apoio à realização desse primeiro ato de protesto e solidariedade à revolução síria, além das organizações citadas, diversas organizações de direitos humanos e entidades representativas de uma base plural – adultos e jovens, mulheres e homens, trabalhadores e estudantes, brasileiros e estrangeiros, curitibanos natos e imigrantes – o exato oposto da base homogênea dos defensores da ditadura, em sua totalidade comerciantes sequer de origem síria, mas sim de origem libanesa, ligados todos à mesma igreja (cristã ortodoxa) e ao mesmo partido, o SNNP [1], que professa apoio incondicional à ditadura síria, assim como apoiava a ocupação síria do Líbano.
Os defensores da ditadura: diziam ser 30, mas em todas as fotos não se veem mais que uma magra dúzia, incluindo passantes curiosos e apenas 4 comerciantes curitibanos de origem libanesa, e uma maioria agentes do governo federal (PT e PCdoB) e um representante autodeclarado (mas não reconhecido) do partido minoritário no governo palestino (Fatah).
Normalmente, nenhum capitalista apoia revoluções, pois a revolução desperta a revolta dos trabalhadores contra os patrões, contra a exploração e contra o regime político que sustenta essa exploração. Por isso, é natural que os comerciantes da comunidade “sírio-libanesa” se mantenham fiéis ao regime de Assad. Jamais a combinação dessas duas origens – sírio-libanês – esteve mais questionada do que neste momento, em que os imigrantes de origem libanesa demonstram apoio incondicional à repressão sanguinária aos sírios e à nostalgia que sentem da época da ocupação síria do Líbano. No entanto, como comerciantes que são, pensando sobretudo em seus lucros, se os senhores que aparecem na foto acima estivessem na Síria, não estariam de modo algum combatendo nas fileiras de Assad e muito menos demonstrando publicamente suas afiliações políticas em face da repressão, mas sim explorando o povo faminto das cidades sitiadas e arruinadas pelos bombardeios, vendendo o pão, a água e o gás de cozinha a preço de ouro.
Foi essa mentalidade oportunista de quem era perseguido até há pouco mas que agora vê enormes oportunidades de ganho ao se sentir participante da perseguição, numa expressão de arrivismo estimulada pela ação indispensável do PCdoB e do PT, o que produziu a bizarra concentração de indivíduos de meia-idade em torno do busto de Hafez al Assad que vemos na foto acima – raivosos, arremessando pedras contra seus concidadãos, em plena praça pública curitibana, na defesa de uma estátua de bronze. Armados com fotos do ditador sírio, meia-dúzia de bandeirolas do regime e um arsenal de palavrões e xingamentos, além de insultos racistas, sexistas e homofóbicos, alcançaram o êxito que buscavam: fizeram do busto de Hafez al Assad um altar, cobriram-no com libações e beijos, dançaram em torno do monólito e tiraram fotos para enviar às redes de informação da ditadura síria, para comprovar sua lealdade.
Da parte dos que protestávamos contra o culto à personalidade de um ditador cujo regime continua a massacrar centenas de pessoas diariamente e em favor de uma homenagem da cidade de Curitiba ao povo sírio e não àqueles que o assassinam, de nossa parte, apesar das ameaças de agressão que sofremos (incluindo ameaças de morte contra alguns ativistas pela internet), o protesto foi uma vitória pacífica, sem ceder em momento algum às provocações desses indivíduos.
No fim do dia, o busto do Assad pai deixou de ser um altar, voltou a ser a homenagem contestada e ilegítima que sempre foi, com um nariz de palhaço e com um cartaz com as cores da revolução síria, e na praça figurava uma faixa que a dedicava ao Povo Sírio, e não ao seu ditador. Além disso, é a figura real do Assad filho que será muito em breve removida pela revolução na Síria.

O vergonhoso papel do governo brasileiro e o sequestro da causa palestina
É importante observarmos que o governo brasileiro (PT) tem cumprido o papel de quinta-coluna do imperialismo nos assuntos de política externa (não apenas do imperialismo norte-americano ou europeu, mas servindo também às ambições da China, da Rússia e do Irã). Nem Lula nem Dilma Rousseff foram jamais capazes de condenar os regimes ditatoriais do Oriente Médio. Frente à Revolução no Egito ou na Líbia, a diplomacia brasileira sempre se limitou à posição mais covarde possível, buscando sustentar (com a timidez dos covardes) todas as possibilidades de seguir apoiando o status quo dos poderes ditatoriais enquanto fosse viável. Não foram expulsos do país os representantes do regime decadente de Kadafi, na Líbia, ou de Mubarak, no Egito.
Vale lembrar ainda que o sentido da mobilização reacionária dos agentes favoráveis ao regime foi o de levantar uma cortina de fumaça, sequestrando a causa palestina para, com ela, acobertar os crimes praticados por pai (Hafez) e filho (Bashar) não apenas contra os sírios, mas também em grande medida contra os refugiados palestinos na Síria.
Esses senhores que fizeram o culto público da imagem de seu ditador-ídolo, estavam acostumados a fazer demonstrações dessa natureza escondidos no quintal de sua igreja, mas, agora, diante da mobilização de denúncia dos massacres da ditadura síria, foram obrigados a assumir publicamente sua face de apologistas da ditadura, reverenciadores quase patológicos da figura santificada e idolatrada de um ditador que dizimou o povo sírio. Já não podem mais sequer mentir sobre o tamanho do grupo que apoia a ditadura em Curitiba. Quando faziam atos escondidos, apenas para veicular mensagens de apoio à ditadura nos jornais do próprio regime, podiam dizer que havia centenas de pessoas em Curitiba a favor de Assad. Agora, que tiveram de sair ao sol, demonstraram não passar de meia-dúzia e tiveram de engrossar suas fileiras com uma convocação mentirosa, como se o seu ato fosse em defesa da Palestina, e não em defesa do assassino de palestinos e sírios.
Finalmente, destacamos que em vez de procurar um diálogo com as autoridades locais e com as lideranças que questionam o monumento em homenagem a Hafez al Assad, esse grupo de apoiadores da ditadura não faz nada mais do que enviar relatórios às agências de informação e propaganda do regime, como verdadeiros serviçais que prestam contas a seus patrões e patrocinadores.

Próximas ações do movimento
A vitória iminente da revolução na Síria, com a queda de Assad e a instalação de um regime democrático, terá repercussões poderosas, que vão mudar a História. Trará esperanças e um novo alento para a luta do povo palestino, ajudará a Revolução no Egito e despertará novas gerações de ativistas do mundo inteiro para a luta contra a exploração, contra a opressão e pela transformação da realidade em que vivemos.
A partir de janeiro de 2013, começaremos a articulação de um novo ato na praça do Terminal do Portão. É possível que até lá a revolução já tenha vencido, mas mesmo assim exigiremos dos novos vereadores e do novo prefeito de Curitiba que assumam posição em favor da ditadura ou do povo sírio que luta contra ela. Voltaremos à praça exigindo que o busto de Hafez al Assad seja removido e que em seu lugar seja construída uma homenagem ao povo sírio e à sua grandiosa revolução.

Curta as páginas da Revolução Síria no Brasil e da Praça do Povo Sírio no Facebook e faça parte do nosso movimento. Junte-se a nós! Participe das próximas atividades!

Fora Assad! Não à intervenção imperialista!

Viva o Povo Sírio! Viva a Síria Livre!

Viva a Revolução na Síria! Viva a Primavera Árabe!

Assinam:

Ativistas independentes, PSTU, Partido Pirata, CSP-Conlutas, ANEL, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Luta Popular

__________________
[1] SSNP: um partido libanês de inspiração fascista, que defende o expansionismo nacionalista e se apoia numa base étnica homogênea e sectária, que havia sido banido na Síria pelo próprio ditador que ora defendem e que somente a partir de 2005 voltou a ser tolerado pelo regime, que buscava se legitimar pelas comunidades libanesas e emigradas, já que lhe escapava a legitimação do próprio povo sírio.

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