23 de novembro de 2012

Todo apoio aos trabalhadores da Copel – Contra a repressão policial!

Trabalhador da Copel durante a
manifestação (Fonte: Senge-PR)

Na manhã desta quinta-feira (22/11), os funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) realizaram manifestações em várias cidades do estado contra a proposta de reajuste salarial apresentada pela companhia. A direção da Copel propôs um reajuste de 5,58%, índice próximo à previsão da inflação para 2012 e que, portanto, mal cobriria as perdas inflacionárias, além de não oferecer nenhuma perspectiva de ganho real aos trabalhadores.
Se, por um lado, a direção da Copel apresenta aos trabalhadores uma proposta de reajuste salarial ridícula, por outro, a empresa tem se transformado em uma fonte de altos rendimentos aos acionistas privados e àqueles que ocupam os cargos de confiança do governador Beto Richa (PSDB). Para se ter uma ideia, de acordo com Ulisses Kaniak (presidente do Senge-PR, Sindicato dos Engenheiros do Paraná), a empresa aumentou entre 25% e 35% as fatias de lucros destinadas aos acionistas, além de aumentar em 60% os gastos com a direção nestes últimos dois anos. Como se não bastasse, cabe lembrar que, no início do ano, a Copel adquiriu um avião no valor de R$ 16,9 milhões, que está à disposição do governador.
Segundo o Senge-PR, as manifestações reuniram cerca de 300 trabalhadores em Cascavel, 250 em Londrina, 200 em Maringá, 200 em Ponta Grossa, 50 em Cornélio Procópio, além de cerca de 80% dos trabalhadores em Francisco Beltrão, Toledo e Pato Branco e de 100% em Paranaguá. A adesão da categoria está sendo a maior desde 1989, em uma demonstração da insatisfação dos trabalhadores com os rumos da COPEL, que apesar de ser uma empresa pública, se encontra prioritariamente nas mãos de acionistas privados, tendo sofrido duros golpes neste ano devido às especulações na bolsa de valores.
PM reprime duramente a manifestação em Curitiba.
PM rouba caixa de som dos
manifestantes (Senge-PR)
Em Curitiba, cerca de 800 trabalhadores compareceram à manifestação em frente à sede da Copel, no bairro Batel. Os trabalhadores fecharam a Rua Coronel Dulcídio mostrando à população sua insatisfação, com apitos, buzinas, cartazes e intervenções utilizando um equipamento de som. A manifestação ganhou apoio popular, expresso através das buzinas dos automóveis que circulavam pela região. Porém, nem todos ficaram ao lado dos trabalhadores. Inesperadamente, a Polícia Militar roubou a caixa de som dos ativistas numa atitude comparável apenas aos anos da Ditadura Militar, em que a liberdade de expressão era completamente cerceada. Os trabalhadores tentaram retomar a caixa de som, porém, foram duramente reprimidos pelos policiais que se utilizaram de spray de pimenta, além de ostentarem armamentos pesados, numa demonstração de força totalmente desproporcional ao caráter pacífico da manifestação. Muitos manifestantes foram agredidos e outros quase foram atropelados pela viatura que transportava a caixa de som roubada pela polícia.
Rone reprime estudante em
caminhada pela paz (RICTV)
Infelizmente, este não é um caso isolado: a truculência policial tem crescido em Curitiba. Há duas semanas, uma estudante foi duramente reprimida pela RONE (Rondas Ostensivas de Natureza Especial) em uma caminhada pela paz, organizada por uma torcida de futebol em memória das mortes violentas de outros torcedores. A estudante começou a filmar a ação da polícia, que jogava seus carros para cima dos torcedores, tentando intimidá-los e dispersá-los, quando um policial percebeu que a jovem estava filmando e partiu para cima dela tentando roubar seu celular. Ela resistiu e foi empurrada contra a porta de um estabelecimento comercial, numa atitude extremamente truculenta.
PM e Guarda Civil transformam
Largo da Ordem em campo de batalha
Em fevereiro deste ano, no já tradicional pré-carnaval organizado pelo grupo Garibaldis e Sacis, a Polícia Militar e a Guarda Municipal transformaram o Largo da Ordem em um verdadeiro campo de guerra, utilizando balas de borracha para dispersar a multidão, sob a alegação de que alguns foliões estavam com som alto e que, após uma intervenção dos policiais, teriam atingindo uma viatura com uma garrafa. Com esta desculpa os policiais passaram a agir de modo truculento, agredindo gratuitamente de forma indistinta todos que estavam ali para pular o carnaval.
Policiais despejam famílias
na Vila Sabará
Na Vila Sabará, em março, cerca de 400 policiais militares e guardas civis agiram de modo extremamente truculento ao expulsarem cerca de 600 famílias que ocupavam um terreno que estava abandonado pelo poder público há mais de 30 anos. Os moradores do local foram desalojados de suas casas, sob a repressão de policiais fortemente aramados, como se os trabalhadores que ali moravam fossem criminosos.
Após a implantação das UPS (Unidade Paraná Seguro), a truculência policial se elevou. O número de casos de repressão e das ‘batidas’ policiais, principalmente, contra os setores mais oprimidos da sociedade aumentou consideravelmente. Basta ler os jornais para ver como os governos de Beto Richa (PSDB) e de Luciano Ducci (PSB) têm tratado os problemas sociais, ou seja, como uma questão de polícia. Não é a toa que as UPS estejam instaladas em regiões completamente desassistidas pelos governos estadual e municipal. Ao invés de investir em saúde, educação, moradia e saneamento básico, os governos ampliam a militarização das regiões empobrecidas, criminalizando os movimentos populares.
Repressão durante ato dos
trabalhadores da Copel (Senge-PR)
Estes casos são apenas alguns exemplos das ações truculentas da polícia, porém demonstram suas motivações gerais: criminalização e repressão das manifestações populares, sociais e sindicais. Os trabalhadores e setores populares que não aceitam as imposições de patrões e governos e saem às ruas para se manifestar e lutar por melhores condições de vida correm o risco crescente de serem reprimidos duramente pelas polícias de Richa e Ducci.
O cerceamento da liberdade de expressão e de manifestação, expresso no roubo do equipamento de som dos trabalhadores da Copel, e as demais ações truculentas da polícia devem ser totalmente repudiadas. Não podemos aceitar que o nosso direito de lutar por melhores condições de vida sejam tratados como um caso de polícia! Não podemos aceitar que a polícia reprima setores populares que lutam por condições dignas de vida! Não podemos aceitar que a polícia impeça a organização dos movimentos sindicais na luta por melhores condições de trabalho! Enfim, não podemos aceitar a militarização da sociedade e a criminalização e repressão dos movimentos populares, sociais e sindicais!
Por isso lutamos e expressamos:
  • Todo apoio à luta dos trabalhadores da Copel!
  • Em defesa de uma Copel 100% estatal!
  • Contra a criminalização e repressão dos movimentos populares, sociais e sindicais!
  • Abaixo à militarização da sociedade!
  • Por melhores condições de vida e de trabalho para o conjunto dos trabalhadores!

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