30 de maio de 2012

Pobres Poderes!


Por Renato Lobato
O governo estadual do Paraná está sendo sacudido por um novo escândalo, agora na Secretaria de Segurança Pública. Motivo de polêmica há mais de quase um ano, devido ao tarifaço do DETRAN, que determinou aumento de mais de 200% sobre as taxas deste órgão, sendo justificado pelo Sr. Beto Richa como necessário para se investir na segurança e, em particular na Polícia, agora vem à tona a forma como o estado e a cúpula da Polícia Civil usam as verbas, carros e a estrutura do estado para proveito próprio.
O Escândalo
Novamente um órgão da grande imprensa no estado do Paraná abre os esgotos, demonstrando como os governantes do estado tratam os impostos pagos pelos (as) trabalhadores (as).
Milhões do orçamento estadual que seriam para a segurança pública, seus carros e sua estrutura são usados pela cúpula da Polícia Civil para seu proveito próprio. Nos últimos dias, as fotos de chefes da polícia civil fazendo compras, levando filhos à escola ou até mesmo entrando e saindo de bordeis, jogaram luz sobre a bandalheira dos chefes desta polícia, que nada fez quando os policiais, investigadores e escrivães, flagraram na Mansão do Parolin, uma série de contravenções e provas que políticos e empresários estavam ligados ao local, e ainda estes policiais foram e estão sendo perseguidos pelo fato de darem o flagrante no local.
No interior do estado, a situação é quase caótica, com delegacias de cidades pequenas desativadas. As verbas alocadas para estes locais continuam saindo das contas do Estado, mas não se sabe pra onde foram.
Enquanto a maioria da população trabalhadora nas grandes cidades do estado vive cada vez mais insegura, onde o crime organizado, com claras ligações com setores das mesmas polícias que deveriam combatê-los, vem ganhando uma parcela da juventude pobre para suas fileiras. Não há investimentos em cultura, lazer e educação como opção para esta parcela da população que carece de opções. Pelo contrário, a prefeitura de Curitiba, parceira do governo estadual, acaba de anunciar a privatização dos equipamentos públicos da cidade, tais como Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski, etc, deixando ainda mais elitista os eventos culturais na cidade.
Polícia pra quem e pra quê?
Olhando as notícias de Brasília, onde uma Cachoeira de escândalos, envolvendo um bicheiro e lobistas de grandes empresas e políticos da direita e do governo, ou olhando o atual escândalo na Polícia Civil do Paraná, nos perguntamos: pra que serve a polícia? Ou a policia serve a quem? Isto mesmo, pois se diz que a polícia e o judiciário serviriam para zelar pela lei e pela ordem da sociedade, mas, e quando é ela que está transgredindo a lei, quem a investiga? A corregedoria? Mas no escândalo da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, até a corregedoria usa o carro como quer.
Ou, com o monte de denúncias contra o bicheiro e os políticos envolvidos, por que ninguém é preso? Dificilmente serão, pois tanto o judiciário, polícias, governadores (chefes das polícias) estão envolvidos até o pescoço.
Assim, fica claro que as polícias servem e são bastante eficientes em desocupar bairros, bater em moradores e trabalhadores quando estes tentam dar voz as suas queixas e reclamações diante das omissões dos governos, sejam municipais, estaduais ou federal. Esta mesma polícia, composta na sua maioria por homens e mulheres vindos do seio da classe trabalhadora, quando sentem o peso dos baixos salários e a carestia da vida e tentam também dar voz as suas queixas, são taxados de insubordinados, bandidos e ou extremistas, perseguidos e expulsos da corporação.
São necessárias mudanças profundas nas atuais polícias
Primeiro, a unificação da polícia civil e militar. Segundo, que a população trabalhadora tenha controle sobre as mesmas, seja através dos conselhos comunitários ou outro órgão nas cidades e bairros, pois não pode ser que o policial se ache um ente superior aos trabalhadores comuns, pois não é. Terceiro, que os policiais desta polícia unificada tenham direito a se organizar em sindicatos e associações e direito de manifestação e que esta polícia unificada não esteja a serviço dos governantes de plantão para bater e reprimir a população trabalhadora. E, por último, mas não menos importante, que os próprios policiais e a população trabalhadora elejam os chefes da polícia.

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