6 de abril de 2012

Ato Contra o Machismo na UFPR


Cerca de 100 pessoas compareceram ao Ato Contra o Machismo na UFPR 
Por Mariane de Siqueira, Karen Capelesso e Gabriela Borelli 
da Secretaria de Mulheres do PSTU Curitiba.
Ato contra o machismo na UFPR - 04/04/12
Ato contra o machismo na UFPR - 04/04/12
O Ato Contra o Machismo foi organizado por estudantes, professores e técnicos contrários ao "Manual de Sobrevivência do Calouro", editado e distribuído pelo Partido Democrático Universitário (PDU) no curso de Direito da UFPR.
O "manual" do PDU, intitulado: "Como Cagar Em Cima dos Humanos em 12 Lições", apresenta conteúdo fortemente ofensivo contra as mulheres, utilizando-se de trechos do Código Civil para "justificar" o abuso sexual de calouras que ingressam na universidade.
Em sua defesa, os estudantes que elaboraram o manual sustentam que tudo não passou de uma "brincadeira". É impossível concordar com isso, dado que a violência contra as mulheres não é de forma alguma motivo de piada. Estima-se que, no Brasil, a cada 2 minutos, cinco mulheres são agredidas e a cada 2 horas, uma é assassinada.
Karen Capelesso, pela Secretaria Regional de Mulheres do PSTU, em sua fala no ato, chamou atenção para as práticas machistas presentes desde a formação dos futuros advogados e juristas de nosso estado e deixa claro qual é a prioridade dada pelo Governo e Justiça Estadual na apuração e punição dos casos de agressão que as mulheres sofrem no Paraná:
“Esse caso nos coloca um alerta vermelho, pois não é a toa que o Paraná é um dos estados que mais demora nos encaminhamentos dos casos relacionados à violência a mulher, segundo o próprio CNJ (Conselho Nacional de Justiça), fato que fazem as mulheres não denunciarem a agressão sofrida e muitas vezes se sentirem humilhadas ao recorrerem à justiça. O machismo que está dentro das universidades tem implicações na vida de muitas mulheres estudantes e trabalhadores.”
Estes dados são suficientes para compreender que não existe nenhuma graça em piadas que colocam as mulheres em condições de inferioridade, como se fossem objetos sexuais a inteira disposição dos homens.
O "humor" do PDU se assemelha muito ao "humor" veiculado semanalmente no programa Zorra Total, da Rede Globo, em que personagens tratam a violência sexual como piada, o que, evidentemente, só contribui para a banalização deste tipo de violência. Nos dois casos sobra o machismo, uma ideologia que defende a inferioridade da mulher e sua submissão às vontades dos homens.
A manifestação, que ocorreu nesta quarta-feira (04), demonstrou que os estudantes e professores não permitirão que nenhuma forma de opressão ganhe expressão na universidade e que estarão dispostos a defender suas bandeiras contra o machismo, a homofobia e o racismo.

Por isso exigimos:
Que o Reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, abra imediatamente processo administrativo para punir os responsáveis pela cartilha machista;
Que remeta o caso para o Ministério Público para apurar a possível prática de incitação a violência e apologia ao crime;
Que a reitoria promova uma campanha institucional contra o machismo na UFPR.

Mais fotos do Ato Contra o Machismo na UFPR:

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