1 de fevereiro de 2012

OS SANTUÁRIOS INVIOLÁVEIS E A PRIVATIZAÇÃO DA VIDA PÚBLICA

Avanilson Araújo[1]
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No último dia 28 de janeiro ganhou as páginas dos jornais uma notícia sobre a crise aberta na Polícia Civil do Paraná, com a batida realizada numa mansão no Bairro Parolin, onde funcionava um cassino clandestino.

Comentando a operação policial um dos agentes relatou aos jornalistas que: “vamos derrubar esses santuários invioláveis, em que hoje policiais e fiscais não podem mexer, porque há acordos entre deputados, senadores e empresários com a cúpula [da segurança pública]”, disse. Esses “santuários” acobertariam crimes cujas investigações seriam barradas por superiores hierárquicos.”[2] Os crimes a que se refere o agente são aqueles praticados pelos de cima, pela gente que tem contatos e “muitos amigos” e envolve políticos, empresários e a cúpula da segurança pública.

A mesma matéria cita que de acordo com agentes, um álbum com fotos de políticos do alto escalão e de empresários paranaenses foi encontrado em uma gaveta.” O Delegado Chefe da Polícia Civil do Paraná, subordinada diretamente ao governo do Estado (PSDB), Marcus Vinícius Michelotto, atacou os policiais, acusando-os de milicianos, pois teriam realizado a operação sem a autorização de seus superiores.
Mas nem o Chefe da Polícia Civil, nem o Governador do Estado, Beto Richa, mencionaram uma palavra quanto ao fato de que na mansão funcionasse um cassino ilegal e provavelmente uma casa de prostituição, nenhum deles afirmou uma palavra sobre de quem seriam as fotos dos políticos de alto escalão e de empresários paranaenses que seriam possíveis freqüentadores do local.

Esta ação policial, ao contrário do que geralmente acontece em nossa sociedade, em que bairros da periferia são expostos ao arbítrio de atuações ilegais e abusivas, foi direcionada contra representantes das classes dominantes, não estamos falando aqui do José ou João do bairro, mas de políticos e empresários com influência no governo, no judiciário e na própria segurança pública.

No final da semana passado o Brasil inteiro e o mundo ficaram chocados com a ação ilegal da polícia do PSDB paulista que numa verdadeira operação de guerra contra mulheres, crianças, homens e idosos, efetuou o despejo da maior ocupação urbana da América Latina, o Pinheirinho, em São José dos Campos. Desrespeitando uma ordem da Justiça Federal, o Governador Geraldo Alckmin ordenou que a polícia realizasse um verdadeiro massacre contra aquela população que estava há mais de oito anos na área de mais de 1 milhão de metros quadrados, que pertenceria ao mega especulador financeiro, Naji Nahas.

Há informações de que o terreno teria sido objeto de grilagem pelo grupo econômico vinculado a Nahas, que hoje é uma massa falida que deve mais de 15 milhões para a Prefeitura de São José dos Campos, coincidentemente também governada pelo PSDB.

Nenhuma voz do PSDB ousou se levantar para discutir a legalidade da operação. Já por essas bandas paranaenses o mesmo PSDB classificou a operação dos policiais civis de ilegal, afinal, como bem lembrou o agente, quem deu autorização para entrar em nossos “santuários invioláveis”? Invioláveis porque são os espaços em que os ricos da cidade, políticos, empresários e outros figurões vão gastar o suado dinheiro tirado às custas do povo trabalhador.

Exigimos que seja imediatamente apresentado para a população o nome e a foto de todos os políticos e empresários que foram apreendidas na mansão do Parolin. Afinal, é nosso direito ou não, saber o que fazem aqueles que nos governam?  Além disto, nos solidarizamos com a ação dos agentes da polícia civil e alertamos para que a sociedade fique atenta contra eventuais retaliações de seus superiores hierárquicos.


[1] Advogado, dirigente estadual do PSTU e ex-candidato a governador do Paraná.
[2] Gazeta do Povo. Edição de 28.01.12. Pág.: 4 (Vida Pública).

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