16 de fevereiro de 2012

NOTA DE APOIO DO PSTU À MOBILIZAÇÃO DOS POLICIAIS CIVIS

Policiais Civis do Paraná aprovam 
indicativo de greve (Foto: Fábio 
Alexandre/Tribuna do Paraná)
“Vocês devem aprender com sua experiência que devem desobedecer aos governantes quando são enviados para reprimir o movimento de massas”. (Cyro Garcia, Dirigente do PSTU, sobre a greve dos bombeiros e PM do Rio)

Na noite desta quarta-feira (15) policiais civis do Paraná decidiram em assembléia entrar em greve a partir do sábado de carnaval, avisando antecipadamente que mais uma categoria de trabalhadores, agora ligados à segurança pública, irá cruzar os braços, em greve por salários e contra a política do governo.


Tanto a PM, como a Polícia Civil, são organizados como aparelhos de repressão das classes dominantes contra os trabalhadores. No entanto, a classe dominante, os ricos e donos das propriedades, vão procurar nos trabalhadores, aqueles que irão lhes controlar e reprimir. Esta contradição não se desfaz, pois os policias acabam sendo recrutados nas fileiras da classe trabalhadora, para serem utilizados contra seus irmãos de classe.

O uso das polícias pelas classes dominantes fica evidente como na recente retaliação do governo do Estado contra os policiais civis que estouraram um bordel de luxo, que funcionava numa mansão no bairro Parolin. No local, diversas máquinas caça-níqueis, prostituição de luxo e várias provas do envolvimento de políticos e empresários com esse tipo de crime.

Qual foi a reação das autoridades estaduais: parem imediatamente com as investigações e não se metam em nossos “santuários invioláveis”.  Por outro lado, quando se trata de reprimir a organização dos trabalhadores em suas reivindicações por melhores condições de vida, a ordem de cima é sempre a mesma, reprimir, prender, bater e controlar o movimento de massas.

Nesta campanha salarial justa, que busca recompor direitos suprimidos há vários anos e garantidos inclusive pela constituição, os policiais civis e militares enfrentam o governo que sempre usa o aparato policial do Estado contra as lutas e greves da classe trabalhadora. A lição desta experiência em nosso estado, como também ficou claro na Bahia e no Rio de Janeiro, é que os governantes de nosso país não representam os interesses dos trabalhadores, ao contrário, representam os interesses dos grandes empresários e banqueiros.

Como bem lembrou um dos policiais civis líderes do movimento: “quando se aumentou em mais de 60% os salários dos deputados, secretários e do próprio governador, não tinha nenhum problema orçamentário ou com a Lei de Responsabilidade Fiscal, agora quando é para atender os servidores estaduais, temos um problema de caixa.”

Em nota da agência oficial de notícias do Estado, o governador Beto Richa (PSDB) deu o tom de como será sua reação diante da greve: “A ordem deve ser mantida. Não admito baderna. Os princípios de hierarquia e disciplina têm que ser respeitados. O que ocorreu na Bahia não vai ocorrer no Paraná”.

Os princípios da hierarquia e da disciplina sempre são invocados quando é para se controlar a luta dos trabalhadores, incluindo, a dos próprios policiais.

O PSTU se solidariza com a luta dos policiais civis e militares e, ao mesmo tempo, os chama para uma reflexão: a vitória da campanha salarial depende do apoio do conjunto dos trabalhadores, por isso o apoio dos policiais às mobilizações dos outros trabalhadores é parte deste processo de unificação da classe trabalhadora.

Sempre que forem convocados a reprimir uma greve ou qualquer mobilização lembrem-se de que desobedecer ao comando nestas situações é cumprir a lei: a lei da solidariedade entre os trabalhadores.

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